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O Rato no Muro - 01/12/2023, 06:40 - Da Redação

Espetáculo O Rato no Muro da Hilda Hilst chega a Salvador dia 07

Texto escrito na ditadura militar e que trata de rompimentos de paradigmas será encenado por turma de formatura da Escola de Teatro da UFBA

Qual é o seu medo? Qual é a sua culpa? É debatendo os medos, culpas e muros físicos, simbólicos e subjetivos, que o espetáculo O Rato no Muro, da dramaturga Hilda Hilst, chega ao Teatro Martim Gonçalves, dia 07 de dezembro de 2023, às 19h. Estrelado pela turma de formatura em Interpretação Teatral 2023.2, da Escola de Teatro da UFBA, a temporada segue até o dia 17 de dezembro, é gratuita, e promete tocar a alma e consciência do público, ao falar sobre a liberdade de ser e estar na vida, assim como de padrões que limitam as expressões e o desejo de pulsar diariamente.

Escrito por uma mulher e com todas as personagens femininas, a direção é assinada por Meran Vargens, Elaine Cardim e Vica Hamed. E foi a partir das inquietações e das demandas dos estudantes que surgiu a escolha, especialmente do desejo de falar sobre tragédias cotidianas e de dar protagonismo a uma mulher dramaturga. Para a diretora Elaine Cardim, para as mulheres, por exemplo, há séculos são estabelecidos medos para galgar a sociedade capitalista e o patriarcado, e é importante ver o medo como uma estratégia.

Mais do que do pensamento artístico, a montagem, que está para além do campo intelectual e passa pelo subjetivo, tem como prioridade a formação do elenco, tendo como norte a perspectiva pedagógica, de desenvolvimento intelectual, emocional, psíquico e de alma de cada um dos e das estudantes. “É um privilégio como artista, mulher e aprendiz fazer parte do elenco de um espetáculo que descortina violências e silenciamentos que perpassam a identidade das mulheres", conta Ana Paula Borges, atriz de O Rato no Muro.

Em um texto carregado por metáforas e que leva a um mergulho profundo na condição humana, a equipe traz uma linguagem poética ampla e escolheu construir o trabalho com o texto pela intuição e instinto. Inicialmente, conectando a arte ao corpo e a alma, para ganhar intimidade com os pensamentos e as palavras da autora. Escrito em 1967, em período de opressão, censura e desvalorização da arte, para Rafael Britto o momento em que a Hilda Hilst escreve o texto é de um marco histórico muito importante, um processo ditatorial que não permite o meio-termo, a diversidade, a diferença.

“Ela [Hilda Hilst] nos motiva a pensar nas repressões cotidianas, nos silenciamentos que nos impedem de falar sobre ser uma pessoa soropositiva, homem gay, afroindígena, como eu sou. Construir o espetáculo me permitiu rememorar alguns medos e perceber o quanto eles me limitaram e me impediram de ser quem desejava. Foi doloroso, mas também me proporcionou perceber um outro cara, quem sou hoje, o quanto que sou vencedor por ter me livrado dessa culpabilização e medos”, ressalta Rafael.

Quem incute o medo que existe em nós? Quem edifica o medo e a culpa?, questiona a diretora-geral Meran Vargens, que acredita que é preciso dar atenção ao que mobiliza o medo e a culpa. “Existe alguém, em um plano de poder e interesses evidentes, que tem objetivo de trucidar aquilo que emana da vida, do que é viver e expressar, que se propõe a atiçar aquilo que não é vida e que se opõe ao brilho da existência", completa Meran.

Os espectadores podem aguardar palavras como verdadeiros portais, interações se revelando a partir do campo magnético, do vínculo sincero e efetivo, e ver a arte agir no imaginário e potencializar lembranças, dores, angústias e, em contrapartida, permitir o alcance de cosmovisões múltiplas. Tudo isso agregado a iluminação de Otávio Correia, que traz sombras, se soma a cenografia digital de Marcus Lobo, e revela em sincronia com projeções em uma caixa preta - que faz alusão aos muros que encontramos não só no convento que existe na história de Hilda, mas em outros ambientes sociais e existentes atualmente -, a criação das atmosferas e espaços do espetáculo.

Com figurino e maquiagem de Thiago Romero, que pretende evidenciar as diferenças ao mesmo tempo que traz a unicidade e demonstra que todas as personagens são uma só, será possível ver uniformes que expõem o hábito, o padrão e retiram as identidades das personagens, as irmãs que não têm sequer nome. O público ainda será surpreendido com um forte trabalho de vocalização, em uma aura sonora fortalecida por Luciano Bahia, que assina a direção musical e a trilha sonora junto a Elaine Cardim, uma das três diretoras que trabalham com voz e constroem com a equipe o forte recorte musical presente no trabalho.

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