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Música e teatro - 10/03/2026, 08:00 - Artur Soares

Arrocha vira tema de espetáculo musical em Salvador

“Arrocha - Aceita Esse Musical que Dói Menos” é apresentado no Teatro Módulo, na Pituba

Peça é uma produção do coletivo Toca Criações Artísticas
Peça é uma produção do coletivo Toca Criações Artísticas |  Foto: Caio Lírio / Divulgação

Um gênero musical que nasceu na Bahia e conquistou o coração do Brasil inteiro. Surgido no final dos anos 90, no município de Candeias, o arrocha se tornou um sucesso com seu embalo envolvente e letras sobre desilusões amorosas. Celebrando a relevância e a história do ritmo, o espetáculo “Arrocha - Aceita Esse Musical que Dói Menos” leva aos palcos do Teatro Módulo, na Pituba, uma história que une música, resistência e muito bom humor.

O musical acontece durante todas as quintas-feiras do mês de março, sempre às 20h, e acompanha o reencontro de dois amigos em um bar, que aproveitam o momento para relembrar suas antigas paixões. Ao decorrer da história, grandes clássicos do arrocha começam a se entrelaçar nas memórias dos personagens, fazendo o público ser tomado pelo embalo das canções.

“Ele trata de todas essas questões de uma maneira bem-humorada, leve e divertida. As pessoas se identificam porque as histórias das letras de arrocha são essencialmente humanas. Então, acho que é por isso que temos uma adesão e uma paixão popular tão grande”, contou o ator e produtor do espetáculo, Danilo Cairo, em entrevista ao MASSA!.

Como surgiu a ideia

A ideia para um musical com alma nordestina não nasceu ontem. Abertamente apaixonado pelo arrocha, Danilo garante que sempre buscou uma oportunidade de homenagear o gênero dentro da dramaturgia. “A ideia do espetáculo Arrocha é algo que já carrego comigo há algum tempo. Sou um grande apaixonado pelo ritmo; acho um universo fantástico, principalmente as letras das músicas e as histórias que elas contam”, explicou.

A peça é uma produção do coletivo Toca Criações Artísticas, que completa 18 anos este ano. O espetáculo Arrocha encerra a programação comemorativa do grupo. “É uma montagem que comemora o aniversário do Toca e é um marco muito forte. O Toca sempre foi um coletivo que trabalha de maneira colaborativa com seus parceiros, em espetáculos que sempre exploraram muito elementos como a musicalidade da cena”, afirmou.

Como esperado de um musical, o repertório desempenha um papel essencial na narrativa. Além de conversar diretamente com a trama dos personagens principais, a seleção das canções serve como uma espécie de retrospectiva do gênero.

“Nós fomos desde os primeiros compositores; então você tem Márcio Moreno, tem Pablo — ainda no Asas Livres e depois em carreira solo —, tem Dino Boy, tem Nara Costa. Enfim, o pessoal que começou o movimento está bem representado, mas também há figuras mais contemporâneas, como Tierry e o maravilhoso Silvano Salles”, explicou Edvard Passos, diretor e dramaturgo da peça.

Como o arrocha é uma criação baiana, a montagem também enfatiza a territorialidade do ritmo. Para o diretor, o reconhecimento do Recôncavo Baiano é essencial na história do gênero. “A principal importância de um projeto como este é a afirmação de uma identidade do Recôncavo; o reconhecimento do arrocha como um movimento cultural genuíno, com sua devida importância, pois ele ainda é muito estigmatizado”, defendeu.

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Vítima da marginalização

Por mais que tenha conquistado o Brasil, o arrocha acaba sendo vítima da marginalização. O diretor conta que a peça é uma tentativa de colocar o gênero em seu lugar de direito. “Ele acaba entrando naquela visão de 'música brega' e as pessoas acabam não dando o valor que ele merece. Então, acho que o musical tem essa função inicial de posicionar o arrocha onde ele deve estar”, pontuou.

Em decorrência do preconceito que cerca o estilo, muitos acabam por subestimá-lo. “Arrocha - Aceita esse musical que dói menos” mostra ao público a riqueza presente na raiz desse movimento. “Eu acho que o arrocha tem uma capacidade de síntese de vários estilos musicais nordestinos, porque tem a 'pisada' do nosso forró, do nosso rei do baião, mas também agrega vários instrumentos”, argumentou o ator Alan Miranda.

Para aqueles que derem uma chance ao espetáculo, Alan garante que a diversão é certa. Música, comédia e uma trajetória de riqueza cultural se misturam no palco. “É uma comédia musical; você vai rir muito, cantar e se divertir, mas também verá o melhor do teatro baiano, feito por profissionais que estão há mais de duas décadas no mercado, influenciados por artistas que estão na estrada há cinquenta anos”.

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