
“Que eu sou sulamericano de Feira de Santana”. O trecho da famosa música ‘Sulamericano’, da banda BaianaSystem, é perfeito para contar a história de Edson dos Santos Costa Júnior, filho da Princesinha do Sertão, mais precisamente do distrito de Humildes, que saiu da Bahia para mostrar que o céu é o limite no futebol. Hoje, aos 27 anos, depois de idas e vindas, o centroavante está no Shan United, time da primeira divisão do Mianmar, país do sudeste asiático com 55 milhões de habitantes, após ter uma passagem pela Tailândia e por alguns clubes no Brasil.
“Eu morava em um bairro não favorecido, sou ‘cria de favela’. A minha família sempre teve cuidado comigo e com meu irmão, não deixava sair e a escolinha mais próxima era 20 minutos, então comecei jogando bola na rua. Um rapaz da comunidade me falou para ir treinar na Arena, um projeto dos professores Genivaldo Silva e Ico, que são verdadeiros pais para as crianças que iniciam”, detalhou o atleta feirense sobre o seu início com a bola em entrevista ao MASSA!.
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Depois dos primeiros passos, Edson chegou a ser rejeitado na segunda etapa de um teste para a divisão de base do Bahia, mas pouco depois foi conseguindo seu espaço. Ele disputou o Baiano sub-20 pelo Fluminense de Feira, e jogou o Paulista da categoria e a Copinha pelo Votuporanguense, antes de chegar no Jacuipense. No Jacupa, ainda sem contrato profissional, se destacou e foi parar no Vitória por empréstimo, onde viveu grandes histórias, mas acabou rescindido contrato em meio à pandemia.
Antes de chegar ao Mianmar, Edson ainda atuou no Brasil por Santa Cruz, Doce Mel, Confiança, Moto Club, SSA FC e Petrolina, além de três clubes da Tailândia, Nakhonsi United, Saraburi United e Moangtrang United, e mesmo natural de um distrito de pouco mais de 30 mil habitantes, garante que não sofreu com a adaptação a um país tão diferente do seu.

“Em relação a adaptação, eu acho que as pessoas não se lançam para conhecer, não se desbloqueiam dos gostos, experimentar o novo. Eu estava longe da minha família, a parte mais difícil era essa, mas conhecer e criar relações com as pessoas foi tranquilo. Me propus a aprender o futebol, a língua local, me lancei de verdade, para não ficar isolado. Aqui na Ásia, o mais difícil da adaptação é a comida. Eles comem muita pimenta, a gente na Bahia acha que come pimenta, mas comparado a eles não”, descreveu o rodado jogador.
Futebol baiano está na veia
Mesmo com a maioria dos familiares torcendo para o Bahia, o atacante acabou desenvolvendo um amor pelo Vitória, clube onde atuou. “Eu sou Vitória. Eu aprendi a amar o Vitória porque eu vi de dentro, não só a galera que trabalha no futebol. Hoje quando eu vou no Barradão, as minhas maiores amizades são uma senhora que trabalha na lavanderia e o funcionário do portão”, contou Júnior. Além da torcida na arquibancada, o baiano também tem a vontade de voltar a atuar pelo Leão. “Não digo que é um sonho, mas eu tenho um desejo de voltar a jogar no Vitória, ter uma oportunidade no profissional. Estou em um dos melhores momentos da minha carreira, no auge físico e técnico. Quero voltar a jogar uma Série A no Brasil”, projetou o engajado atleta.

Lesão foi grande obstáculo
Em uma carreira recheada de clubes, cidades e países, é normal ter obstáculos, se tornando uma verdadeira luta superá-los diariamente. Mas para Edson, tem um momento que ele define como o mais desafiador. “O meu maior desafio foi com a lesão no Petrolina, em 2024. Fiz a pré-temporada inteira, mas no último amistoso eu quebrei a perna, foi muito frustrante para minha carreira, seis meses parados. O médico que me operou não me tratou como atleta, o que foi muito prejudicial. Tive que aprender a fazer tudo de novo, perdi força, foi uma luta para voltar a me condicionar. Até sair o primeiro, segundo e terceiro gol foi bastante difícil, mas depois eu consegui virar essa chave e ficar 100%”, detalhou o atacante ao MASSA!.
*Sob a supervisão do editor Léo Santana

