
Em meio ao Setembro Amarelo, mês que conscientiza as pessoas em relação à prevenção do suicídio e da valorização da vida, o esporte é uma ferramenta muito importante na promoção da saúde mental. Este é o caso de Diego Rebouças (@diegoreboucas.oficial), atleta baiano que venceu a depressão com a prática do ‘Ironman Triathlon’, que consiste em provas com 3,8km de natação, 180km de ciclismo e maratona.
“A corrida me ajudou muito a vencer a depressão e criar uma estabilização hormonal de todo o meu sistema fisiológico espontâneo que eu não controlo apenas com vontade, com força de vontade, com disciplina. Para mim é uma consequência. Então me ajudou muito junto com a terapia. Eu tenho três anos que não tenho mais crise de depressão, e a corrida é uma grande aliada sim, e, com certeza, sem ela eu certamente teria outras recaídas”, detalhou o corredor em entrevista ao MASSA!.
Uma das grandes transformações geradas pela prática esportiva em Diego foi no corpo. Antes de começar a correr, ele pesava 105kg, e hoje, a balança registra 72kg.
“Comecei a evitar sair para alguns lugares. Era difícil encontrar uma roupa que coubesse e ir menos à praia. Me ver mais magro melhorou minha autoestima e com certeza ajudou bastante a me manter motivado a manter a atividade física de uma maneira constante”, lembrou.

Dono de uma história de vida inspiradora, o agora atleta também faz palestras motivacionais para inspirar pessoas a buscarem ajuda com transtornos mentais.
“Foi algo natural. Sempre tive bastante facilidade em falar em público e com toda essa jornada de transformação. É gratificante para mim poder palestrar, poder contar a minha história. De alguma forma, fazer a pessoa pensar na própria vida e eu conseguir ajudar a resgatar ela na busca de um propósito”, afirmou o soteropolitano.
Cuidar da mente é importante
Além do esporte, o principal a se fazer em certos casos é buscar uma ajuda especializada. Mesmo que não haja condições, o Centro de Valorização da Vida (CVV) disponibiliza auxílio gratuito ao ligar para o número 188.
“Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar de qualquer outra parte da saúde. Ninguém estranha marcar uma consulta quando o corpo dói, e a mente merece esse mesmo cuidado. Terapia é espaço de escuta, de organização interna, de construção de recursos pra atravessar a vida com mais leveza. Quanto mais cedo a pessoa se permite esse cuidado, menor o peso que ela carrega sozinha, e maior o repertório que desenvolve pra lidar com os próprios desafios”, destacou a psicóloga Ana Lúcia de Araújo ao MASSA!.

Combatendo o 'Mal do Século'
De acordo com o levantamento da Organização Mundial de Saúde, mais de 11 milhões de pessoas no Brasil possuem depressão. Já com ansiedade, o país registra, segundo a pesquisa Covitel de 2023, mais de 26,8 milhões de pessoas.
Em 2025, o país bateu recorde histórico com mais de 546 mil afastamentos de empregos por saúde mental, apontam os dados do INSS. Tal panorama faz com que a depressão, um dos problemas mais severos de saúde mental, também seja chamada de “Mal do Século”.
“Somos a geração mais conectada da história e, ao mesmo tempo, uma das mais isoladas. O Setembro Amarelo abre uma porta que muita gente não sabia que podia abrir: mostra sinais de alerta, aproxima famílias desse assunto, e reforça que existe ajuda disponível e caminho possível. A conversa precisa continuar o ano inteiro, dentro de casa, na escola, no trabalho e, claro, dentro dos consultórios”, concluiu a médica especialista.

