
A maior Copa de todos os tempos está dando o que falar, desde que começou, com grandes jogos, personagens em destaques, algumas zebras passeando e muito entretenimento para os torcedores apaixonados. Só que, dentre os 48 países presentes no torneio alguns não possuem grande relevância no cenário do futebol mundial, como é o caso do Haiti, próximo adversário do Brasil nesta sexta-feira (19), na Filadélfia, que nunca somou um ponto em Mundiais e que chega para sua segunda participação.
Apesar de ser ‘peixe pequeno’ dentro do futebol, o país caribenho carrega o legado de um dos maiores eventos históricos de todo o continente: a Revolução Haitiana, que foi liderada por escravos que libertaram o povo local da colonização francesa em 1804. Com início em 1791, o chamado “Haitianismo” se alastrou pelo continente e gerou medo nas colônias europeias.
Em Salvador, uma das principais revoltas em solo brasileiro, com ligações às manifestações no Haiti, foi a Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates, que ocorreu entre 1798 e 1799. Ela foi liderada por negros libertos, como Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas, e acabou suprimida pelos colonizadores.
“A Revolução Haitiana reverberou na América inteira escravista, principalmente na Bahia, que tinha um contingente muito grande. Tem um aumento de repressão, várias proibições em relação à manifestação cultural e ao comportamento social dos escravizados. A Conjuração Baiana, ela começa sendo uma conjuração elitizada, das pessoas que tinham acesso aos livros, o iluminismo. Depois que vai ter uma participação popular de alfaiates e de soldados”, descreveu o historiador Murilo Mello em entrevista ao MASSA!.
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Assim como a revolução do lado norte do Oceano Atlântico, a Conjuração por aqui buscava emancipar a Bahia do controle português e pregava a abolição da escravatura, feito alcançado pelo Haiti, que foi pioneiro na conquista. A revolta liderada por Toussaint Louverture possui outros paralelos com a manifestação soteropolitana, para além do caráter abolicionista, já que Salvador e o país da América Central eram grandes produtores de açúcar, com os haitianos sendo exportadores de mais da metade da iguaria no mundo inteiro.
Assim como uma parte da história soteropolitana, baiana e brasileira, a Conjuração e suas lideranças negras acabaram sendo ofuscadas em meio a outros acontecimentos de caráter emancipatório. “A maioria da população de Salvador nem sabe o que foi a Conjuração Baiana. O que existe é o resgate de alguns professores e parte da sociedade”, detalhou Murilo Mello.
*Sob a supervisão do editor Léo Santana
