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Tá invicto - 12/05/2023, 07:30 - Silvânia Nascimento | Foto: Divulgação/UFC- Atualizado em 12/05/2023, 09:35

Malhadinho grandão: Lutador baiano chega forte à luta principal do UFC

Brasileiro encara Jairzinho Rozenstruik, no UFC Fight Night, e conta tudo ao MASSA!

Soteropolitano, 31 anos, 18 vitórias, invicto desde que chegou ao UFC com quatro triunfos e atual 13º colocado no ranking peso-pesado do Ultimate. Estamos falando de Jailton Almeida, mais conhecido como Malhadinho, nascido e criado no bairro de Brotas, da capital baiana. Amanhã, o baiano fará sua primeira luta principal na organização presidida por Dana White, em um combate que será contra o surinamês Jairzinho Rozenstruik, no card do UFC Fight Night , na cidade de Las Vegas, nos EUA.

Mas, até chegar onde se encontra, o lutador brasileiro precisou percorrer um caminho de muitas dificuldades. Com uma carreira marcada por obstáculos e superações, Malhadinho concedeu entrevista ao MASSA! e, durante o bate-papo, falou sobre os cuidados com a performance, a emoção de representar a Bahia, projetos e, até mesmo, sobre futebol. Confira!

Como foram os preparativos para a estreia numa luta principal do UFC?

Jailton Malhadinho - Eu estreei na categoria 93 kg e tive que baixar de peso. Então foi uma coisa que eu precisei ter muito foco, além do que eu já tinha. A alimentação muito adequada, que é o fator principal na vida do atleta, o sono que é muito importante, a preparação. Eu faço três treinos por dia. Mas quando foi chegando perto da luta fomos reduzindo os treinamentos. Já na semana da luta é um treino bem solto, só para acordar o corpo.

Qual a emoção de representar a Bahia em uma competição dessa proporção e ver o cinturão cada vez mais perto?

JM - Estou muito feliz porque acho que na verdade só temos cinco baianos no UFC. Sou muito feliz por representar minha Bahia, meu gueto, eu sou favela. Eu sempre digo que independentemente de onde eu esteja, eu vou continuar sendo esse cara humilde que todo mundo conhece. E estar representando o meu estado é uma coisa muito especial para mim porque tem muitos que criticam o nosso estado, o Nordeste. Falam que o nordestino é um povo fracassado e que não vai chegar em lugar nenhum e estamos mostrando em vários esportes os nossos campeões olímpicos.

Você contabiliza 18 vitórias, sendo 11 por finalização e sete por nocaute, e apenas duas derrotas em seu cartel no MMA profissional. Como se sente ao olhar sua trajetória e perceber que, aos 31 anos, você já possui esses números positivos?

JM - Me sinto muito feliz por estar aqui, hoje, e pelo fato de tudo que já passei na minha vida. Eu me sinto realizado e esse momento que estou vivendo é fruto do excelente trabalho que eu venho fazendo. Quando eu pensei em desistir eu tive pessoas ao meu lado que me apoiaram e sonharam junto comigo.

Qual a luta que você considera mais marcante na sua carreira profissional?

JM - Sem dúvidas foi a do Contender Series, que é tipo uma seletiva que precisa ganhar a luta e convencer o chefe do UFC que é quem contrata os atletas. Essa luta é marcante porque antes dela eu fui chamado duas vezes para o UFC e não consegui ir por causa do visto que não saiu a tempo. E no Contender Series, eu lutei contra um russo e venci. E a probabilidade de ganhar um russo é muito pequena. Para mim foi uma luta muito especial e difícil também, principalmente a parte psicológica. Fiquei muito pensativo durante a semana, mas graças a Deus tudo deu certo.

Nascido e criado em Brotas, Malhadinho está invicto no Ultimate e quer o cinturão
Nascido e criado em Brotas, Malhadinho está invicto no Ultimate e quer o cinturão | Foto: Divulgação/UFC

Quando e como você percebeu o dom e a vontade de ser atleta? Antes do boxe, você treinou outro tipo de esporte?

JM - Antes do boxe eu era jogador de futebol. Sempre gostei do futebol, jogava em time de bairro, mas fazia jiu-jitsu também. Comecei no boxe por causa de meu pai que me levava puxando pela orelha porque eu não queria boxe, eu queria jogar bola. Cheguei a fazer um teste no Vitória para goleiro, mas não consegui entrar. Foi a partir daí que comecei a focar na minha carreira de lutador.

Quais foram as principais dificuldades enfrentadas durante a construção da sua carreira profissional?

JM - A parte financeira. Porque eu tirava do meu próprio bolso para me manter lutando. Comecei em 2012 e em 2014 decidi parar de lutar por causa disso. Essa questão financeira foi me esfriando um pouco. Eu já trabalhava também. Já aconteceu de pessoas falarem que iam depositar um valor para me ajudar em despesas e chegavam na hora não cumpriam. Mas aí, no final de 2015 para 2016, uns amigos me incentivaram a voltar a lutar e hoje estou vivendo no que eu e eles acreditávamos.

Tem algum atleta da sua modalidade esportiva que te inspirou a acreditar que você chegaria onde se encontra hoje?

JM - No americano eu assistia muito Jon Jones, mas minhas inspirações mesmo foram Anderson Silva, Lyoto Machida e José Aldo, que têm uma história muito parecida com a minha, e o russo Khabib. Têm outros nomes também, mas se eu falar aqui a lista vai ficar muito gigante.

O fato de você estar invicto com quatro vitórias no UFC, todas por nocaute ou finalização, te dá mais segurança para o embate de sábado?

JM - Na verdade, eu sempre falo que luta é 50, 50, né. Estou confiante, sim, mas sempre digo que não vai ser luta fácil, vai ser extremamente difícil. Vou fazer meu jogo ali para buscar mais uma vitória e com fé em Deus eu vou conseguir.

Há algum título no qual você ainda sonha muito em alcançar?

JM - Ser campeão mundial na minha categoria. É o sonho de qualquer lutador que está no UFC.

Você é um torcedor fervoroso do Vitória e acompanha o time. Está gostando do desempenho na Série B?

JM - Estou vendo tudo. No jogo contra o Londrina, no Barradão, eu estava lá presente. Depois de termos passado pelos sufocos no início do ano com as eliminações precoces no Campeonato Baiano, Copa do Brasil e Copa do Nordeste, o Vitória está fazendo um excelente Campeonato Brasileiro. Fábio Mota falou numa entrevista que a meta era colocar o time na A. Está tendo foco e, com certeza, o Vitória vai subir esse ano. O elenco está bom, que permaneça assim, o comandante Léo Condé também é muito bom.

Deixe uma mensagem para os leitores.

JM - Galera, eu estou muito feliz com o momento que estou vivendo na minha vida. E quero dizer que sábado a gente vai dar mais um passo, com fé em Deus, na nossa caminhada aqui para chegar ao cinturão. E dizer para a galera do gueto e periferias, principalmente aos adolescentes que estão buscando um espaço no esporte, que vão ter momentos de dificuldades, mas que vocês nunca desistam. Olha onde eu cheguei.

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