Jovens baianos, de 6 até 19 anos, com algum tipo de deficiência, ganharam um espaço para desenvolver o amor pelo esporte. Trata-se do Centro de Referência Paralímpico de Salvador (CRP), localizado no Centro Esportivo Unijorge, no Campus Paralela, que está com vagas gratuitas abertas.
O supervisor Wilson Brito Filho descreve os dois objetivos principais da iniciativa, "o de iniciar pessoas de 6 a 19 anos nos esportes paralímpicos e o de ser um espaço de formação de atletas de alto rendimento nas modalidades paralímpicas", com foco em sensibilizar pessoas acerca da inclusão da pessoa com deficiência.
As inscrições devem ser realizadas por e-mail [email protected]. Mais informações também estão disponíveis pelo WhatsApp (71) 9 8513-3501 e pela página do Instagram @crparalímpico.bahia.
Trabalho para formar atletas
Parte fundamental do projeto, o fisioterapeuta Artur Dias explica como faz para medir a evolução dos atletas.
"O que eu faço para desenvolver os atletas é partir do ponto de avaliá-los do início até o fim, perceber quais são as dificuldades, o que pode melhorar, quais são os potenciais. Estamos na fase de implantação do setor de fisioterapia ainda, mas eu fiz um rastreio de todos os atletas, a disponibilidade de todos os atletas e começamos com a definição dos protocolos de avaliação", detalha o profissional, que completou posteriormente:
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"Alguns específicos, porque para pessoas deficientes é um pouco difícil encontrar protocolos adaptados, a maioria dos protocolos de avaliação são para pessoas que não são deficientes. A gente acaba tendo pouco material e o que tem a gente precisa adaptar, mudar parâmetros, distância e tudo mais, por longo período definindo esses protocolos e agora estamos na fase de avaliação. A partir dessa avaliação dos dados, números que a gente tem, a gente vai em cima daquilo que o esporte precisa que ele tenha, o projeto não é um centro de reabilitação, é um centro de recuperação física para o esporte, então a fisioterapia lá é voltada para prática esportiva", completa Artur, que revela ser pessoa com pé torto congênito.
O treinador de Taekwondo do CRP, Fernando Santos, também menciona como se aproxima das dificuldades desses jovens para fazer eles evoluírem.
"Na questão desenvolvimento, é muito individual. Cada um deles tem um perfil e eu mesmo busco trabalhar de acordo ao perfil deles. Conforme eles têm a dificuldade deles, eu tenho a capacidade e a condição de estar mostrando na prática, por eu ser, também, um deficiente e isso já dá um outro olhar e passam a entender, fazendo junto comigo. Eu gosto de estar junto com eles, vendo qual é a dificuldade e trabalhando junto", declara ele, que é uma pessoa com amputação do membro direito.

Além dos cuidados com o corpo, é fundamental o monitoramento desses cidadãos em formação. O psicólogo Yuri Reis detalha como aplica a metodologia para acompanhar os atletas no Centro de Referência Paralímpico de Salvador.
"O princípio de todo e qualquer tratamento pode-se resumir ao tripé: Presença, vínculo e disponibilidade. Então, eu me concentro em estar presente ouvindo o que está incomodando naquele momento, afinal, o cuidado está para além das teorias, técnicas ou metodologias, demandando estarmos verdadeiramente (pre)ocupado com aquele à nossa frente, com suas questões, necessidades e dores físicas e emocionais", conta.
Evolução dos atletas
As mães dos atletas Ryan (pessoa neurodivergente) e Davy (pessoa com deficiência visual), contam como é a experiência dos garotos de 9 e 14 anos, respectivamente. No geral, o ponto-chave é a presença de carinho, para todos os lados.
Ryan ficou mais confiante, mais disciplinado e mais feliz. O Taekwondo ajudou muito no desenvolvimento dele, tanto na parte física quanto na socialização e na autoestima
Fernando trabalha com Ryan e o trata como uma joia: "O Ryan é uma joia hoje, é uma joia. Eu não posso dizer que é especial, porquê ele está num contexto de outros alunos, então todos são especiais, todos são maravilhosos. Mas o Ryan vem se destacando muito bem. Ele tem o jeito dele, tem a forma dele, tem o carinho dele, muitas das vezes você perde o chão com ele. Porque você pensa que vai ser uma coisa e ele traz como se fosse uma pessoa bem madura, bem voltada ao que ele está praticando, ao que é que ele está fazendo, que você fica surpreso", declara.

Com Davy, não é diferente. O treinador de Atletismo, Marconi Andrade, rasga elogios para o garoto.
"O desenvolvimento de Davy tem sido muito significativo. No início, por ser um atleta cego, houve naturalmente um desafio maior no processo de adaptação aos treinos, especialmente no que diz respeito à orientação espacial e à confiança na execução das atividades. No entanto, com o suporte fundamental do seu atleta-guia, Oto Gabriel, conseguimos estruturar uma dinâmica de trabalho baseada em confiança, comunicação e sintonia", destaca Marconi, completando em seguida:
"No dia a dia, ele é um atleta disciplinado, determinado e muito focado. Está sempre disposto a aprender e a se superar."

A trajetória no projeto tem sido extensa a ponto das mamães, como a de Davy, garantirem que os treinadores são 'mentores' e, acima de tudo, amigos para evoluir os alunos em todos os aspectos da vida.
*Sob a supervisão do editor Pedro Moraes