
Os nomes Marcos André Souza e Leandro Oliveira soam familiares? Provavelmente não, mas o público que acompanha a resenha dos torcedores da dupla Ba-Vi nas redes sociais os conhece muito bem, mas por outros apelidos: o rubro-negro Obina e o tricolor Jacinto lá ele. E, na semana do maior clássico de todo Norte e Nordeste, que vale também o troféu de campeão estadual, a zoação entre os influenciadores e torcedores baianos come solta dos dois lados, sempre com muito bom humor e provocações.
“Galinhas, preparem o lenço porque vão chorar muito”, gastou Jacinto, torcedor do Bahia. “Depois de duas derrotas seguidas em clássico, podem ir se despedindo de Rogério Ceni, viu, sardinhas?”, ironizou Obina, torcedor do Vitória.
Os dias que precedem a decisão do Campeonato Baiano de 2026 foram recheados de um debate sobre o fim da torcida única nos clássicos, que acalorou o clima para a final de amanhã, disputada a partir das 17h, na Arena Fonte Nova, e os dois influenciadores não deixaram de opinar sobre a situação. O pedido oficial do presidente do Leão, Fábio Mota, para o retorno do público misto no jogo único da final estadual foi recusado pelo Ministério Público da Bahia, mas não deixou de movimentar as duas torcidas da capital baiana.
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“Se o estado consegue fazer a segurança de milhões no Carnaval, por que não fazem a segurança de duas torcidas em um estádio? Já cansei de ir em Ba-Vi com 50/50 na Fonte Nova, com amigos tricolores, e a gente resenhava na boa, comendo água, sem briga nenhuma. Isso atesta a incompetência do estado”, desabafou Obina. “A resenha de um Ba-Vi é muito massa. Vi a final do Baiano de 2024 com um amigo Vitória e não pegou nada. É possível fazer, mas a conveniência de Fábio Mota me faz ser contra”, completou Jacinto.
Já sobre a conquista do título baiano nesta temporada, ambos os lados do futebol soteropolitano estão empolgados para a decisão. Mandante do duelo decisivo e invicto no Baianão, o Tricolor de Aço, mesmo depois da eliminação precoce na pré-Libertadores, segue confiante em erguer o troféu de bicampeão. “A gente vai ganhar. Isso é fato. Mas não quero goleada não, isso é medo deles (torcedores do Vitória). Meu palpite é 3 a 1”, projetou o influenciador do Esquadrão.

Do outro lado, o Colossal, com a segunda melhor campanha na primeira fase do Estadual e após avançar no sufoco contra o Jacuipense, acredita que é possível buscar o seu 32º título baiano fora de casa. “Vai ser jogo duro, mas a Fonte Nova é minha casa de praia. Vai ser 2 a 1 Vitória”, cravou o folclórico torcedor rubro-negro.
Só que, mesmo diante de rivalidade, os influencers sabem que um clube não vive sem o outro. “O Ba-Vi mexe com a energia da cidade como poucas coisas mexem. Para mim, é o terceiro maior clássico do Brasil. E eu detesto perder clássico. Perder um Ba-Vi acaba com a minha semana”, admitiu Obina. Então, vamos pro jogo!
Favoritismo e confiança total
Sobre o clássico Ba-Vi decisivo de amanhã, tanto Jacinto quanto Obina acreditam em suas equipes e na conquista do título baiano de 2026. Ambos admitem que o Bahia é o favorito, mas que não é impossível o Leão levar a melhor. "A obrigação está com nós".
Os caras vão tranquilo, pô! O Vitória é um time chato contra o Bahia. Isso é histórico”, descreveu o tricolor. “O Vitória está jogando na casa do rival. O Bahia é o grande favorito, fez a melhor campanha, não perdeu nenhum jogo. Mas é um jogo só. É um jogo só. Quem sabe o Vitória pode surpreender. Eu olho a final única por isso”, projetou o torcedor rubro-negro.

A história do polêmico rubro-negro
Polêmico na maioria das suas publicações, o rubro-negro Obina, apesar dos mais de 200 mil seguidores somando todas as suas redes sociais, é pedreiro e começou a gravar seus conteúdos para a internet em 2022, quando o Vitória estava na terceira divisão do Campeonato Brasileiro. Pai de três meninos, Marcos André Souza não finalizou seus estudos, algo que busca fazer futuramente.

Porém, da mesma forma, o influenciador faz jus ao nome de sua profissão de influenciador e guia seus filhos a terminarem os estudos para tentarem passar em concursos públicos visando uma maior estabilidade financeira. Quanto às contas, a internet é um meio complementar de renda, mas o torcedor do Vitória almeja viver dos vídeos que faz. “Não podemos esquecer da onde a gente veio, porque pra voltar pra lá é rápido. A internet bota você lá em cima e derruba ao mesmo tempo. [...] Então, o que você levou cinco anos pra construir sua vida na internet, ela derruba em um vídeo”, lembrou.
Tricolor mostra coragem
Tricolor de coração, o humorista Jacinto possui mais de 200 mil seguidores no Instagram. Os famosos ‘ossos do ofício’ batem na porta de Leandro Oliveira, que faz algo que a imensa maioria dos torcedores não tem coragem, seja de qual clube for: usar a camisa do maior rival.

Em seus vídeos, além do uniforme do Bahia, ele utiliza as cores vermelha e preta de forma livre, para ‘gastar’ com a cara dos rivais, algo visto como um ato de bravura pelo próprio Obina, que evitou sequer tocar na camisa do Esquadrão e, nas palavras do próprio, só o faria por R$ 1 milhão. Esta experiência, inclusive, já chegou a render uma curiosa história. “Já saí até na rua de Vitória. Mas tive que tirar a onda que eu sempre tiro. Então botei uns curativos, sangue falso, bolsa de soro e tudo mais. Só pra gastar”, detalhou o influenciador digital tricolor.
*Sob a supervisão do editor Léo Santana
