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Bronze - 26/12/2023, 08:50 - Patrick Levi | Portal A Tarde- Atualizado em 26/12/2023, 12:42

Halterofilista baiana enaltece conquista no Parapan 2023

“A medalha de bronze teve gosto de ouro”, disse Edilandia Araújo

Edilandia Araújo foi medalhista no levantamento de peso na categoria até 88 kg
Edilandia Araújo foi medalhista no levantamento de peso na categoria até 88 kg |  Foto: Comitê Paralímpico Brasileiro

Levando em conta o número de medalhas que os brasileiros conquistaram nos Jogos Parapan-Americanos deste ano (343 ao total, sendo 156 ouros, 98 pratas e 89 bronzes), é fácil cravar que o país esteve bem representado em Santiago. E é possível também destacar os méritos dos competidores da Bahia.

O Grupo A TARDE faz uma série de matérias contando um pouco da história de atletas do estado que tiveram desempenho elogiável no Parapan, do qual seus sete competidores saíram premiados. Nesta edição, a entrevista é com Edilandia Araújo (levantamento de peso na categoria até 88 kg), natural de Urandi, a 692 quilômetros de Salvador.

A esportista já havia conquistado o segundo lugar mais alto do pódio no Open das Américas de 2022, nos Estados Unidos. Neste ano, em Santiago, o bronze veio para a baiana do halterofilismo.

Em 2000, a atleta teve mielite transversa, uma doença relativamente rara que afeta os nervos periféricos da medula espinhal e, consequentemente, adquiriu deficiência física. Cinco anos depois, começou no esporte e fez disso a sua vida, trazendo grande orgulho para o Brasil e a Bahia.

Para entender a jornada que te levou até onde você está hoje, é preciso saber de onde surgiu a influência do esporte na sua vida. Então, desde sua juventude, a movimentação do corpo e a competitividade esteve presente para você?

"Voltando à minha infância, eu fui uma criança criada na zona rural, então ficava na rua o dia inteiro brincando, subindo em pé de manga. Depois da infecção que eu tive, em 2000, já em Uberlândia-MG, que é onde moro agora, minha mãe não gostava que eu ficasse dentro de casa, então disse que procuraria algo para eu fazer. Foi aí que conheceu o professor Alberto, que me levou ao treino de natação, onde passei a me conectar mais com a esportividade".

Mas sua conexão maior e que dura até hoje não foi com a natação, mas com o halterofilismo. Como foi o começo nesse esporte específico?

"Depois da natação, fiz um teste com levantamento de peso. No nado, quem me acompanhava era um estagiário, mas ele sumiu do nada, e então onde eu treinava só tinha um outro professor, Weverton. Ele me viu e disse que eu era forte, e que deveria pelo menos tentar em um teste. Fiz o teste e, desse teste, estou até hoje. Comecei em 2005 e já fui para um Campeonato Brasileiro de halterofilismo que aconteceu no Rio de Janeiro, em julho. Foi assim que ingressei no esporte".

Como foi o começo da sua adaptação? Foi difícil? houve muito apoio?

"O professor Weverton me descobriu e eu estou com ele até hoje, então ele foi muito importante, sempre me guiou muito bem. Ele e meus pais foram meus principais apoiadores. Minha família em geral, meus irmãos, meu marido. Meu marido, inclusive, conheci na minha primeira competição, lá no Rio".

E qual foi o maior desafio da sua carreira?

"Foi em 2015. Eu havia ido para um Open das Américas, no México. Quando voltei, já estava doente. Um médico não cuidou direito e foi piorando. Tive uma bactéria que comia um pouco do osso. A minha deu justamente no quadril. Passei por cerca de 15 cirurgias, que foram retirando regiões que a bactéria tinha atacado. Retirei partes do fêmur, precisei de mais de 13 bolsas de sangue até estabilizar. Graças a Deus, o meu novo médico, o Dr. José Geraldo, cuidou muito bem de mim e, desde 2019 estou tranquila. Já em 2020, em fevereiro, voltei a treinar".

2020 foi também o ano em que estourou a pandemia. Como isso te afetou? Quando os esportes voltaram a ocorrer, já houve o Mundial de halterofilismo. Como foi isso para você?

"Já em março começou a pandemia. Quando começou, já parei os treinos. Só voltei no final de 2021 e fui para as seletivas do Mundial já sabendo que não tinha chances porque só tinha voltado a treinar três semanas antes. Fiz nas seletivas a marca de 95 kg e não foi o suficiente. Voltei a treinar e, depois de um mês, já estava fazendo 105 kg. Fui treinando e, graças a Deus, melhorando marcas. Foi um grande desafio passar sete anos fora e conseguir voltar bem".

Qual foi a sensação de levar o bronze no Parapan deste ano? E quais são as expectativas para a Paralimpíada?

"A medalha foi de bronze, mas, para mim, teve o gosto de ouro, dado tanto tempo de fora que eu fiquei. Sobre a expectativa para a Paralimpíada, não está boa. Como eu não fui para o Mundial em 2021, que contam pontos para o ranking, eu não estou no ciclo de Paris. São competições obrigatórias que contam pontos. Mas está nas mãos de Deus, eu posso receber o convite, mas posso não receber também. Então, meu foco já está em 2025, para o Mundial. Caso não venha Paris, já estou no ritmo de treino para começar bem o Mundial".

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