Quem nunca jogou o famoso baleado com os amigos? Na educação física, na rua, ou no playground… Uma bola sempre vira diversão, e não é diferente com este jogo que equilibra a competitividade para não ser acertado, e a diversão de desviar da bola como o ‘Matrix’. Nas regras, são 10 atletas em cada equipe, sendo nove no meio, e um na chamada zona morta. Quem for baleado, segue ao local, e é assim até que todo o time seja atingido, ou até que o tempo acabe, vencendo quem ficar com mais jogadores em quadra.
Mas o baleado é mais do que apenas uma brincadeira, é um esporte que tem muitos apaixonados em todo o Brasil, especialmente aqui na Bahia, no projeto Labaredas, da cidade de Jacobina, que foi fundado em 2018, e é voltado para o público feminino. “A ideia surgiu de uma brincadeira de amigas, bateu saudades do tempo de escola e resolvemos jogar. Daí foi onde tudo começou, levamos a sério e montamos uma equipe. Nos federamos, e hoje participamos de competições em todo o estado, e em breve, fora”, detalhou Kleide Santana, atleta e organizadora administrativa do projeto, em entrevista ao MASSA!.
O que surgiu apenas como uma atividade divertida, se tornou um trabalho de muito sucesso. Com oito anos de existência, o Labaredas já conquistou diversos títulos, entre eles, o Campeonato Baiano em 2022 e o Circuito Baiano em 2023, os troféus mais expressivos da galeria do projeto.
Porém, mesmo com estes feitos, a iniciativa ainda sofre com os deslocamentos, já que a maioria da equipe, apesar de ser oficialmente de Jacobina, sai dos povoados de Jaboticaba e Itapicuru, precisando percorrer 20 km até a cidade para conseguir treinar. “Vejo a garra das meninas, a disciplina, elas queriam treinar mais, mas devido a essa dificuldade de ter um local para se treinar e até pela condição financeira, o transporte fica pesado”, lamentou Benedito Veloso, o treinador da equipe. “Na cidade onde residimos, só temos um local adequado, este não tem mais horários disponíveis. Então treinamos numa quadra esportiva, que quando chove, molha toda, impossibilitando de treinarmos”, complementou Kleide.

Obstáculos e orgulho total
Independente dos obstáculos, a iniciativa é motivo de orgulho e felicidade para todo o grupo, sendo mais um grande exemplo de como o esporte pode transformar vidas, e trazer lições. “O baleado me ensinou a ver as pessoas de maneira diferente, sinto a dificuldade de cada atleta e buscamos superar juntas, seja lá qual for o tamanho do problema, a força e a persistência devem ser sempre maiores. Temos meninas na equipe que através do esporte, superaram a depressão, crise de ansiedade, problemas com alcoolismo dentro de casa. Temos o esporte como uma válvula de escape, é onde esquecemos os problemas”, descreveu a atleta do Labaredas.
Sonho com voos altos
Fundar, federar, manter e crescer um projeto de baleado na Bahia e no Brasil não é fácil, mas com muita dedicação, é possível. E se toda essa longa e brilhante trajetória já foi trilhada, por que não sonhar mais alto? “Meu sonho para o esporte é que primeiro chegue a todos os estados do Brasil, possibilitando um campeonato nacional, e sonhando ainda mais, que chegue nas Olimpíadas, é um esporte contagiante onde o público motiva os times na torcida”, mirou Benedito.
Já para a sua iniciativa, Benê também tem grandes objetivos. “Quero construir uma quadra poliesportiva em Itapicuru, onde residimos, possibilitando dar início ao projeto de aulas para crianças e adolescentes, ajudando na inserção de mais jovens no esporte”, finalizou o organizador do Labaredas.
*Sob a supervisão do editor Léo Santana