
O Jacuipense tá fazendo história em 2026. Após chegar até a semifinal do Campeonato Baiano, sendo eliminado apenas nos pênaltis para o Vitória, a equipe de Riachão do Jacuípe garantiu uma bolada ao se classificar para a quarta fase da Copa do Brasil, batendo o Santa Catarina, por 1 a 0, na quarta-feira (11).
Vale ressaltar que esta é a primeira vez que o Leão do Sisal chega tão longe na competição nacional. O clube de Riachão do Jacuípe agora irá enfrentar o Grêmio Novorizontino na próxima fase.
Ao todo, o Jacupa já arrecadou R$ 2.850.400,00 (R$ 2,8 milhões) com as premiações das fases anteriores da Copa do Brasil. O MASSA! procurou o presidente do conselho deliberativo do clube, Felipe Sales, para entender qual será o destino da grana.
Situação tá osso
Muitos times do interior começaram suas arrancadas rumo a divisões superiores nacionalmente graças a valores como esse do Jacupa. Foi o caso do Mirassol, que em 2017 recebeu R$ 8 milhões da venda de Luiz Araújo, do São Paulo para o Lille, já que o clube ainda tinha cerca de 30% dos direitos do jogador formado na base. Essa grana foi essencial para o Leão paulista construir seu CT de alto padrão, em 2019, impulsionando-os aos acessos meteóricos da Série C para a Série A.

O Jacupa também pensa assim. No entanto, o presidente Felipe Sales explicou que todo valor recebido até o momento pela equipe será usado para pagar dívidas que o clube acumulou, principalmente no último ano, em que não teve calendário.
“Vamos pagar o que devemos. A gente passou um ano de 2025 com um calendário muito ruim. Então a gente ficou muito sem fluxo. E como a gente é um clube que trabalha o ano todo, mesmo tendo só um calendário pequeno, nós temos categoria de base para manter. E alguns jogadores com contrato que a gente não conseguiu emprestar. A gente teve que fazer um esforço descomunal, ficamos sem fluxo durante o ano passado todo. E só tivemos um pouquinho de receita do Campeonato Estadual, então a gente abriu um passivo muito grande do ano passado pra cá”, explicou Felipe.
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Para pensar em um 2027 mais tranquilo, Felipe foi enfático: “Se passarmos de fase, mais uma vez, a gente consegue botar as contas em dia. Aí então a gente tem pensamento de, obviamente, ficar zerado, de dívida, de tudo. Ano que vem a gente passa a ter um calendário igual a esse. Então a gente já imagina que com esse dinheiro a gente mantém esse ano todo, paga o que a gente está devendo, e aí entra o 2027 zerado”, projetou.

Nova estrutura está no radar
Para além do pagamento de dívidas, Felipe Sales também revelou que o clube possui dois terrenos, em Salvador e Riachão do Jacuípe, para a construção de um novo Centro de Treinamento. No entanto, o empecilho seria justamente a falta de dinheiro.
“Nós temos uma área em Riachão de aproximadamente 20 mil metros quadrados. Permitiríamos ter dois campos e um alojamento. E em Salvador nós temos uma área também, em parceria com um empresário amigo, que faria essa doação da área para a gente, na Estrada do Coco, para a gente construir e, obviamente, permitir que a gente tenha essa estrutura em Salvador também”, detalhou.
Não é fácil
Voltando para a questão de dívidas, Felipe Sales detalhou os problemas que uma equipe menor sofre para manter o orçamento no lugar. Uma das maiores dificuldades citadas pelo presidente é justamente a logística.
“A gente acabou tendo a necessidade de ir, porque o campeonato baiano é deficitário por por si mesmo, né? Então a gente recebe dentro do campeonato estadual 300 e poucos mil, 400 mil que seja, mas a gente gasta um milhão e meio. Se você botar que a gente precisa treinar um mês antes, aí ano passado foram dois meses e meio de competição, então nós temos três meses e meio, quase quatro meses de competição. Se a gente pegar numa média aí de 350 mil por mês, que é a despesa do clube, você imagine. Para a gente jogar em Porto Seguro o custo da nossa viagem foi de 60 mil reais”, detalhou.
