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Do jiu ao futebol -

Da Boca do Rio para o mundo: jovem brilha como jogador na Bolívia

Gabriel Felício sai de projeto social de jiu-jitsu para se tornar atleta profissional de futebol fora do país

Gabriel Felício com a camisa do Mi Llajta-BOL
Gabriel Felício com a camisa do Mi Llajta-BOL |  Foto: Arquivo pessoal

Cria do projeto social de jiu-jitsu, Instituto Prayer, que fica localizado no bairro da Boca do Rio, o soteropolitano Gabriel Felício, de 19 anos, ganhou o mundo através de outro esporte: o futebol. Descoberto pelo Clube América Bahia, o jovem atualmente é zagueiro do Mi Llajta, da segunda divisão do Campeonato Boliviano, onde vem se destacando e brilhando cada vez mais.

“O esporte mudou a minha vida porque me ensinou a ter disciplina, responsabilidade e objetivos. Tanto o jiu-jitsu quanto o futebol contribuíram para a pessoa que sou hoje. O esporte também me proporcionou oportunidades que talvez eu não tivesse de outra forma, como conhecer novos lugares e viver experiências diferentes. Hoje, tenho o privilégio de seguir buscando meu sonho como jogador profissional, sempre com fé em Deus e acreditando que todo esforço tem seu valor”, descreveu o atleta ao MASSA.

Gabriel nos tempos de jiu-jitsu
Gabriel nos tempos de jiu-jitsu | Foto: Arquivo pessoal

Apesar da prática do jiu-jitsu ter começado desde cedo, a bola sempre foi a grande paixão de Gabriel. “Na verdade, o futebol sempre foi meu principal objetivo desde pequeno, pois sempre tive o sonho de me tornar jogador profissional. O jiu-jitsu entrou na minha vida como hobby, algo que eu gostava de praticar e que também contribuiu muito para minha formação pessoal. Com o passar do tempo, fui buscando oportunidades para realizar meu sonho no futebol e decidi me dedicar cada vez mais a essa carreira”, lembrou o jovem atleta.

Defensor no campo e lutador nos tempos de tatame, o jovem passa longe do estereótipo de zagueiro ‘porradeiro’, muito pelo contrário. “O jiu-jitsu me ensinou muito sobre disciplina, respeito, persistência e controle emocional. Aprendi que nem sempre vamos vencer, mas precisamos saber lidar com as derrotas e continuar trabalhando para melhorar. Levo esses ensinamentos para o futebol, principalmente nos momentos difíceis, porque sei que a evolução exige paciência, dedicação e muita força de vontade”, afirmou o jogador baiano.

Altitude é obstáculo

Com passagens por Galícia e Camaçari, Gabriel foi para o Mi Llajta, clube de Cochabamba, cidade localizada a mais de 3.490km de Salvador, para viver o sonho de ser jogador, mas enfrenta um forte adversário fora dos gramados: a altitude de 2.500m da cidade onde moral.

“No começo foi difícil, porque o corpo sente bastante a diferença da altitude, principalmente na respiração e no condicionamento físico durante os treinos e jogos. Foi uma adaptação que exigiu paciência, disciplina e dedicação, porque precisei me acostumar com uma realidade diferente da que eu estava habituado no Brasil. Com o tempo, fui entendendo melhor como lidar com esse desafio, e isso também me ensinou a ter mais persistência e a buscar sempre minha evolução como atleta”, lembrou o atleta.

Ajuda ao próximo

Sem esquecer as suas raízes mesmo morando fora do país, o zagueiro sonha em um dia fundar um projeto social para crianças, seguindo os moldes do Instituto Prayer, do sensei Lucas Carlos, e do Clube América, liderado por Pedro Belfort.

“Sou muito grato aos meus professores por terem me aberto as portas. Tenho vontade de fazer algo que possa ajudar outras pessoas por meio do esporte. Como fui primeiro aluno do Instituto Prayer, sei que projetos sociais podem ter um papel importante na vida de um jovem tanto no futebol como no jiu-jitsu. No futuro, gostaria de contribuir para que outras crianças e adolescentes tenham oportunidades, aprendam valores e possam acreditar nos próprios sonhos. Quero que minha história também possa servir de inspiração para quem está começando”, projetou o jovem sonhador.

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