Uma das músicas mais marcantes do cantor e compositor Carlos Gardel, o tango 'El Día Que Me Quieras', diz em seus versos que um dia a vida vai florecer e não haverá mais dor: “Florecerá la vida / No existirá el dolor / La noche que me quieras / Desde el azul del cielo”. O gênero portenho, difundido no início do século passado na região do Rio da Prata, é conhecido pela intensidade dos sentimentos abordados nas letras e também despertados em suas diversas expressões.
Como no tango de Gardel, um forte desejo dos argentinos é deixar para trás o sofrimento da primeira fase da Copa do Mundo. A seleção albiceleste enfrenta a Austrália pelas oitavas de final neste sábado, às 16h (da Bahia), no estádio Ahmad bin Ali, como grande favorita e busca trilhar um caminho diferente, mas sem perder a emoção. Ou, parafraseando expressão atribuída ao argentino e líder revolucionário Ernesto Che Guevara, “há que endurecer, mas sem perder a ternura jamais”.
“O povo argentino costuma viver com muita intensidade. E fica tenso em todas as situações em que a bandeira está envolvida. No próprio hino também está a força nacional com que a gente cresce, quando diz ‘o juremos com glória morrer’. A gente espera que os jogadores deixem tudo no campo”, afirma Santiago Gómez, 42 anos, jornalista e psicólogo nascido em Buenos Aires, terra do tango, e que vive na capital baiana.
Se for mantido o futebol, a disposição dos jogadores e a organização da equipe na última partida da fase de grupos, quando a Argentina venceu por 2 a 0 a Polônia, os torcedores podem ficar mais tranquilos. As mudanças na forma de jogar realizadas pelo técnico Lionel Scaloni surtiram efeito, ampliando a rapidez da transição e as possibilidades de criação.
Além disso, uma nova geração argentina conquistou espaço na equipe e somou positivamente na qualidade do setor ofensivo, comandado por Messi. Atento à evolução tática da Albiceleste, Santiago destaca as principais alterações do modo de jogo que devem permanecer.
“O técnico colocou Enzo Fernández, mais ofensivo, com velocidade, controle da bola. O mesmo com Mac Allister, volante que joga bem pelo meio. E Julián Álvarez é um jogador que parece mais com Agüero, cria situações e é bom na diagonal. O técnico argentino acertou nas mudanças que fez”, afirma.
No ataque, a dúvida contra a Austrália é exatamente um veterano, Ángel Di María, que foi substituído com dores no segundo tempo do duelo com a Polônia e pode não jogar. Os possíveis substitutos são muitos: Leandro Paredes, Lautaro Martínez, Papu Gómez e Ángel Correa. Mas Paredes sai na frente, uma vez que já entrou no lugar do seu compatriota.
Drama passado
O histórico da Argentina com a Austrália leva a fortes emoções. Há quase 30 anos, os hermanos foram para a repescagem das eliminatórias da Copa do Mundo de 1994. Enfrentaram a seleção da Oceania com uma equipe com Batistuta e Maradona e, após empate no jogo de ida, a Argentina venceu em casa por 1 a 0, em um confronto emocionante com gol contra do zagueiro australiano Tobin.
Sobre o confronto de hoje, Scaloni destacou a competitividade de todas as seleções: “A Austrália é uma boa equipe. Isso é o futebol, precisamos deixar um favoritismo teórico de lado e jogar. Vamos dar a última gota de suor”, disse o treinador.
Do lado da Austrália, o técnico Graham Arnold, que estava, como atacante, na respescagem em 1993, demonstra confiança que o desfecho será diferente. “Claro que vamos ganhar. Treinei a equipe olímpica e vencemos a Argentina por 2 a 0. É uma camisa amarela contra uma camisa albiceleste”, divertiu-se.
Considerando a primeira fase, a rivalidade e a intensidade argentina, o jogo de hoje contra a Austrália promete emoção. Os argentinos estão confiantes, mas sabem que precisam manter a concentração para não ter maiores surpresas. Afinal, a Copa do Mundo do Qatar tem demonstrado que qualquer vacilo pode ganhar contornos dramáticos.
FICHA TÉCNICA:
Argentina x Austrália
Oitavas de final
Data e horário: 3/12/2022, às 16h (de Brasília)
Local: Estádio Ahmad bin Ali, em Doha (QAT)
Onde assistir: Globo, SporTV, SporTV 2, Globo Play e CazéTV
PROVÁVEIS ESCALAÇÕES:
ARGENTINA
Martínez; Molina, Otamendi, Lisandro Martínez e Acuña; De Paul, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister; Messi, Julián Álvarez e Lautaro Martínez. Técnico: Lionel Scaloni.
AUSTRÁLIA
Matt Ryan; Degenek, Souttar, Rowles e Behich; Mooy, Irvine, Goodwin, Leckie e McGree; Duke. Técnico: Graham Arnold.