
O padre Danilo César, da paróquia de Areial (PB), que atacou a fé de Preta Gil, chegou a um acordo com o Ministério Público Federal (MPF), mas apenas na esfera criminal. Com isso, o sacerdote ainda continua respondendo a uma ação por danos morais movida por Gilberto Gil e sua família.
O processo cível, que tramita na 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro, solicita uma indenização de R$ 370 mil devido a declarações de cunho preconceituoso proferidas durante uma homilia.
O caso ganhou força após o clérigo associar a morte de Preta Gil e a fé da família em religiões de matriz africana ao sofrimento e ao óbito da cantora.
Ação cível vs. Acordo criminal: entenda as diferenças
Recentemente, o padre firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Nesta modalidade, ele confessou a conduta ilícita para evitar um processo criminal por intolerância religiosa, comprometendo-se a realizar leituras sobre racismo religioso e pagar uma multa convertida em doação.
No entanto, a defesa da família Gil argumenta que, no processo cível, o padre mudou o tom. Segundo o advogado Fredie Didier, o clérigo protocolou uma defesa alegando que apenas "manifestava sua fé", sem reconhecer a responsabilidade civil pelos danos causados à imagem e à honra da família.
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Próximas etapas do processo
O processo entrou agora na fase de réplica. A família de Gilberto Gil terá a oportunidade de rebater os argumentos da defesa do padre, buscando o reconhecimento explícito da ofensa e a reparação financeira pelo abalo moral e intolerância.
A defesa alega que os processos não têm relação direta e que o acordo criminal não implica em dolo (intenção de cometer crime) na esfera cível.
Relembre o caso: "Cadê esses orixás?"
O episódio ocorreu em julho, durante uma missa transmitida ao vivo. Na ocasião, o padre Danilo César questionou a eficácia das entidades de matriz africana. "Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?", disparou. Além disso, o clérigo referiu-se a essas práticas como "coisas ocultas" e afirmou que desejava "que o diabo levasse" quem as procurasse.
As falas geraram revolta imediata em comunidades de Umbanda, Candomblé e Jurema, resultando em boletins de ocorrência e na mobilização jurídica da família Gil.
