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Estourado - 08/09/2023, 09:13 - Artur Soares*- Atualizado em 08/09/2023, 09:30

Falcão Explosão é o fenômeno dos hits engraçados

Com estilo original, baiano de Teofilândia conquista a web e vai superando as dificuldades

Cantor Natalino de Jesus concede entrevista ao MASSA! na sede do Grupo A TARDE
Cantor Natalino de Jesus concede entrevista ao MASSA! na sede do Grupo A TARDE |  Foto: Denisse Salazar / Ag. A TARDE

Natalino de Jesus, mais conhecido como Falcão a Explosão do Momento, é um cantor de Teofilândia, no no nordeste da Bahia, que repercutiu com suas canções peculiares e seu modo diferente de cantar. Com músicas que falam desde drones até cebola e alho, o artista explodiu na internet depois de um vídeo em que ele canta, do próprio jeito, a música Pitbull Enraivado, de Oh Polêmico. E com esse estilo único, o rapaz, que trabalha na feira, vai superado uma realidade complicada, após até já ter passado forme e perdido tudo em um alagamento.

Além do cover de sucessos, Natalino também caiu nas graças do público por conta de suas letras autorais. Normalmente, suas canções falam sobre elementos do seu dia a dia, sempre de uma forma descontraída. “Eu pego o que é real e coloco na música”, garantiu em entrevista ao MASSA!.

Assista:

Essa inspiração lírica começou por conta de sua experiência trabalhando na feira. “Quando eu ia cantar no fim de semana, eu levava as frutas da feira para dentro da lambada”, acrescentou. Trabalhando mais de dois anos na feira para sobreviver, Natalino se viu inspirado para criar um de seus maiores hits, em que ele fala sobre alho. “O pessoal mais velho, que tem sotaque, perguntava ‘tem aio?’ E eu falava ‘tem aí não’”, mencionou.

A história do teofilandense com a arte começou ainda cedo, por influência de seu pai. “A gente ia dormir com meu pai tocando cavaquinho a noite. Disso eu fui criando aquela vontade, ia trabalhar cantando e voltava cantando”, relembrou .Porém, ele só cairia de cabeça na música a partir de 2003, quando viajou pela primeira vez para São Paulo.

Ele foi para outro estado aos 20 anos, com o objetivo de obter uma vida melhor. “Fui com a motivação de vencer na vida, virar o jogo e ter alguma coisa”, explicou. Em Praia Grande, o baiano cantava enquanto vendia tapioca em uma bicicleta. “Comecei a cantar funk enquanto vendia e ser MC ao mesmo tempo. Fiquei conhecido como MC Tapioca”, comentou. Depois de quase 4 anos fora, retornou para a Bahia em busca de seu sonho.

Na época, Natalino teve que abrir mão de dois trabalhos fixos, mas já estava decidido quanto a carreira que queria seguir. “Quando eu estava em São Paulo, as pessoas diziam que a Bahia era melhor para emplacar na música”, relembrou. Depois que voltou para Serrinha, cidade onde morava, o então MC teve a ideia de sair do mundo do funk. “Preferi ir para uma letra mais suave, tranquila e sem apologias”, justificou Falcão.

Em junho deste ano surgiu o vídeo que alavancaria de vez sua carreira. Durante uma apresentação em Teofilândia, que estava sendo transmitida ao vivo no YouTube, o público começou a pedir músicas. “Quando eu já estava perto de ir embora, o pessoal pediu ‘bota o drone’. Na sequência, pediram o Pitbull”, detalhou. Com apenas uma semana, o vídeo já havia viralizado e bombado em pleno São João..

O baiano diz saber que parte do sucesso veio das pessoas debochando de sua performance, mas diz não se importar com os memes. “Fico feliz por ter feito muita gente. Eu mesmo estava rindo à toa”, contou. Para finalizar, ele também deu uma pequeno vislumbre do que o público pode esperar dos próximos lançamentos de Falcão. “A gente tá lançando a música do rato. Eu creio que o gato vai comer o rato”, finalizou.

Superação

Mas quem conhece Falcão pelos memes nem imagina as dificuldades que ele teve de superar até conquistar a fama. Em 2012, passou pelo pior período de sua vida, chegando até a passar fome. Acontece que, após voltar para Bahia, ele decidiu viajar para São Paulo mais uma vez depois que o candidato à prefeitura que ele apoiava perdeu as eleições. Chegando lá, teve que morar de aluguel em uma casa “abandonada”, sendo a única que ele conseguia bancar financeiramente.

Durante um dia de chuva, a casa passou por um alagamento. “Perdi todas as coisinhas que eu tinha. Carregador, geladeira, cama, perdi tudo”, lamentou. O cantor revelou que, durante esse episódio, apenas uma coisa passava por sua cabeça. “Minha filha era pequenininha, fiquei com medo dela morrer afogada”, confessou. Mesmo tendo perdido tudo, ele retornou para sua terra natal, momento em que passou grande aperto. “Morei mais de um ano em Serrinha sem cama, tive que dormir no chão”, afirmou.

*Sob a supervisão do editor Jefferson Domingos

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