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ENTRETENIMENTO - 29/02/2024, 13:13 - Artur Soares*

CineMassa: 'Duna 2' é uma aula de como fazer um épico

Sequência consegue ser ainda mais grandiosa do que a anterior

Sequência tem ritmo mais intenso
Sequência tem ritmo mais intenso |  Foto: Warner Bros. / Divulgação

Quando um filme é muito bom, sua sequência acaba por enfrentar uma enorme expectativa. Todos esperam que o segundo longa seja no mínimo tão bom quanto o primeiro. Depois de conquistar a crítica e o público em 2021, a continuação de Duna não poderia ser nada menos que perfeita. Mesmo tendo que enfrentar um monstro chamado hype, Duna: Parte Dois chega aos cinemas hoje e já com o pé na porta.

Uma das poucas críticas que poderia ser feita à primeira produção diz respeito ao seu ritmo. De fato, o longa de 2021 serve mais como uma introdução ao mundo e personagens. Dessa vez é diferente, a Parte Dois não perde tempo com enrolação. Se antes poderia se argumentar que não havia muita ação, o mesmo não se pode falar agora. Mesmo com quase três horas de duração, a trama consegue prender do início ao fim.

Timothée Chalamet (Paul Atreides) e Zendaya (Chani) estrelam o filme
Timothée Chalamet (Paul Atreides) e Zendaya (Chani) estrelam o filme | Foto: Warner Bros. / Divulgação

A jornada de Paul Atreides é um épico grandioso carregado de simbolismos. O principal paralelo que pode ser feito é com a história de Jesus Cristo, que compartilha muitas semelhanças com a do protagonista. Inicialmente discriminado pelo povo do deserto, Paul embarca numa jornada para se tornar o messias daquela sociedade, descobrindo ser uma espécie de “escolhido”.

A nova obra de Denis Villeneuve fala muito sobre fé. O filme consegue abordar o poder de controle que isso tem sobre o povo, seja positivamente ou negativamente. O longa consegue mostrar como a fé consegue ser o único meio de sobrevivência das pessoas em meio a crises, mas também aborda como o fanatismo religioso pode cegar até o maior dos céticos.

Mesmo sendo excelente em quase tudo que se propõe, a história ainda tem alguns deslizes. Apesar de administrar muito bem o desenvolvimento dos mocinhos, o mesmo não se pode dizer dos vilões. Austin Butler integra o elenco dando vida ao psicótico Feyd-Rautha, que se mostra apenas como uma eterna promessa. Apesar de ser introduzido como uma grande ameaça, Feyd termina a história sem fazer nada.

Duna: Parte Dois faz tudo de bom que o primeiro longa conseguiu, só que ainda melhor. A obra constrói conflitos políticos, desenvolve ainda mais o mundo que foi apresentado em seu antecessor e apresenta cenas de ação grandiosas. Além de ser um espetáculo visual, a sequência consegue ser riquíssima em significado e simbolismo.

O mérito da parte técnica

Se fazer cinema pode ser considerado uma arte, Denis Villeneuve é o Picasso desse século. O diretor entrega outra obra de arte com Duna 2 e fortalece ainda mais seu currículo. Além de Duna, Villeneuve também foi o responsável por obras como Blade Runner 2049, Os Suspeitos, O Homem Duplicado e A Chegada.

Com um histórico vasto, o diretor já mostrou que sabe como conduzir histórias longas de uma maneira que não fique chata. Esse é o caso do novo Duna, que consegue utilizar o tempo de uma forma excelente e não se mostra tedioso. Além disso, também vale destacar a fotografia dessa continuação.

Cada cena consegue mostrar a vastidão daquele planeta desértico, sendo dignas de serem transformadas em quadros. Esse tipo de detalhe é importante não apenas para fazer o filme interessante, mas para instigar o público a querer saber mais sobre aquele universo onde a trama se desenrola.

*Sob a supervisão do editor Jefferson Domingos

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