
Mais de 20 anos após o crime que chocou o Brasil, Suzane von Richthofen, atualmente com 42 anos, revisitou o assassinato dos próprios pais em um documentário ainda inédito. Condenada a 39 anos, pena que cumpre em regime aberto, ela apresentou sua versão para o caso que marcou o país.
Segundo a coluna True Crime, do jornalista Ullisses Campbell, do jornal O Globo, a produção teve apenas uma pré-estreia restrita na Netflix e ainda não tem data de lançamento. Em 2025, Suzane esteve entre as pessoas mais buscadas no Google no Brasil.
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Infância sem afeto e relatos de violência
Suzane descreveu a casa onde cresceu como um ambiente frio, regido por cobranças e quase nenhum carinho. “Eu vivia estudando. Tirava 9 e 10 em tudo. Não tinha demonstração de amor”, afirmou.
Sobre o pai, Manfred von Richthofen, ela garantiu que ele “era zero afeto”. A mãe, Marísia von Richthofen, no entanto, demonstrava carinho “de vez em quando”.
Ela também relatou ter presenciado violência entre os pais: “Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede.”
Segundo ela, o diálogo era inexistente dentro de casa, inclusive sobre temas íntimos. O afastamento cresceu ao longo dos anos, fortalecendo apenas sua relação com o irmão, Andreas von Richthofen: “Era um refúgio nosso”.
Daniel Cravinhos entra na história
Suzane afirmou que o relacionamento com Daniel Cravinhos ocupou o vazio emocional deixado pela família e intensificou os conflitos. “Minha família não era família Doriana. Meus pais construíram um abismo entre nós", declarou.
Ela contou ainda que levava uma vida dupla para manter o namoro: “Eu dizia que ia pro karatê, mas ia pra casa do Daniel.”
De acordo com ela, Daniel a apresentou ao mundo que ela “queria viver”, enquanto a mãe criticava o relacionamento: “Ela dizia que ele ia me puxar pro fundo do poço”.

O plano e a noite do crime
Manfred e Marísia foram assassinados a pauladas em 31 de outubro de 2002. O crime foi planejado por Suzane e executado por Daniel e o irmão dele, Cristian Cravinhos. Ela tentou se afastar da fase de preparação, mas assumiiu responsabilidade: “Eu aceitei. A culpa é minha.”
Sobre a noite do assassinato, Suzane garantiu que não participou diretamente. “Fiquei no sofá, com a mão no ouvido pra não escutar nada. Eu sabia", apontou.
Suzane diz ainda que agiu como “um robô” e reconheceu que, quando percebeu o que havia acontecido, não havia mais retorno.
Contesta depoimentos e mostra a vida atual
Em um dos poucos momentos de confronto no documentário, a delegada Cíntia Tucunduva afirmou que Suzane foi vista em uma festa na casa da família após o crime, de biquíni e bebida na mão. Suzane negou:
“A casa estava com cheiro de sangue. Não tinha condição de fazer festa.”
Com título provisório “Suzane vai falar”, o filme já circula entre fãs de true crime, que publicam trechos nas redes. A produção também mostra a vida atual da condenada, incluindo o relacionamento com o médico Felipe Zecchini Muniz, que conheceu Suzane ao encomendar sandálias customizadas para as filhas pelo Instagram.
