
O Núcleo Rosas Negras de Criação Cênica (@nucleo.rosasnegras) realiza o projeto “Barro Mulher – Poéticas da Travessia | Conexão Portugal 2026”, que promove uma circulação internacional de intercâmbio artístico, cultural e pedagógico, entre Salvador e Portugal, desta quarta-feira (4) até o dia 24 de novembro.
A iniciativa reúne apresentações do espetáculo Barro Mulher – Um Mergulho na Lama da Criação, criado, dirigido e protagonizado pela atriz baiana Fabíola Nansurê (@nansureatriz), além de oficinas, laboratórios cênicos, rodas de conversa e ações de intercâmbio artístico e institucional.
A programação acontece nas cidades de Lisboa, Bragança e Reguengos de Monsaraz, ampliando a presença da produção cênica negra baiana em espaços de criação, formação e cooperação cultural.

Realizado pelo Núcleo Rosas Negras, coletivo baiano dedicado à pesquisa, criação e difusão de poéticas negras nas artes cênicas, o projeto estabelece conexões entre artistas, estudantes, pesquisadores, instituições e comunidades afrodescendentes brasileiras e portuguesas.
A iniciativa articula teatro, dança, música, performance e ancestralidade afro-brasileira, tendo como eixo a valorização das experiências, memórias e estéticas produzidas por corpos negros.
Essa é a segunda circulação internacional realizada pelo coletivo, que em 2024 levou o premiado espetáculo "Rosas Negras” para uma temporada em quatro cidades de Portugal. Antes da partida à Portugal o núcleo realiza uma apresentação do espetáculo Barro Mulher no Ilê Axé Oyá Ladê Inan, em Alagoinhas, espaço de fortalecimento, criação e fruição do coletivo.
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Para Fabíola Nansurê, diretora, dramaturga, preparadora corporal, coreógrafa e atriz, estar em cena com Barro Mulher também representa uma forma de conexão com a ancestralidade.
“Cada vez que eu estou em cena com o espetáculo, é a oportunidade que eu tenho de reverenciar a minha ancestralidade feminina negra, as Iabás, todo o meu povo que veio antes de mim.”
Em Lisboa, nos dias 6 e 7 de novembro, o Núcleo Rosas Negras participa da PT-BR–Mostra de Teatro do Brasil no Chapitô – 3ª Edição, com duas apresentações de Barro Mulher. O coletivo é o único grupo baiano a participar dessa mostra, que é famosa por aproximar artistas e agentes da cena brasileira e portuguesa.
Em Bragança, o projeto realiza ações de intercâmbio acadêmico e institucional com o Instituto Politécnico de Bragança. Já em Reguengos de Monsaraz, em parceria com o Ilé Àṣẹ Ìgbà Mérìndínlógún Òsùn, a programação reúne duas apresentações do espetáculo e atividades formativas.
Entre elas estão os laboratórios “Produção Artística Negra: Criação, Gestão e Internacionalização Cultural”, ministrado por OMINJARÊ; “Corpo-Água: Poéticas do Corpo Negro na Criação Cênica”, conduzido por Fabíola Nansurê; e “Pintando Sentimentos – A Luz EmCena”, ministrado por Nando Zâmbia.

O encontro também contará com rodas de conversa e momentos de partilha cultural com artistas, pesquisadores e a comunidade afrodescendente local. Para Ominjarê, diretor de produção do Núcleo Rosas Negras, a circulação representa um passo importante para ampliar os espaços de apresentação do trabalho desenvolvido na Bahia e fortalecer a trajetória do coletivo.
“É muito importante levarmos esse teatro que a gente produz, concebe e apresenta aqui na Bahia a outros espaços, afinal, trata-se da poética do teatro preto, de candomblé. Esse projeto também marca uma virada muito importante no nosso formato de produção, que é uma retomada na abertura de portas da cena baiana em Portugal”.
A presença do coletivo baiano na Europa também busca criar uma rede permanente de cooperação cultural entre Bahia e Portugal, propondo projetos para circulação de artistas e grupos baianos. A programação institucional prevê reuniões entre o Núcleo Rosas Negras, a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança, a Câmara Municipal de Bragança e o Teatro Municipal de Bragança para a articulação do Festival Internacional A Cena Baiana em Portugal, previsto para 2027.
O projeto “Barro Mulher – Poéticas da Travessia | Conexão Portugal 2026” tem apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda e foi contemplado pelo edital Salvador Circula, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Ministério da Cultura, Governo Federal.
Sobre o Núcleo Rosas Negras
O Núcleo Rosas Negras de Criação Cênica é um coletivo artístico baiano constituído em 2024, formado por três artistas negros com trajetória conjunta iniciada em 2016, a partir da produção do Festival Semana da Dança de Alagoinhas, e fortalecida em 2017 com a criação e estreia do espetáculo Rosas Negras.
O coletivo desenvolve obras e ações que articulam teatro, dança, música, performance e ancestralidade afro-brasileira, construindo uma linguagem marcada pelo Teatro Negro Ritual e pelas cosmologias de matriz africana. Atua nos campos da criação, formação e difusão cultural, abordando questões de raça, gênero, identidade e memória.
Integram o Núcleo Fabíola Nansurê, diretora, dramaturga, preparadora corporal, coreógrafa e atriz; OMINJARÊ, responsável pela direção de produção e articulação dos processos de pesquisa e criação cênica; e Katson Freitas, ator, bailarino e pesquisador das artes da cena.

