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Crítica cirúrgica - 06/08/2026, 07:00

Novo terror faz crítica à febre das canetinhas emagrecedoras

Novo terror usa a obsessão pelo emagrecimento e os padrões de beleza para construir uma história perturbadora

Artur Soares
Artur Soares
Insaciável estreou nas telonas nesta quarta-feira (5)
Insaciável estreou nas telonas nesta quarta-feira (5) |  Foto: Reprodução

Em meio à onda do Ozempic e Mounjaro, a busca pelo emagrecimento se tornou ainda mais recheada de polêmicas. Mesmo sem acompanhamento profissional, pessoas começaram a utilizar diferentes tipos de medicamentos para conseguir perder uns quilinhos. Coincidência ou não, a moda parece ter chegado também aos cinemas. Insaciável, que estreia hoje nas telonas, aborda os perigos por trás desses “atalhos” para emagrecer.

O filme acompanha a história de Hana, uma estudante de medicina que sofre de inseguranças com o próprio corpo. Por influência de uma amiga, ela decide tomar pílulas feitas com cinzas humanas. Mesmo sendo bizarro, o medicamento realmente é eficiente, fazendo ela parar de sentir vontade de comer. Entretanto, como efeito colateral, a protagonista começa a ser assombrada pela pessoa que ela está utilizando como matéria prima para o remédio.

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Mesmo com uma premissa simples, o roteiro se destaca pelas provocações que carrega. O longa levanta diversos debates sobre a crise dos padrões de beleza e como eles são responsáveis por adoecer as pessoas. Além disso, também existe um óbvio comentário à popularização do uso de medicamentos para emagrecer. A obra usa esses temas de nossa realidade para construir a atmosfera de seu terror.

Apesar da pouca experiência, Natalie Erika James se mostra, mais uma vez, talentosa quando o assunto é terror. Cada cena é carregada de tensão e a cineasta conduz o filme sem abusar dos clichês do gênero. Em Insaciável, o sobrenatural causa um extremo desconforto. As aparições do espírito são imprevisíveis, despertando um misto de medo, aflição e nojo no público.

A atriz Midori Francis, que vive Hana, carrega boa parte do filme sozinha. Os momentos chaves, em sua maioria, são apenas com Midori e o fantasma, o que exige que a protagonista entregue uma atuação digna de sustentar a cena. Danielle Macdonald, que interpreta a amiga da protagonista, também merece elogios. Driblando o pouco tempo de tela, Danielle é dona de uma performance cheia de carisma.

Insaciável é um terror que se enriquece com seus comentários sociais. O longa equilibra bem as críticas a essa busca exagerada pelo emagrecimento com cenas de arrepiar.

A Substância é inspiração?

Como Insaciável é um filme de horror que critica abertamente os padrões de beleza, é quase impossível não lembrar de A Substância. A forma como ambos os longas tecem esses comentários também são bem parecidas, trazendo um foco maior para o corpo de ambas as protagonistas. As semelhanças não param por aí, se estendendo também ao terror das duas obras. Os dois filmes podem ser consideradas body horror, subgênero que foca em modificações e mutilações do corpo humano.

Outro ponto que deve ser destacado é o papel que as cenas envolvendo comida desempenham em cada produção. Assim como A Substância, o novo Insaciável também grava os alimentos de forma grotesca, como se estivesse simulando o olhar que a protagonista tem diante das próprias refeições. Para quem curtiu o filme de 2024, também deve gostar do lançamento deste ano.

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