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Impactante - 28/07/2026, 22:30

Curta lança olhar potente sobre a comunidade trans do Gravatá

Curta dirigido por Xan Marçall reúne relatos de três travestis da comunidade do Gravatá

Documentário estreia nesta terça-feira (29)
Documentário estreia nesta terça-feira (29) |  Foto: Divulgação

As histórias de quem ajudou a construir a memória do Centro Histórico de Salvador ganhou as telas nesta terça-feira (29), com o lançamento do documentário "Água da Fonte". Dirigido pela cineasta, antropóloga e arte-educadora Xan Marçall, o curta-metragem apresenta as vivências de três travestis da comunidade do Gravatá e propõe uma reflexão sobre memória, ancestralidade e resistência.

A estreia aconteceu às 15h, na Sala Walter da Silveira, na capital baiana. A entrada é gratuita e, após a exibição, o público poderá participar de um bate-papo com a equipe do filme.

Histórias de quem resistiu

Com 16 minutos de duração, o documentário acompanha Dhella Dhellamares, Karla Zandh e Keila Simpson, que compartilham suas trajetórias e lembranças sobre as transformações vividas na comunidade do Gravatá ao longo dos anos.

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Conhecida por ter sido um espaço de acolhimento para pessoas trans e travestis, a região também se tornou símbolo de resistência diante da exclusão social. A produção busca mostrar a história de Salvador sob o olhar de quem permaneceu no território e ajudou a preservar sua memória.

Fonte do Gravatá também ganha destaque

Além das histórias das protagonistas, o filme volta os holofotes para a Fonte do Gravatá, um dos antigos fontanários responsáveis pelo abastecimento de Salvador durante séculos.

Hoje, o monumento enfrenta problemas de abandono e falta de conservação. No documentário, a água que continua brotando da fonte simboliza a permanência das memórias e das histórias que resistem ao tempo.

Segundo a diretora Xan Marçall, a obra também dialoga com a forte relação entre a cidade, as águas e as tradições de matriz africana, destacando a ligação da fonte com a orixá Nanã e levantando debates sobre preservação do patrimônio e ancestralidade.

Filme nasceu da convivência com a comunidade

A ideia de produzir "Água da Fonte" surgiu durante o mestrado de Xan Marçall em Antropologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA). A diretora viveu cerca de dois anos na comunidade do Gravatá, onde aprofundou a pesquisa sobre o território e criou laços com as mulheres trans e travestis retratadas no filme.

Curta reúne três relatos de mulheres trans
Curta reúne três relatos de mulheres trans | Foto: Divulgação

"Retratar mulheres trans e travestis do Centro Histórico de Salvador era um desejo antigo. Foi na convivência com a comunidade do Gravatá que reconheci naquele território um espaço de pertencimento, acolhimento e respeito", afirmou a diretora.

A produção foi viabilizada com incentivo da Fundação Gregório de Mattos, por meio do projeto Boca de Brasa, após a participação da cineasta no LabDoc – Laboratório de Formação de Documentaristas, realizado em parceria com o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB).

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