Motoristas de apps fazem protesto em Salvador contra projeto de lei

Trabalhadores ocuparam o Centro Administrativo da Bahia nesta terça-feira (14)

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AGORA EM SALVADOR - 14/04/2026, 09:46 - Bruno Dias e Pedro Moraes- Atualizado em 14/04/2026, 14:25

Os motoristas e entregadores por aplicativo foram às ruas de todo o Brasil nesta terça-feira (14), em ato por melhorias nas condições de trabalho. Em Salvador, a mobilização se concentrou no Centro Administrativo da Bahia (CAB). O MASSA! acompanhou o protesto contra a PLP 152/2025 e ouviu relatos de profissionais.

Com seis anos de atuação, Adriano Santos, conhecido como “Uber do Negão”, explica que a motivação é lutar contra o relatório final, e não contra o governo ou regulamentação da categoria.

“Só beneficia a plataforma de aplicativo. O que a gente almeja nesse momento é que sejam retirados os pontos que prejudicam o motorista. É uma paralisação ordeira, sem nenhum tipo de prejuízo e danos à sociedade”, menciona.

Aspas

Temos uma despesa muito grande com financiamento de carro, combustível com preços abusivos, as tarifas horríveis, a cobrança do passageiro e repassa pouco para o motorista

Para ele, corridas nos valores de R$ 100, por exemplo, chegam aos motoristas em fatias abaixo de 50%, em valores como R$ 45. Na concepção de Adriano, não há justificativa plausível, pois as plataformas não têm despesa com financiamentos e manutenções dos veículos, internet e outros fatos.

‘É um prejuízo que se calcular, inviabiliza totalmente o serviço para o motorista pelo aplicativo, é um absurdo. Este relatório vai de uma certa forma escravizar o motorista do aplicativo legalmente”, rebate.

Adriano atua na carreira há seis anos
Adriano atua na carreira há seis anos | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

Manifestação

Com largada no CAB, o protesto deve seguir pelas ruas da capital baiana até a região do Shopping da Bahia. De acordo com apuração do MASSA!, a ideia dos manifestantes é "travar o trânsito", o que foi sinalizado pelas lideranças dos grupos participantes.

"Seguiremos até o Shopping da Bahia, lá iremos travar o trânsito. Essa é a orientação das lideranças", menciona Igor Cirne, motorista há cerca de 5 anos.

Para gerir possíveis transtornos, o policiamento já foi reforçado na região. Em contato com a reportagem, agentes das forças de segurança relataram que, parte deles, tiveram que deixar outras ocorrências para acompanhar a manifestação. Estiveram no local viaturas da 81ª CIPM, BPatamo, Apollo, e Rondesp.

Viaturas da 81ª CIPM, BPatamo, Apollo, Rondesp
Viaturas da 81ª CIPM, BPatamo, Apollo, Rondesp | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

Vai pesar no bolso

Além da mobilização, o que emperra a vida dos condutores é o valor perdido como diária. As horas usadas na manifestação fazem esses indivíduos deixarem de ganhar até R$ 400, por conta da manifestação.

"É por uma boa causa, contra esse projeto de lei que eu apelido de projeto do desemprego e da fome, que muitos motoristas, principalmente os que têm carro alugados, vão ter que entregar seus carros. Não tem condição nenhuma de permanecer trabalhando como motorista por aplicativo. É um absurdo o que estão fazendo com a nossa categoria", desabafa.

Os relatos dos envolvidos indicam que o "corre" feito por até 12 horas diárias alcança até R$ 600.

"É uma média que o motorista hoje ganha. E eles reduziram a nossa hora para 14,75. Se basearam em dois salários mínimos. Isso não paga quem tem carro alugado, não paga praticamente o aluguel do carro. O trabalhador vai passar fome?", questiona.

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