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Campo Minado! - 26/10/2022, 06:05 - Louise Batista - Atualizado em 27/10/2022, 11:28

Tampões de canal em decadência preocupam moradores do Uruguai

De acordo com moradores, os reparos feitos pela prefeitura não teriam sido suficientes para resolver o problema da estrutura.

Apesar da área isolada, qualquer um pode tirar essa proteção.
Apesar da área isolada, qualquer um pode tirar essa proteção. |  Foto: Raphael Muller/ Ag. A Tarde

Por Amanda Souza

Imagine você estar andando na sua vizinhança, junto a sua família, e o chão ceder abaixo dos seus pés. Num local comum de circulação, que é o seu caminho normal do dia a dia. Parece história, mas é real. O incidente aconteceu no bairro do Uruguai, em Salvador, com uma criança de apenas 11 anos. A vala, coberta por placas de concreto, fica na Rua Bate Estaca e teria sido reformada há pouco tempo pela Prefeitura de Salvador, mas isso não foi capaz de evitar o desabamento.

De acordo com moradores, os reparos feitos pela prefeitura não teriam sido suficientes para resolver o problema da estrutura. Expostas à intensa movimentação diária, já que fazem parte do trajeto de pedestres que caminham por ali, as tampas que apresentavam rachaduras teriam sido cobertas com cimento. “É uma maquiagem o que eles fizeram aí. Vieram, pintaram as faixas para parecer novo, mas não é”, comenta Robson Luís, padrasto da garota que caiu na noite da última segunda-feira.

O local é uma espécie de calçada entre as duas pistas de ida e vinda de carros, ou seja, é usada para passagem de pessoas, o que gerou preocupação nos moradores da ocorrência de novos acidentes. “Domingo agora é dia de eleição, dia que movimenta bastante a cidade toda. Aqui tem escolas, imagine a quantidade de gente que vai passar por aqui, vai ser um carnaval nesse local arriscado”, ressalta o padrasto sobre o local, que ainda segue isolado com tapumes e não foi feito o conserto.

Anna Luyza andava pelo bairro acompanhada da mãe, do padrasto e de um outro familiar quando caiu na vala. A mãe da garota, Dayana Hosana, conta que ela e os demais conseguiram perceber o chão trepidar, mas não deu tempo de puxar Anna. “Foi um desespero, um susto, tudo muito rápido. E eu só imaginava o pior naquela hora”, conta a mãe. A criança foi salva pelo padrasto, que junto com um primo prontamente pulou na vala para resgatar a menina. “Perdi meu celular quando caí na água, ela perdeu o tablet, mas graças a Deus está bem”, conta Robson. Apesar do susto, Anna Luyza foi levada ao médico após o acidente e está bem, teve apenas um arranhão na perna.

O arranhão causado na perna de Anna Luyza após a queda
O arranhão causado na perna de Anna Luyza após a queda | Foto: Divulgação Leitor

Dayana conta que, além dos familiares, a população que estava presente também se mobilizou para o resgate. Além de ajudar a tirar Anna Luyza do canal, os vizinhos também se preocuparam em acudir a mãe, que chegou a desmaiar na hora do incidente. “Foi a mão de Deus e das pessoas aqui que salvaram a minha filha. Uma vizinha logo abriu as portas, levou ela pra tomar um banho”, lembra a mãe. Passado o incidente, o que ficou foi o trauma. Dayana conta que a filha não quer passar mais pelo local e que, assim como a filha, ela também está com medo.

O sentimento se espalha pela vizinhança, já que essa não é a primeira vez que o tampão cede. Reginaldo Bonfim, líder comunitário da região, comenta o problema. “A cidade em geral sofre um problema muito grave de manutenção”, diz. “A prefeitura não tem uma fiscalização preventiva, não passa verificando essas coisas. Essa não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira e nem a quarta vez que essas tampas, que são de concreto armado, partirem e pessoas caíram. Se não tiver pessoas que socorram de imediato, a pessoa vai ser levada, se afogar e morrer”, ressalta a liderança.

Por ser uma região de muita movimentação de pedestres, há uma grande preocupação por parte da população para o que possa vir a acontecer. “Diferente do que disseram, não houve uma festa paredão. A festa que teve foi bem mais lá na frente, não tinha excesso de pessoas aqui pra derrubar a tampa”, esclarece Robson. “Assim como foi com ela, podia ser um idoso, uma mulher grávida ou com uma criança de colo, qualquer pessoa que estivesse passando no lugar”.

Por ser uma região de muita movimentação de pedestres, há uma grande preocupação por parte da população para o que possa vir a acontecer.
Por ser uma região de muita movimentação de pedestres, há uma grande preocupação por parte da população para o que possa vir a acontecer. | Foto: Raphael Muller/ Ag. A Tarde

Família reclama de falta de amparo do poder público

A família conta que um assessor da prefeitura esteve no local ainda na noite do acidente, mas apontam que não tiveram o acolhimento e atenção que esperavam do poder público após a ocorrência. “A gente gostaria que eles tivessem pensando nela, que se preocupassem em saber, e se necessário arcar, com as despesas médicas que a gente teve. Ela ficou com o psicológico abalado, seria importante levar ela num psicólogo”, desabafa a mãe. “Além dos bens materiais que eles perderam na queda. Eles não entraram em contato com a gente pra nada”. “Eles não deram atenção que a situação merecia, não mostraram que estavam juntos com a gente para o que desse e viesse. Fora o conserto, que já era pra ter sido feito no dia seguinte. Tá aí a área isolada, mas qualquer um pode tirar essa proteção e o buraco ficar exposto”, aponta Robson.

O Massa! entrou em contato com a Prefeitura de Salvador para saber quais medidas serão adotadas para evitar que acidentes como esse voltem a acontecer, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

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