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Super El Niño desafia sistema de abastecimento de água em toda a Bahia

Embasa acelera construção de barragens e perfurações de poços para aumentar a produção de água, priorizando o abastecimento humano

Da Redação
Da Redação
Embasa já está se preparando para o super El Niño
Embasa já está se preparando para o super El Niño |  Foto: Divulgação/Embasa

Novas barragens, perfuração de 43 novos poços, mudança de pontos de captação de águas em rios perenes, intensificação de fiscalização para combater perdas e fraudes, revisão no volume de outorgas, implantação de novo sistema de monitoramento meteorológico e antecipação de credenciamento de corras-pipa. Estas são algumas das ações já em adotadas pela Embasa para enfrentar aquele que pode ser o maior El Niño de todos os tempos. O objetivo é aumentar a produção de água para sistemas mais críticos e garantir a continuidade do fornecimento, priorizando o abastecimento humano.

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que traz consequências para todo o mundo. No caso da Bahia, as previsões indicam a possibilidade de temperatura acima da média histórica nos próximos meses. “O calor causa um impacto imediato sobre os sistemas de abastecimento de água, já que o consumo tende a aumentar muito; ao mesmo tempo, pode causar estiagens prolongadas, retardando o início do período chuvoso”, afirma a diretora de Operações da Embasa, Joana Rolemberg. “Esses dois fatores juntos, aumento do consumo pelo calor e queda do nível dos mananciais pela falta de chuva, criam um desafio para a operação dos sistemas de abastecimento de água.”

O impacto mais grave, segundo a diretora, se dará nas regiões que naturalmente já apresentam menor disponibilidade hídrica, como o semiárido, que abrange cerca de 70% do território baiano. “O período de recarga dos principais mananciais que atendem essa região ocorre entre dezembro e abril”, explica a diretora. “A Embasa está monitorando atentamente essas bacias hidrográficas e, ao mesmo tempo, adotando medidas emergenciais para garantir a continuidade do fornecimento nesse cenário”.

Joana Rolemberg, diretora de Operações da Embasa
Joana Rolemberg, diretora de Operações da Embasa | Foto: Divulgação/Embasa

De fato, não faltam motivos para preocupação. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) divulgou nova atualização sobre o El Niño. Datado de 15 de outubro, o documento aponta que o fenômeno climático deve ganhar ainda mais força nos próximos meses. A previsão aponta que o pico de intensidade do El Niño deve ocorrer entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Os modelos climáticos utilizados indicam temperaturas do Oceano Pacífico entre 3°C e 3,5°C acima da média, condição que caracteriza um episódio de “intensidade excepcional”.

Iniciativas

Desde que a ocorrência de um Super El Niño passou a ser admitida pela comunidade científica global que a Embasa vem fortalecendo iniciativas que diminuam o impacto do fenômeno no Estado. Neste ano, a empresa já perfurou 16 poços e planeja mais 27 até o fim de dezembro. O objetivo é ampliar a produção de água para os sistemas mais críticos.

Segundo a Embasa, obras em andamento, como a barragem do Catolé, que vai ampliar a oferta de água em Vitória da Conquista, estão sendo aceleradas. Além disso, a empresa informa que vai implantar barramentos de menor porte em caráter emergencial e estuda a mudança de alguns pontos de captação em rios temporários e perenes, garantindo a continuidade do fornecimento. A medida é necessária porque, mesmo no caso do Rio São Francisco, a alta temperatura e a mudança no padrão de evaporação podem dificultar a captação da água, pelo surgimento de bancos de areia e outras modificações no leito do rio.

O combate a perdas e fraudes foi intensificado para identificar e corrigir vazamentos rapidamente, com implantação de sistemas automatizados de monitoramento das pressões na rede distribuidora. As ações contra desvios clandestinos em grandes adutoras estão sendo feitas em conjunto com a polícia, especialmente para coibir furto de água para outros usos que não o abastecimento humano.

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A empresa está promovendo, ainda, credenciamento antecipado de empresas de carro-pipa para rápido acionamento em casos de necessidade. Por causa da prioridade de abastecimento humano, a Embasa também está solicitando ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) a revisão no volume de outorgas e combate às captações clandestinas.

Por fim, está em fase de contratação um novo sistema de monitoramento climático capaz de emitir alertas sobre precipitação e situação de seca e de calcular a autonomia dos reservatórios nas áreas de mananciais utilizados pela Embasa.

Embasa está realizando o monitoramento climático
Embasa está realizando o monitoramento climático | Foto: Divulgação/Embasa

Estrutura

Joana Rolemberg observa que, se não fossem as ações estruturantes da Embasa, algumas regiões do estado estariam em situação ainda mais difícil diante de um fenômeno de alcance mundial como o El Niño. Um exemplo, aponta, é Uauá, município inserido no chamado polígono das secas, no sertão norte baiano. “Recentemente, a Embasa entregou uma nova adutora, de 40 quilômetros de extensão, levando água a partir do sistema de Canudos; a obra, que custou cerca de R$ 40 milhões, dobrou o volume de água disponível no sistema de Uauá, garantindo a segurança hídrica do município nesse período de estiagem prolongada”, explica.

O litoral da Bahia também vem recebendo ações da companhia. A fase mais crítica do El Niño deve coincidir com a alta temporada turística. “Todo ano, a Embasa faz um trabalho preventivo, de revisão de estruturas e preparação de sistemas para a sobrecarga do verão e, com o El Niño, estamos reforçando essas medidas; por exemplo, perfurando poços para complementar a oferta de sistemas que terão acréscimo na demanda, como nos sistemas Machadinho Sul, Machadinho Norte e Canto dos Pássaros, situados em Camaçari, que atendem diversas localidades do Litoral Norte, temos, também, uma obra em andamento no sistema da ilha de Itaparica, além de intervenções operacionais em diversos sistemas”, afirma.

Clientes residenciais e empresariais podem ajudar no combate aos efeitos do El Niño

A população também pode se precaver do Super El Niño, ajudando a preservar a água e garantir o bom funcionamento do sistema. No caso dos grandes centros urbanos, o aumento do calor faz com que milhões de pessoas elevem seu consumo de água simultaneamente, o que retira grandes volumes de água da rede distribuidora ao mesmo tempo, provocando uma sobrecarga e reduzindo as pressões.

As principais orientações da Embasa são consciência e bom senso, pois o combate ao desperdício é fundamental. “Todo mundo sente vontade de usar mais água no calor, mas é preciso fazer um uso inteligente dessa água”, destaca a diretora de Operações da Embasa, Joana Rolemberg. “Vamos prestar atenção no tempo do banho, fechar a torneira ao lavar pratos ou escovar os dentes, usar vassoura para limpar calçada e balde para lavar o carro. Parece algo pequeno, mas quando isso se multiplica por milhões de pessoas, faz uma diferença real; é importante usar a água com sabedoria, para preservar ao máximo o volume armazenado nos mananciais, caso a estiagem realmente se prolongue a ponto de reduzir muito a água disponível para os sistemas de abastecimento.”

Outra ação considerada importante é a instalação de caixa d’água para manter o imóvel abastecido quando ocorrer momentos de menor pressão nas redes da companhia. O equipamento deve ser compatível com a quantidade de moradores. “No caso de imóveis com mais de um pavimento, é preciso ter reservatório inferior com bomba para elevar a água, porque, mesmo com menor pressão, a água consegue chegar nesse reservatório inferior, e a bomba eleva a água até o superior para conseguir abastecer os demais andares”, explica Joana.

Essas mesmas recomendações valem para consumidores empresariais. “Com maior ênfase no reservatório do imóvel, que deve ter tamanho compatível com o consumo da empresa na alta estação; a empresa, claro, deve adotar as medidas de limpeza desse reservatório e a revisão das instalações hidráulicas internas, para garantir um verão mais tranquilo para todos”, completa a diretora.

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