
Por muitos anos, a experiência de viver um intercâmbio — imersão cultural e educacional em que uma pessoa viaja para outro país para estudar, trabalhar ou viver temporariamente — era acessível apenas para pessoas de classe alta. Mas esse cenário mudou. Hoje, a realidade é outra, as oportunidades aumentaram e públicos com renda mais baixa também conseguem desfrutar dessa experiência.
O primeiro passo é acreditar. Ter certeza do que se quer e entender que é possível, sim, concretizar esse sonho. Procurar agências de intercâmbio conhecidas e confiáveis no mercado também é uma iniciativa indispensável. A partir desse contato, é possível entender melhor como funciona o processo, quais são os destinos mais vantajosos e quais opções cabem no bolso. Porém, conforme pontuou Fabiana Raucci, diretora da Connect English, a realização desse sonho está diretamente ligada ao planejamento e à organização financeira.
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“É tudo uma questão de planejamento. A gente recebe alunos e famílias programando viagem com dois, três anos de antecedência. Pensando no custo da viagem em si, San Diego, que é um destino com clima muito bom, muita atividade ao ar livre, natureza e esporte, tem um ótimo custo-benefício. Há muitas alternativas de hospedagem, como residências compartilhadas e casas de família. É super possível”, afirmou Fabiana ao ser questionada sobre o que pessoas fora da classe média podem fazer para alcançar essa meta de aprendizado e vivência internacional.
“Quando faz essas reservas com antecedência, muitas vezes consegue melhores preços, descontos e ainda escolhe uma cidade onde, por exemplo, não neva e nem faz calor excessivo. San Diego é um lugar muito voltado para atividades ao ar livre, então grande parte do tempo o aluno está fazendo coisas gratuitas. Esse planejamento financeiro é muito importante”, completou.

A estudante Dandara Jesus da Silva, de 19 anos, mora em Salvador, mas há uma semana está vivendo a experiência de fazer um intercâmbio de inglês e turismo na África do Sul. Em conversa com o MASSA!, ela contou como tem sido realizar esse sonho.
“Foi muito mais difícil deixar a família para trás. Mas, quando cheguei aqui, fiquei pensando que meses atrás eu só idealizava estar aqui e agora estou vivendo isso. Parece algo irreal, como se eu estivesse sonhando. No começo me senti sozinha, mas depois pessoas incríveis começaram a surgir no caminho”, relatou.
As cidades de Madri, Barcelona, Salamanca, Sevilha e Granada também estão entre os destinos mais procurados por quem deseja aprender um novo idioma. Segundo Renata Barbalho, CEO da Espanha Fácil, apesar de exigir investimento, o intercâmbio está muito mais acessível atualmente.
“Intercâmbio exige investimento e planejamento financeiro, mas hoje está muito mais acessível do que há alguns anos. Muita gente ainda imagina que estudar fora é algo impossível, mas existem estratégias que tornam esse sonho mais viável, como escolher cidades mais baratas, dividir acomodação, fazer cursos de duração estratégica, planejar a viagem com antecedência e pesquisar instituições com melhor custo-benefício”, explicou.
Antes de decidir ir para a África do Sul, Dandara pesquisou outros destinos. No entanto, por questões de logística e custo-benefício, acabou escolhendo o país africano, decisão da qual não se arrepende.
“É um país que não exige tanto. É possível ficar até 90 dias sem visto, e isso foi uma preocupação a menos. Foi um dos motivos pelos quais escolhi vir para cá. Confesso que, inicialmente, não era um país que eu sempre quis conhecer. A vontade foi surgindo depois. Primeiro eu queria ir para o Canadá, mas tinha a questão do visto e era complicado. Depois pensei na Inglaterra, mas era muito caro. Está sendo incrível. É um lugar com uma cultura absurda”, concluiu.

