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Incêndio -

Sobrecarga na rede elétrica gera graves acidentes

Dados da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade mostram Salvador no topo

Silvânia Nascimento
Silvânia Nascimento
Tês e extensões estão entre os principais causadores de tragédias
Tês e extensões estão entre os principais causadores de tragédias |  Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Salvador lidera o ranking das cidades da Bahia com maior número de incêndios causados por sobrecarga na rede elétrica de imóveis, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel).

A estatística computada pela associação mostra que, entre 2020 e 2025, a capital baiana registrou 60 acidentes dessa modalidade, seguida de Feira de Santana, com 11, Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus (9 cada). Completam o quinteto, as cidades de Vitória da Conquista (8) e Camaçari (6). Os números, entretanto, são referentes à quantidade de acidentes e não de mortes.

O uso excessivo de "benjamins", mais conhecidos como (Tês), e extensões ligados na mesma tomada, está entre as principais causas dessas tragédias. Quem apresenta mais esclarecimentos sobre o assunto é o engenheiro eletricista e professor de Engenharia Elétrica da Unifacs, José Luís Raposo.

“Usar vários equipamentos ligados em um mesmo ponto de tomada pode provocar uma sobrecarga no circuito, podendo levar ao aquecimento excessivo da fiação e até causar incêndios devido a uma corrente elétrica superior à capacidade da fiação. Então, é uma coisa que deve ser evitada, e não se deve usar esses componentes que a gente chama de benjamins. Sem contar que a manipulação desse dispositivo na tomada e o ato de ligar vários equipamentos pode também causar um choque elétrico em quem está manuseando”, alertou o especialista, destacando, em seguida, sobre a necessidade de manutenções.

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“Através da manutenção podemos observar, por exemplo, pontos da instalação que estão com falha na isolação, com partes condutoras, que são aquelas partes que causam choque”, completou.

Prática comum na rotina de muitas pessoas, usar o notebook conectado ao carregador também demanda atenção e cuidado, inclusive com possíveis fatores externos.

”É possível trabalhar com o aparelho conectado, por exemplo, um computador, estando ligado na rede elétrica. Tecnicamente não tem problema. A questão é, na ocorrência de uma descarga externa, rede elétrica externa à sua residência, seu prédio, essa descarga pode atingir a parte interna. Naquele momento, o equipamento, vamos dizer assim, está fazendo parte da instalação, e se estiver manuseando aquele equipamento, pode ser afetado por isso. Então, o correto é utilizar o equipamento carregado e desligado da rede elétrica”, recomendou o professor José Luís.

O especialista acrescenta que as chances para acidentes elétricos, principalmente em ambientes domésticos, podem se tornar ainda maiores caso envolva alguns itens. “Esse risco de ligar vários equipamentos no mesmo ponto aumenta quando liga equipamentos que consomem mais corrente, por exemplo, geladeira, forno micro-ondas e máquina de lavar, porque são alguns dos equipamentos que já consomem um valor de corrente maior. Então, agrava e aumenta o risco quando liga esses equipamentos em uma única tomada”.

O perigo também pode estar na palma da mão! É o caso dos aparelhos celulares que, em questão de segundos, pode sair do papel de distração para vilão. “O uso do celular conectado na instalação, principalmente com tempo chuvoso, em um tempo em que as condições atmosféricas não estão boas, tem um certo risco porque pode haver uma descarga através da sua instalação. Se a pessoa estiver manuseando o celular naquele momento, ela pode ser atingida. Não é um fato, vamos dizer assim, corriqueiro, mas esse risco existe”.

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