
Se de um lado há centenas de pessoas que não abrem mão de preparar o próprio ‘banquete’ para a Sexta-Feira Santa, do outro, também há um grupo que dispensa o trabalho de ir para a cozinha e opta por comprar e receber tudo pronto.
É esse segundo grupo, inclusive, que ajuda a alavancar as vendas de espaços que aproveitam o período da Páscoa para intensificar a comercialização da tradicional comida baiana e, consequentemente, fazer o negócio rodar.
Aos 27 anos, Carlos Antonyo gerencia o seu próprio empreendimento. Ele, que é dono do restaurante Dendêlirando, conta que, embora não tenha estrutura física, a procura durante a Semana Santa supera qualquer outro período festivo.
“Nosso restaurante tem seis aninhos. Antes da pandemia tínhamos espaço físico, mas veio o ataque da Covid e tivemos que fechar, então criamos o nosso próprio delivery. Com isso, ficamos bastante conhecidos em Salvador, fomos ganhando a clientela, fidelizamos e, normalmente, todos os anos as mesmas pessoas fazem encomendas para a Sexta Santa”, disse em entrevista ao MASSA! ao ser questionado sobre os primeiros passos do negócio.
“Nesse período a procura aumenta porque muitas pessoas não gostam de sair para restaurantes, pegar fila ou ter o trabalho de preparar a comida. Todos os alimentos são frescos. A gente, praticamente, nem dorme. Vamos para a cozinha por volta de 1h da madrugada. Eu também preciso aumentar a equipe, tanto de motoboys quanto da produção. Na produção, nos dias comuns, são quatro pessoas, mas na Sexta-Feira Santa preciso de mais quatro. Eu trabalho com dois motoboys, porém, na Semana Santa tenho que trabalhar com 10 a 15, porque fazemos entregas em Salvador e Lauro de Freitas”, relatou.

Diferente de Carlos, pela primeira vez, Victor Lemos, dono do restaurante Tempero do Carbora, localizado no bairro da Saúde, em Salvador, vai comercializar comida baiana na Sexta Santa.
“Esse será meu primeiro ano porque geralmente eu fico com a família, mas a procura nos dois últimos anos foi muito grande. Então, este ano decidi vender na sexta-feira e vou inovar com algumas opções no cardápio que não são tão comuns, como a proteína miraguaia, que é um tipo de peixe salgado; também vou vender feijão de leite. O comércio é muito disputado e exige que a gente faça coisas diferentes para atrair mais clientes”, revelou.
Quentinha para todos os gostos
Por ser o primeiro ano de Victor, ele optou por vender apenas na ‘modalidade’ de quentinhas.
“A partir de hoje começo os preparativos. Vou fazer mais compras e, quando chegar, já vou cortar os quiabos. Não vou trabalhar com porções porque é o meu primeiro ano; vou vender as quentinhas. Os valores variam de R$ 25 a R$ 80, a depender se o cliente vai querer PF, prato executivo ou comercial. A partir das 10h30 já estaremos com o restaurante aberto para poder tentar atender o máximo de pessoas possível. Os clientes têm a opção de consumir no local ou pedir para entregar. Nesse caso, ele chama o Moto Uber, eu embalo e libero a entrega”, detalhou.

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O útil ao agradável
Esse tipo de venda proporciona facilidade para quem quer otimizar o tempo e encontrar a comida pronta, porém, também gera bons frutos aos empreendedores, sobretudo no que diz respeito ao retorno financeiro.
“É uma renda considerável. Não trabalhamos com quentinha, trabalhamos com combos. O combo número 1 — para duas pessoas — é formado por moqueca de camarão, vatapá, caruru, feijão-fradinho, arroz e banana frita. Ele custa R$ 200. Também tem a possibilidade de a pessoa montar seu próprio kit; nesse caso, ela escolhe os acompanhamentos. Temos opções de moquecas a partir de R$ 80”, disse Carlos.
