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Correria, pai! - 02/04/2025, 06:00 - Luan Vitor*

Salvador que madruga: veja histórias de quem acorda cedinho para garantir o pão de cada dia

Principal meio de transporte da capital baiana, metrô transporta cerca de 22 mil pessoas na primeira hora de funcionamento

Vânia Maria, moradora do bairro de Marechal Rondon, acorda 3h30 para trabalhar
Vânia Maria, moradora do bairro de Marechal Rondon, acorda 3h30 para trabalhar |  Foto: Olga Leiria / Ag. A TARDE

São 3h30 da madrugada e o despertador da vendedora de frutas Vânia Maria, moradora de Marechal Rondon, em Salvador, anuncia que é hora dela pular da cama. Depois de um banho para terminar de rebater o sono, a guerreira se ajeita e chama um táxi até a Feira de São Joaquim, onde pega sua mercadoria e se dirige até a Lapa. Por volta das 5h da manhã, dona Vânia dá início às suas 11 horas de trabalho.

"Levo, mais ou menos, 45 minutos, uma hora, pra chegar aqui. Fico até 18h, 18h30", detalhou a vendedora ambulante.

Como ela, muitos outros trabalhadores de Salvador iniciam o seu dia de trabalho já na madrugada. Diferentemente da fala xenofóbica de João Otávio de Noronha, ministro do Superior Tribunal de Justiça, que fez uma piada de mau gosto, dizendo que baianos são lentos, a correria do povo de Salvador é grande e começa bem cedinho.

E para que isso seja possível, alguns profissionais iniciam seus serviços ainda na noite anterior, como os funcionários da CCR Metrô Bahia. O modal inicia a operação às 5h e a empresa estima que, entre 5h e 6h da manhã, cerca de 22 mil passageiros utilizam o transporte.

O trabalho de Bruno garante que outras pessoas possam realizar os seus afazeres
O trabalho de Bruno garante que outras pessoas possam realizar os seus afazeres | Foto: Olga Leiria / Ag. A Tarde

E, para tudo correr bem, mais de 200 trabalhadores iniciam seu expediente às 18h do dia anterior. Equipes de manutenção, operação e os condutores dos trens fazem o sistema funcionar para que a galera do 'corre' cedeiro não perca a hora.

Um deles é o condutor de trens Bruno Bonfim, que transporta milhares de trabalhadores da cidade nos horários de pico. “O fluxo é grande. As estações, quando abrem, já estão lotadas, isso às 5h da manhã. As estações com terminais de ônibus, principalmente. Águas Claras, por exemplo, já está lotada às 5h”.

O trabalho de Bruno garante que outras pessoas possam realizar os seus 'trampos', como o ambulante José Divanilson de Moura, que trabalha há 14 anos na Lapa. Ele mora no final de linha de Águas Claras e precisa do metrô para começar a venda de seus lanches, às 6h30, no Centro de Salvador.

José Divanilson de Moura trabalha há 14 anos na Lapa
José Divanilson de Moura trabalha há 14 anos na Lapa | Foto: Olga Leiria / Ag. A Tarde

O pai de família sempre precisou acordar bem cedo para não se atrasar para o serviço. “Eu acordo 4h30 da manhã. Chego aqui cedo pra trabalhar. Já trabalhei em vários lugares: de servente, vendendo picolé, agora sou ambulante, vendendo lanche na Lapa”, revelou.

A mobilidade pública está diretamente ligada ao horário que o trabalhador acorda. Kaliana Gomes, de 29 anos, mora no último bairro do Subúrbio Ferroviário, onde o metrô não chega. Residente em São Tomé de Paripe, a vendedora de almoço precisa acordar às 4h30 da manhã para garantir sua chegada ao ponto de trabalho, também na Estação da Lapa, às 7h. Para isso, dependente exclusivamente do ônibus que faz a linha São Tomé-Lapa. Às 6h10 a jovem precisa estar no ponto para não se atrasar.

Kaliana Gomes, de 29 anos, mora no último bairro do Subúrbio Ferroviário acorda às 4h30
Kaliana Gomes, de 29 anos, mora no último bairro do Subúrbio Ferroviário acorda às 4h30 | Foto: Olga Leiria / Ag. A TARDE

Kaliana explica que, por conta de passar mais de uma hora dentro do buzu, tem que adiantar para que tudo dê certo. “Eu chego aqui umas sete e vinte. Vai depender muito do trânsito. Às vezes, eu pego um congestionamento no caminho, aí atrasa uns 20 minutos”, disse.

Enquanto você estava lendo esta matéria, que foi publicada às 6h, milhares de pessoas já estavam na ativa em vários pontos de Salvador. Pra que exemplo melhor para mostramos que os baianos são do 'corre' e dão um duro danado para ganharem o pão de cada dia?

*Sob supervisão do editor Jacson Brasil

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