
Crianças em idade escolar de diferentes cidades baianas estão mergulhadas no universo lúdico da contação de histórias em salas de aula. Já seus professores são envolvidos na capacitação proporcionada pela Oficina Criativa de Máscaras, com a utilização de sementes e materiais reciclados.
As ações, que mesclam diversão e aprendizado, integram o projeto “Era uma vez...”, desenvolvido pela Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), desde dezembro de 2025.
Prestes a completar 11 anos, Andra Victória, aluna do 6º ano do Centro Educacional Paulo VI, localizado no bairro de Valéria, na capital baiana, conta que a experiência com o “Era uma vez...” significou “um momento muito especial”, pela oportunidade de conexão com a criatividade.
“Fiquei muito feliz porque percebi que a nossa imaginação pode flutuar através de uma história no papel”, relata. O dia cheio de aprendizados, ela diz, será guardado para sempre na memória. “Aprendi que sou capaz e posso escrever a minha própria história.”

Para o diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, depoimentos como o de Andra são resultado do trabalho social que a empresa vem realizando.
“A companhia, alinhada com a política do Governo do Estado de promover a inclusão e diversidade na educação, procura dar sua parcela de contribuição por meio de projetos como este”, destaca.
Por meio dessa iniciativa, Gavazza diz que a Bahiagás promove aprendizados, reforça o sentimento de pertencimento e fortalece a identidade cultural das comunidades próximas aos nossos gasodutos. “E isso só confirma que o nosso compromisso com a sociedade baiana vai muito além da distribuição do gás natural.”

O “Era uma vez...” tem como objetivos incentivar a leitura e estimular a imaginação dos estudantes de escolas da rede pública de municípios onde a companhia atua, bem como fomentar a valorização cultural, os saberes locais, a ancestralidade e o sentimento de pertencimento comunitário.
À frente da iniciativa está a educadora e escritora baiana Ana Fátima que, inicialmente, se pauta no livro “No sítio do vovô Dande” (Editora Brinque-Book), de sua autoria junto com Fau Carvalho, para desenvolver as atividades. O projeto já contemplou 12 escolas de Salvador, Feira de Santana e Santo Amaro.
“Essa ação da Bahiagás veio fortalecer o nosso objetivo, que é formar pequenos e grandes leitores, incentivando o gosto e o prazer de ler, usando técnicas e métodos lúdicos no desenvolvimento do aprender a ler”, enaltece a diretora Jacira Ferreira Queiroz, do citado Centro Educacional Paulo VI.

A professora da escola, Adriana Melo, reforça que o projeto incentiva a leitura, estimula a imaginação e fortalece o vínculo das crianças com o universo das histórias.
“A narrativa do livro ‘No sítio do vovô Dandi’ despertou a curiosidade, a atenção, a interação e o entusiasmo das nossas crianças, contribuindo para transformar a leitura em um momento de prazer e fortalecer o interesse delas pelos livros e pela descoberta de novas histórias”, relata.
Ela acrescenta que a ação estimula o desenvolvimento da linguagem, da imaginação e do gosto pela leitura desde a infância.
“Além disso, aproxima a comunidade escolar de iniciativas culturais e educativas que enriquecem o processo de sua formação”, considera a professora, destacando a importância da oralidade, escuta e participação coletiva no processo de aprendizagem.”
“Divisor de águas”
Na Escola Municipal Professora Isabel Coelho, situada no distrito de Oliveira dos Campinhos, no município de Santo Amaro, o projeto “Era uma vez...” também teve uma repercussão positiva na comunidade escolar. A diretora Danielle Cerqueira Silva considera que a atividade foi “um divisor de águas” na unidade escolar.
“Mais do que incentivar a leitura, vimos o resgate do encantamento literário e o fortalecimento do repertório cultural dos nossos alunos. Observar a comunidade escolar engajada na construção de novas narrativas reafirma nosso compromisso com uma educação que humaniza e transforma”, afirma.
A professora Maria São Pedro Grilo de Almeida completa que trabalhar o projeto em sala de aula permitiu explorar a alfabetização e o letramento de forma lúdica e profunda. “Por meio das histórias, as crianças desenvolveram não apenas a fluência leitora, mas a empatia e a criatividade para solucionar conflitos.”
Os alunos também destacam a importância da iniciativa. “Nesse projeto, me senti parte das histórias e pude criar meus próprios personagens”, comenta Maria Isabel Alves Ramos, de 8 anos, estudante do 2º ano da escola municipal. “Agora, a biblioteca é o meu lugar favorito na escola, porque sei que lá existem infinitas aventuras esperando por mim", diz.

Em Feira de Santana, estudantes da Escola Municipal Maria da Glória Carvalho Bahia também entraram de cabeça no projeto da Bahiagás.
“O ‘Era uma vez...’ trouxe novas perspectivas sobre a prática da leitura e da contação de histórias em sala de aula”, afirma a professora Isis Teixeira.
Esse momento de troca, aprendizado e valorização da cultura, acrescenta, “fortalece o vínculo entre escola, alunos e comunidade”, avalia a professora Isis Teixeira.
No projeto “Era uma vez...”, desenvolvido pela Bahiagás, a escritora, pesquisadora e educadora Ana Fátima resgata temas como a cultura da ancestralidade e a sensação de pertencimento, a partir da conexão entre a humanidade e a relação das pessoas com a natureza.

Como ferramentas, ela promove contação de história de seus livros, como “No sítio do vovô Dandi”, no qual o avô e sua neta formam um núcleo familiar afrocentrado com fortes relações com a terra, os animais e as plantas, criando um ambiente que enaltece a natureza e resgata a ancestralidade.
Além da contação de histórias, Ana Fátima conduziu a oficina de máscaras africanas, utilizando materiais recicláveis e sementes. “A gente se propõe a pensar em várias brincadeiras com elementos naturais e, ao mesmo tempo, respeitando o meio ambiente ao reutilizar materiais que seriam descartados”, explica a autora.
Dedicada à literatura infantil e infantojuvenil de temática afro-brasileira e doutora em Crítica Cultural pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Ana Fátima explica que o projeto propõe uma brincadeira intergeracional, que não depende de telas.
“A gente pode continuar brincando como os nossos antepassados brincavam, utilizando recursos da natureza, aprendendo a lidar com a terra, com os animais”, avalia.
Mulher negra, educada por pessoas que nasceram em ambientes rurais e em comunidade quilombola, Ana Fátima acredita que fortalecer a literatura que comunica com esses territórios, por meio da contação de história e da realização de oficina, contribui para garantir uma sociedade antirracista, preocupada com a educação e a continuidade dos saberes locais.
“Era uma vez...” chega a outros municípios em nova etapa
O projeto “Era uma vez…” está em sua segunda etapa. Até junho, escolas de Itabuna, Ilhéus e Feira de Santana (outras unidades escolares) devem ser palco da iniciativa. Para o gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Bahiagás, José Carlos Gallindo, o projeto traduz uma ambição da companhia: ser agente transformador nos territórios em que atua.
"Mais do que distribuir energia, queremos fortalecer vínculos e, por meio da educação e da leitura, plantar sementes de identidade e pertencimento nessas comunidades”, afirma.

Para a coordenadora socioambiental da Bahiagás, Kaliana Magalhães, o projeto é a semente da transformação.
“Trata-se do contato dos alunos com uma autora baiana, negra, premiada, que transmite identidade e pertencimento àquela maioria presente nas salas de aula das escolas públicas, no intuito de viabilizar possibilidades para que crianças e adolescentes possam projetar o seu futuro, sabendo que é capaz”, avalia.
“É o acesso ao livro, à leitura, à cultura, que permite que as pessoas levem essas informações para casa e compartilhem, reforçando os vínculos familiares”, acrescenta.
Concebido em novembro de 2025, durante o mês da Consciência Negra, o “Era uma vez...” é desenvolvido pela Bahiagás como reforço às estratégias de relacionamento com as comunidades situadas no entorno da Rede de Distribuição de Gás Natural da companhia.
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Integrante do Programa Cresce com a Gente, a iniciativa visa, sobretudo, contribuir diretamente para atingir as metas relacionadas aos Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), entre as quais “assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.
“Sendo uma empresa que distribui energia e considerando que energia é transformação, a Bahiagás encara a educação como um dos mais importantes pilares de transformação social”, reforça Kaliana.
Para a coordenadora, a companhia “está influenciando positivamente as comunidades em que atua, criando conexões duradouras com a promoção de experiências significativas de aprendizagem que carregam o DNA da Bahiagás: empatia, diversidade, respeito mútuo e desenvolvimento sustentável.”
