
Um palco inusitado acabou revelando uma nova promessa do arrocha. O cantor pernambucano Marquinhos Navais se tornou um fenômeno na internet com o projeto Vagão da Sofrência, uma série de vídeos em que ele aparece cantando nos vagões do metrô de Salvador. Tudo começou como uma forma de ajudar financeiramente sua família e hoje se tornou uma oportunidade de Marquinhos mostrar seu talento ao mundo.
As postagens do Vagão da Sofrência somam mais de 54 milhões de visualizações e o artista conseguiu mais de 1,6 milhões de seguidores em suas redes sociais. A repercussão de seus shows no transporte público foi uma grande surpresa para o pernambucano. “É uma loucura, porque nem eu me imaginava cantando no metrô, foi algo que eu fui para ajudar minha família. Tive que vencer um pouco do meu ego, porque nunca me imaginei cantando dentro de um metro, mas a dificuldade me fez ir lá e meter a cara”, contou em entrevista ao MASSA!.
Antes de conquistar o sucesso na web, Marquinhos trilhou uma trajetória marcada por perseverança, força de vontade e muitos desafios. Sua relação com a música se fortaleceu aos 10 anos de idade, quando começou a cantar na igreja. Além do universo gospel, o jovem artista também acabou desenvolvendo uma paixão pelo arrocha. O responsável por despertar seu interesse pelo ritmo foi o cantor Tierry e o hit Eu Já Peguei Coisa Pior.
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“Antes da pandemia, eu vi a música que ele tinha lançado sobre o coronavírus e pensei ‘que massa esse ritmo’. Minha avó e meu avô também sempre escutavam Pablo. Comecei a me tornar fã de Tierry e foi assim que tudo começou a acontecer”, detalhou.

O destino do jovem foi traçado quando seus pais decidiram se mudar para Igarassu, um município do interior de Pernambuco. Em seu novo lar, o casal acabou ficando desempregado e, por conta disso, passaram por dificuldades financeiras. Buscando ajudar a própria família, Marquinhos começou a cantar na rua e assim transformou sua voz em ganha pão.
Durante uma das apresentações, uma pessoa desconhecida sugeriu algo que iria ressoar na mente do pernambucano. “Uma pessoa me viu na rua cantando e falou ‘rapaz, se você for para o metrô, vai dar certo’. Aí eu fui para o metrô e passei cinco anos sendo artista de rua no metrô para ajudar minha família”.

Destino traçado
Indiretamente, o cidadão anônimo mostrou novas possibilidades para o jovem sonhador. Ao longo de cinco anos no metrô, Marquinhos construiu uma relação de amizade com os vendedores ambulantes e passageiros dos vagões. Sua vida passou por outra grande mudança quando, durante uma de suas apresentações, ele encontrou o influenciador digital Abdias Melo, que ficou comovido com a história do rapaz e decidiu estender uma mão. “Eu fui para casa, liguei para ele, ele pediu meu endereço, levou uma cesta básica para minha família e perguntou o porquê eu estava cantando no metrô. Contei a história a ele, o que a gente estava passando, e ele me disse para gravar vídeos para as redes sociais”, pontuou.
Trem do sucesso
Desde então, o jovem começou a gravar suas performances e os internautas logo abraçaram a ideia. Em seu repertório, o cantor reúne trabalhos de diferentes artistas, mas todos conectados pela paixão pela sofrência. “A gente canta sofrência. Tem músicas de Marília, Tierry, Thiago Aquino, Pablo, Silvano Salles, tem vários, de artistas grandes a artistas pequenos”, acrescentou. Em 2025, ele se mudou para Salvador visando novas oportunidades no mercado musical. Atualmente morando próximo da Estação Acesso Norte, o artista decidiu iniciar uma nova etapa de sua carreira. O Vagão da Sofrência rapidamente se tornou uma febre entre o público baiano.

“É uma galera que abraça a música que eu faço, o arrocha. A galera daqui é sensacional”, contou. Hoje em dia, o dom de Marquinhos já foi reconhecido por gigantes da indústria musical, como os cantores Léo Foguete, Kevi Jonny e Leo Santana. Para o músico de Pernambuco, a sensação é de um sonho sendo realizado. “Eu fico surpreso, porque ter a atenção desses artistas, eles pararem, assistir os vídeos, comentarem, curtirem, compartilharem, é algo sem explicação, eu fico feliz demais”, finalizou.
A fama, o reconhecimento e os holofotes foram apenas os primeiros passos de uma carreira promissora. Apesar de ainda estar no início de sua trajetória, Marquinhos já consegue visualizar seu futuro. “A gente está planejando um audiovisual. Se Deus quiser, vai vir um DVD bacana para essa galera e com o tema do metrô”, concluiu.

