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Lamentável - 24/02/2023, 19:07 - Pedro Moraes - Atualizado em 25/02/2023, 07:29

Parte do Relógio de São Pedro é depredada e populares ficam na bronca

Um dos patrimônios culturais de Salvador enfrentou mais um caso de depredação

Um dos patrimônios culturais de Salvador enfrentou mais um caso de depredação
Um dos patrimônios culturais de Salvador enfrentou mais um caso de depredação |  Foto: Raphael Müller | Ag. A TARDE

Diariamente milhares de pessoas passam para lá e para cá na região da Avenida Sete de Setembro, conhecida popularmente como Avenida Sete, em Salvador. E, em um dos seus trechos, um monumento cultural existente há mais de 107 anos tem sofrido com as ações de vândalos: o Relógio de São Pedro.

Inquieto com o descuido referente a esse objeto da cultura da capital baiana, a reportagem do Portal Massa! bateu perna e foi até o local averiguar a denúncia de que a tampa de proteção do maquinário do Relógio de São Pedro foi retirada à força. Em contato com comerciantes, moradores e transeuntes, várias pessoas ficaram perplexas com o novo caso de vandalismo e pediram atenção do poder público.

Para o comerciante José Fidelis, que está há 14 anos em um ponto próximo a loja Marisa, é necessário fiscalização para prevenir ações violentas como esta. Ele, que tem uma história de muita luta na Avenida Sete, trabalha no local desde 1984.

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“É neutro, se não funciona. Está há uns cinco ou seis anos quebrado aí [o Relógio de São Pedro], serve apenas como um enfeite. Poderiam colocar para funcionar e lançar fiscalização, aqui na rua não tem fiscalização, o que facilita a ação de vândalos”, contesta o comerciante de 61 anos.

No caso da comerciante Dalrilene Alves, de 43 anos, a atenção maior de órgãos públicos acontece em épocas de festas.

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“É um monumento isso [Relógio de São Pedro], eles deveriam cuidar com muito carinho. Eles precisam ver as imagens das câmeras, correr atrás dos vândalos e punir severamente. É ter atenção, é um monumento, vários turistas chegam aqui, tiram fotos, e veem o relógio assim acabado, desvaloriza a cidade também”, aponta a vendedora.

Se ligue no vídeo:

Retrato da insegurança

O ato de vandalismo sobre o Relógio de São Pedro expõe não só a fragilidade da segurança com os monumentos culturais, como também indica a falta de proteção aos moradores, clientes e vendedores.

Uma moradora da região, que preferiu não se identificar, mencionou a reportagem do Portal Massa! que a única solução é promover policiamento intenso e diário.

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“Penso que aqui vai ficar igual a Barroquinha, tudo vai fechar e virar um breu. Várias vezes já vi casos dos meninos se ligarem em alvos, seguir eles e, na primeira oportunidade, bafar pertences de valor. Se falta policiamento…”, desabafou.

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Prefeitura pega a visão e liga o alerta

Questionada pela reportagem sobre o novo ato de vandalismo no Relógio de São Pedro, assim como em 2016 e em 2020, a Prefeitura de Salvador garantiu que irá mandar uma equipe para a recolocação da peça.

“A Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), informa que, após denúncia recebida a respeito do ato de vandalismo, onde foi retirada a tampa de proteção ao maquinário do Relógio de São Pedro, realizou vistoria no local e ainda hoje (24), uma equipe irá realizar a recolocação da peça em caráter emergencial”, diz o órgão municipal, por meio de nota.

Imagem ilustrativa da imagem Parte do Relógio de São Pedro é depredada e populares ficam na bronca
Foto: Raphael Müller | Ag. A TARDE

Casos passados e ideia dura de historiador

Há três anos, o monumento histórico teve a placa de identificação - que mostrava o ano em que o relógio foi feito, assim como o ano em que foi colocado na praça -, feita de bronze, furtada. Ainda no período das obras de requalificação da Avenida Sete de Setembro, o monumento havia passado por uma restauração. Ele foi inaugurado em 15 de novembro de 1916.

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“A sobrevivência do Relógio de São Pedro naquela região é fundamental para a preservação de uma memória que passa pela formação urbana e econômica da nossa cidade, a estrutura colonial de Salvador, a influência das freguesias no cotidiano soteropolitano e a ação do cristianismo, como um dos elementos formadores da nossa cultura”, afirma o historiador Iuri Vieira.

Indagado pelo Portal Massa! sobre a subvalorização de monumentos históricos, como este relógio, o historiador também comentou que isso é um reflexo da estrutura escolar deficitária.

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“Essa questão é, sem dúvida alguma, um reflexo de um povo que desconhece e desvaloriza a sua história. Isso começa na estrutura escolar deficitária, com baixo investimento, típica do nosso país e passa por uma matriz curricular escolar que prioriza elementos da história europeia, em detrimento de narrativas regionais. Por isso, para boa parte da população aquele objeto não passa de um relógio qualquer, que foi colocado ali, sem um motivo específico, ou usado apenas para adornar uma rua. Infelizmente, nosso povo sabe pouco da sua história e a ignorância abre espaço para a destruição de parte da nossa história”, aponta Iuri.

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