
Preocupada com a sustentabilidade, há 20 anos a organização não governamental (ONG) Cajaverde realiza um trabalho em prol do meio ambiente em Salvador. Localizada na Avenida 29 de Março, próximo ao bairro de Castelo Branco, a organização também se preocupa com a saúde, cultura e bem-estar da população. Por esse motivo, há cerca de cinco anos oferece diversas atividades físicas para a galera de diferentes idades, no Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras, situado na Fazenda Grande 2
No projeto há cerca de seis anos, a professora de educação física e responsável pelas atividades no ginásio, Leyre Scarlet, explicou que, de segunda a quinta-feira, os moradores de Cajazeiras podem participar de aulas de capoeira, futebol, ginástica e dança. Ela acredita que essa movimentação é extremamente importante para o bairro.

"Gera benefício à população de Cajazeiras, trazendo atividades físicas e qualidade de vida. Na ginástica, o maior público é feminino e muitas vezes é a única vivência de prazer que elas têm. Muitas ficam só em casa com os afazeres domésticos e com isso a gente traz distração para elas, não só benefício para o corpo, mas para a mente também", pontuou.

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Leyre também ressaltou a relevância de lidar com a juventude. "Infelizmente, estamos enfrentando a violência e o futebol está ai. Pegamos meninos de 7 a 17 anos e eu fico muito feliz, pois muitos querem participar de manhã e de tarde, mas nós destacamos a importância de frequentar a escola", disse a professora de educação física.
"Esse projeto me ajudou em uma parte muito difícil. Eu gosto muito de participar das atividades e acho que aqui é um lugar para você frequentar no seu dia a dia
Maria Clara é aluna de capoeira há mais de um ano

Participando do projeto há seis meses, a aposentada Marinalva América, 71, revelou como tem sido a experiência na aula de dança. "Não perco, só quando eu não posso mesmo. É muito bom, é muito alegre, a gente sente falta das colegas que saem. É muito importante, deveria ter mais dias", contou a moradora da Fazenda Grande II.

Quem também mete passos orgânicos é a dona de casa Antônia Gomes, 55. Batendo o ponto sempre nas aulas, ela explicou como as ações ajudam nas saúdes física e mental das pessoas. "Isso aqui é muito bom, isso aqui levantou muita gente, a autoestima, a pessoa ter uma atividade para fazer. Se isso aqui acabar, acaba com muita gente. Quando eu estou em casa chateada, eu venho, se a pressão não tiver boa, eu venho. Isso aqui levanta muita gente", afirmou.

Futuro jogador de futebol
Assim como muitos adolescentes baianos, Gustavo Davi, de 15 anos, sonha em ser jogador de futebol e encontrou no projeto uma oportunidade de mostrar o seu talento, além de evitar ficar na frente das telas o tempo todo.
"Tem vários benefícios, como educação física, jogar bola, sair um pouco, distrair a mente, porque geralmente ficar em casa gera depressão, gera doenças mentais. É sempre bom fazer atividade física", comentou o jovem de Jaguaripe.

Capoeira salva vidas
"Esse projeto me ajudou em uma parte muito difícil. Eu gosto muito de participar das atividades e acho que aqui é um lugar para você frequentar no seu dia a dia, você se exercitar, tanto para o seu corpo como para a sua saúde mental". Essas são palavras da jovem Maria Clara, 15, moradora do bairro de Cajazeiras 8.
Sem muitos detalhes, ela explicou que passou por momentos psicológicos desafiadores e que a capoeira teve um papel fundamental em sua vida.

A família agradece
Se faz bem para as 'crias', faz bem para a família, também. Josefa Maria, tia de Maria Eduarda e mãe de Miguel Brito, ambos de 12 anos, sinalizou que a capoeira tem feito diferença na vida dos pequenos. "É uma forma das crianças estarem fazendo atividades quando saem da escola, criando um vínculo com o esporte. Capoeira é arte!"

Como participar
Para fazer parte de uma das atividades é necessário comparecer ao Ginásio no dia das aulas e realizar a inscrição. Lembre-se de levar cópia do RG, cartão do SUS e comprovante de residência.
