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Tá diferente? - 13/03/2026, 16:56 - Gabriel Freitas - Atualizado em 13/03/2026, 17:13

Nada de azar! Baianos dispensam superstições da sexta-feira 13

Religiosos de diferentes crenças não mudam sua rotina por causa da data

Sexta-feira 13 é conhecido por ser um dia marcado pelo azar
Sexta-feira 13 é conhecido por ser um dia marcado pelo azar |  Foto: Reprodução/Personare

Enredo de filme, tema de livros e superstição que atravessa gerações. A sexta-feira 13 não parece ter mais o peso de outros tempos. As tradições apontavam para que algumas atividades fossem evitadas, como olhar para espelho quebrado ou passar por baixo de uma escada.

O tempo passa e os costumes também - ou se reinventam. Se em outro recorte da sociedade essas manias eram vivas e causavam medo, as coisas parecem ter mudado. O MASSA!, para entender um pouco do comportamento contemporâneo, bateu um papo com religiosos, de diferentes crenças, abaixo dos 40 anos.

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Crenças mudam, superstições também

Cristãs, que seja católica ou evangélica, ou candomblecista, as fiéis preferem se apegar à crença de suas divindades. No entanto, nem sempre foi assim com a técnica de enfermagem Marcele Pinheiro, de 38 anos, que se autoidentifica como evangélica.

A profissional da saúde cresceu em um ambiente místico, como dito por ela. Marcele disse que a família não tinha uma religião definida, mas acreditava em um pouco de tudo. Atualmente, a evangélica não mantém essas tradições.

"Sempre teve essa questão da superstição lá em casa: evitar passar por baixo de escada, evitar deixar sandália virada e sempre ao sair de casa ter aquele cuidado para as coisas não acontecerem, porque pelo fato de ser uma sexta-feira 13, ela [mãe] tinha em mente que as coisas eram mais propícias em acontecer. Tipo um acidente, algo de ruim acontecer, em geral. De preferência, se pudesse, ficar em casa guardadinho", relatou Marcele.

Também no mundo cristão, mas com uma católica, a situação não é diferente. A universitária Jamile Boa Morte, de 18 anos, afirma não ter nenhum receio com a data, mas, anteriormente, a bisavó tinha alguns cuidados, principalmente na Quaresma, como cobrir as imagens de santos e espelhos. "Para nós, católicos, a sexta-feira 13 não tem muito significado, justamente por ser superstição, então não faz muita diferença", disse.

Para a candomblecista e cartomante Merlia, de 21 anos, a data já teve diferentes significados. Antes de entrar para a religião, a universitária mantinha alguns cuidados. Não, exatamente, pela tradição, mas por entender que se várias pessoas passam a temer pelo dia, existia algum peso em cima da temida sexta-feira. No entanto, atualmente, ela diz pensar de outro jeito.

"Depois de me tornar candomblecista, eu entendo que as sextas-feiras são sagradas. Eu guardo as minhas sextas-feiras pra Oxalá. Então, eu não tenho como ver a sexta-feira como um dia de azar. Porque vai sempre ser de Oxalá. É um dia que eu vou guardar pra Ele, então ela sempre vai ser sagrada pra mim. Então, não tem como eu ver a sexta-feira 13 como um dia de azar, que majoritariamente na mídia é tratada como ruim", explicou.

Como surgiu esse medo

Não se sabe, de fato, o medo pela sexta-feira 13. Contudo, uma das principais teorias é de que exista relação com a Última Ceia de Jesus Cristo, antes da crucificação. A superstição vem de ter 13 pessoas reunidas, sendo Jesus e os 12 discípulos, incluindo Judas, em uma sexta-feira.

Outra linha aponta para a mitologia nórdica, onde Loki, o deus da discórdia, ao ser deixado de fora de um banquete entre 12 deuses, apareceu e causou um caos que resultou na morte de um dos presentes. Essa história reforçou a ideia de que encontros com 13 pessoas podem trazer desgraça.

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