
Moradores da rua da Baixa das Pedrinhas, no bairro de Luís Anselmo, relataram que estão sem dormir por conta do medo e da preocupação de novos desabamentos. Após a morte de três trabalhadores, que estariam reformando o prédio que veio a desabar, o sentimento que rola entre a vizinhança é de que houve negligência.
Muitos moradores afirmam que o risco já era conhecido, e que a tragédia poderia ter sido evitada. O cenário é de destruição: destroços ainda obstruem a passagem, dificultando o acesso de moradores às próprias residências.
Clima de medo
Além do clima de luto, preocupação e tristeza, moradores também demonstram receio com a possibilidade de novos desabamentos. Queila Simões, moradora da região e que conhecia as vítimas, relata que o temor vai além do imóvel que caiu: envolve outras construções da rua.
Segundo ela, há prédios abandonados que já passaram por vistoria, mas que continuam gerando insegurança entre os moradores.
“Esse vermelho aqui [apontando para o prédio em frente a sua casa] não mora ninguém nele, mas o risco é para onde tem que more, entendeu? E ele tá tombando… se você olhar, inclinou pra cá e os pisos começaram a cair pra lá".
De acordo com Queila, o impacto do desabamento foi imediato e atingiu toda a vizinhança, gerando desespero coletivo.
Quando caiu, eu corri pra frente e era só fumaça. Você não sabe daqui pra lá qual casa tinha caído. Todo mundo correu das casas pra rua porque todo mundo achou de alguma forma que podia ser sua casa. É uma casa colada com a outra.
Queila Simões, Moradora da localidade
Para ela, o problema vai além de um único imóvel. "Essas ruas aqui são todas feitas em cima de esgotos… o povo compra, não sabe como foi feito e vai fazendo em cima".
A reportagem do MASSA! entrou em contato com a Defesa Civil de Salvador para obter detalhes sobre a notificação de outros imóveis na mesma rua. Não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto e a matéria será atualizada assim que houver um posicionamento oficial.

Comunidade enlutada
De acordo com o líder comunitário Henrique Piaba, o desabamento, que ocorreu ocorreu no fim da tarde do sábado, rapidamente mobilizou moradores. O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia chegou a mencionar, via assessoria, que "a comunidade local ajudou muito na retirada de materiais".
Segundo ele, uma das vítimas, identificada como Roberto, chegou a ser retirada com sinais vitais. “Quando encontramos ele ainda com pulso, a esperança reacendeu. Mas, infelizmente, não resistiu".
As outras duas vítimas, Maurício, conhecido como BIilinho, e Raimundo, conhecido como Milho, também trabalhadores conhecidos na região, foram localizadas horas depois, já sem vida. O resgate contou com apoio do Corpo de Bombeiros e da própria comunidade, que chegou a formar cordões humanos para retirada dos escombros.

Família sobrevivente
Além do resgate, o líder comunitário também destacou o impacto emocional nas famílias atingidas. Segundo ele, uma família, composta por um homem, sua esposa, de prenome Vanessa, e os filhos, identificados como Pedro, Davi e Lana, estavam no primeiro andar do imóvel no momento do ocorrido e conseguiram escapar momentos antes do desabamento.
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Segundo Henrique, após o ocorrido,os sobreviventes estavam em estado estado de choque. Um deles chegou a falar sobre a perda da própria casa.
"Piaba, e aí, já posso voltar para a minha casa?" Que casa? Um prédio de quatro andares, não tem mais casa, né?”
Henrique Piaba, Líder Comunitário
Cobrança por respostas
Diante do cenário, moradores cobram ações mais efetivas do poder público, principalmente na fiscalização de construções e na prevenção de riscos.
“A gente espera que fiscalizem, que interditem se for preciso. Não pode esperar cair para agir”, disse Queila.
Para o Henrique, o momento agora é de reconstrução e apoio às famílias atingidas. “São pessoas que perderam tudo. A comunidade está se unindo, como sempre fez, para ajudar".
Enquanto isso, o sentimento predominante entre os moradores daquela rua ainda é de medo, e de que a tragédia poderia ter sido evitada.
Veja imagens do local



*Sob a supervisão da editora Amanda Souza
