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Nem te conto! - - Atualizado em

Lei obriga Salvador a garantir moradia digna nas periferias; entenda

População de baixa renda tem direito a Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS) de forma gratuita no Brasil

Vinicius Viana
Vinicius Viana
ATHIS proporciona melhoria dos lares das periferias
ATHIS proporciona melhoria dos lares das periferias |  Foto: Reprodução/Bando de Imagens

Viver em uma moradia segura e de proteção contra o frio, calor, chuva, e também contra ameaças de incêndio, desmoronamento ou inundação, é um privilégio que poucos pais e mães de famílias podem desfrutar nos bairros periféricos da capital baiana.

Pensando em como melhorar a qualidade de vida dessa galera, que acorda bem cedo para pegar no batente e já convive com diversos perrengues como a falta de saneamento básico, dificuldade de deslocamento e acessos a serviços, como por exemplo de saúde, educação, lazer e segurança, as entidades de arquitetura do Brasil criaram um projeto de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS).

No ano de 2008, os arquitetos Zezéu Ribeiro e Clóvis LLgenfritz, que na época eram deputados federais, foram os responsáveis por apresenta e aprovar na Câmara Federal o projeto da ATHIS, que se tornou lei (11.888/2008), obrigando os municípios a terem escritórios de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social, assegurando às famílias com renda de até 3 salários mínimos auxílio público de arquiteto, engenheiros e profissionais qualificados de forma gratuita para o projeto e a construção de habitações de interesse social (como por exemplo, centros comunitários) ou para sua própria moradia.

Observando a realidade da moradia da população de baixa renda da capital baiana e atento a legislação brasileira, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismos (CAU-BA), Neilton Dórea, busca a implementação do escrito da ATHIS na prefeitura de Salvador para fortalecer as políticas públicas de habitação na capital baiana.

“A política pública que existe em Salvador para habitação é bastante incipiente (ignorante/simples). Pelo que sei, existe um valor para que o proprietário da casa faça pequenas reformas, mas não traz qualidade de modo amplo, pois não existe apoio técnico complexo e completo. Então quando a gente fala em ATHIS, a gente vai exatamente colocar todo esse procedimento para que habitação seja transformada em algo que traga à população uma vida com conforto, dignidade e principalmente possibilidade de ter saúde”, explicou em entrevista exclusiva ao Portal Massa!.

Em seguida, o presidente do CAU-BA pontua o que falta para a implementação da ATHIS em Salvador. “A implantação da lei é uma decisão política do gestor de Salvador. Ela foi votada, aprovada e não pode ser discutida, [ela] tem que ser implementada. Entendo que ela ainda não foi implementada porque os gestores ainda não viram a amplitude que [a lei] pode trazer no sentido de políticas públicas para habitação social, e é o que a nossa cidade mais precisa”, declarou.

“Se você olhar a malha urbana (áreas ocupadas) de Salvador, mais de 70% dela é feita por habitações geradas espontaneamente, sem apoio técnico, tanto quanto a segurança, implantação e estabilidade de solo, sem falar na qualidade da espacialidade (ocupação), porque se formos analisar será uma tristeza total, pois são espaços completamente anti-higiênico e que não tem condições de habitabilidade”, continuou Neilton Dórea.

Por fim, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo ressaltou que a implementação do escritório de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social possibilita melhorias na forma de vida da população de baixa renda. “A ideia não é derrubar as casas e partir do zero, pois há limitações nos terrenos. Com a ATHIS os arquitetos, engenheiros e assistência social darão orientações e farão as intervenções de forma adequada e segura, garantindo uma moradia de qualidade e melhorando cerca de 60 % do espaço”, finalizou, pontuando que a luta do CAU-BA é para que a ATHIS seja implementada em todos os municípios da Bahia.

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