Impacto no bolso: feijão fica mais caro por causa da chuva na Bahia

Valor da cesta básica em Salvador teve aumento de mais de 7%

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Peso no bolso - 02/05/2026, 08:00 - Wiliam Falcão

Um dos alimentos mais consumidos em famílias de menor renda, o feijão sofre impacto direto com as chuvas que caem na Bahia neste período do ano, situação que reflete no aumento no preço. A situação atinge consumidores, revendedores e até produtores e, consequentemente, resulta no aumento da cesta básica.

Segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgados em abril deste ano, Salvador foi a segunda cidade com maior aumento na cesta em março, com 7,15%, atrás apenas de Manaus (7,42%). O valor total da cesta básica na capital baiana, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE-BA), é de R$ 662,14

Comerciante na Feira de São Joaquim há 32 anos, Dicá Cereais, como é conhecido no local, explica em entrevista ao MASSA! que a chuva atrapalha as vendas no estabelecimento: "O feijão já chega muito novo, mole demais para cozinhar e o carioca também, que é um feijão tradicional e acessível, começou a aumentar também."

Dicá Cereais vende feijão no local há 32 anos
Dicá Cereais vende feijão no local há 32 anos | Foto: José Simões/Ag A TARDE

Vendedor de feijão há um período menor, Gerson Ventura, irmão dele, admite que as vendas caem, porém ressalta as alternativas. "Cai um pouco as vendas do feijão carioquinha, que é o mais tradicional, mas aí o povo substitui e a gente vende outros tipos", afirma.

A venda do feijão representa cerca de 25% do faturamento mensal para Gerson, enquanto para o irmão representa um pouco mais, cerca de 30%.

Gerson trabalha no local há 12 anos
Gerson trabalha no local há 12 anos | Foto: José Simões/Ag A TARDE

Mesmo com a alta do preço, o consumidor não abre mão de ter o feijão na mesa. Tailane Oliveira, cliente fiel do estabelecimento de Gerson, revela a estratégia quando sente o preço pesar no bolso.

"Às vezes eu troco o tipo do feijão. O mais em conta e que também seja bom, né? Porque não adianta comprar um em conta que não seja bom. Mas em compensação, se pudesse, eu não compro do mais caro mesmo", aconselha.

Tailane não abre mão do feijão na mesa
Tailane não abre mão do feijão na mesa | Foto: José Simões/Ag A TARDE

"Feijão eu não abro mão, não, é essencial. Tem que ter. Um dia pode até liberar, mas outros dias Ficar dois, três dias sem feijão? Não pode", completa a jovem.

Preço do quilo do feijão na Feira de São Joaquim:

➡️ Feijão carioca R$ 6;
➡️ Feijão rosinha R$ 8;
➡️ Feijão fradinho R$ 7;
➡️ Feijão preto R$ 8.

O único tipo que registrou queda no preço neste período foi o Feijão Branco, que saiu de R$ 18 para R$ 15.

Imagem ilustrativa da imagem Impacto no bolso: feijão fica mais caro por causa da chuva na Bahia
Foto: José Simões/Ag A TARDE

Produtores sofrem

O regime de chuvas interfere em três variáveis críticas da formação de oferta do feijão: produtividade, qualidade e capacidade operacional de colheita, consequentemente impacta no preço. Há aumento dos custos operacionais, e, em alguns casos, necessidade de replantio.

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB), Humberto Miranda, revela à reportagem quais regiões da Bahia foram as mais afetadas.

"Áreas como Irecê e o semiárido central, que têm forte predominância do sistema de sequeiro, foram mais afetadas devido à irregularidade e intensidade das chuvas em momentos críticos do ciclo produtivo. Na Chapada Diamantina, solos com menor capacidade de drenagem favoreceram o encharcamento e a incidência de doenças. Já no oeste da Bahia, onde há maior nível de tecnificação e uso de irrigação, os impactos foram mais pontuais, concentrados principalmente em áreas atingidas por chuvas fora de época durante a colheita", relata ao MASSA!.

Humberto Miranda, presidente da Faeb
Humberto Miranda, presidente da Faeb | Foto: Ascom/ Divulgação

Ele também explica sobre a possibilidade de redução no preço do produto: "É possível que haja redução antes mesmo do fim das chuvas na Bahia, caso a recomposição da oferta ocorra de forma consistente. Por outro lado, se houver novos eventos climáticos adversos em outras regiões produtoras, o cenário de preços elevados pode se prolongar".

Peso maior para o consumidor

A supervisora técnica do DIEESE-BA, Ana Georgina Dias, destaca em entrevista ao MASSA! que, apesar de os revendedores também sentirem os impactos do aumento do preço do produto, ainda é o consumidor final quem tem mais a perder.

"Quem vende o feijão normalmente tem como repassar o aumento do preço, né? Geralmente existe esse movimento de repasse. Mas para quem para quem compra é difícil ter uma margem para sair", explica.

Ana Georgina Dias
Ana Georgina Dias | Foto: Reprodução/ arquivo pessoal

"É um produto que tem um peso, digamos assim, até de hábito, de peso cultural mesmo das pessoas não estarem dispostas a substituir", completa Ana Georgina Dias.

Outros problemas

Além da chuva, outros fatores podem contribuir para o preço do feijão aumentar nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais. A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã causa aumento no preço dos combustíveis, sobretudo o diesel, o que faz com que o custo do frete fique mais alto.

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