
Um familiar de um paciente internado no Hospital Teresa de Lisieux (HTL), que pertence ao grupo Hapvida NotreDame Intermédica, localizado no bairro Itaigara, em Salvador, denunciou uma situação de descaso com um homem que deu entrada na unidade de saúde na manhã da última terça-feira (10). Segundo o denunciante, a vítima chegou a ficar esperando pelos cuidados médicos nos corredores das enfermarias. As identidades serão preservadas, a pedido da fonte.
Por temer retaliações do hospital, a família do paciente preferiu manter a identidade preservada. Ao MASSA!, um homem, que se apresenta como primo do hospitalizado, relatou ter vivido dias angustiantes ao buscar ajuda médica para o parente, mas encontrou o HTL completamente lotado e sem condições de oferecer a estrutura necessária.
Segundo este primo, o paciente saiu de Valença, por volta das 7h da terça, e deu entrada na unidade por volta das 11h. A partir deste momento, deu início ao sofrimento, que se arrasta até o presente momento.
Leia Também:
Descrição do paciente
O paciente chegou ao Teresa de Lisieux precisando do auxílio de uma cadeira de rodas, por causa de um problema de retenção de líquido nas pernas, que ocasianou na perda de mobilidade. Além disso, também enfrenta dificuldade respiratória, devido a um derrame pleural - mais conhecido como água no pulmão.
Linha do tempo
Logo ao chegar na unidade, a família tem presenciado momentos complicados. De acordo com as informações passadas com exclusividade ao MASSA!, foi solicitado um exame, na terça, que se arrastou até a manhã da quarta (11). Neste período, o paciente ficou sem comer, já que foi solicitado o jejum para a realização do procedimento médico, e ainda foi mantido apenas na cadeira de rodas, sem que disponibilizassem uma estrutura de maior conforto.
Para que saísse o exame e outras medidas hospitalares, o primo denunciante explicou que foi preciso muita briga. Ele conta que o hospital está muito cheio e os pacientes procuram descanso no chão da unidade. Ainda de acordo com a denúncia, as macas estão sendo distribuídas nos corredores.
Este mesmo homem também relatou que buscou a ouvidoria do HTL, mas foi informado que só existe uma Coordenação de Supervisão do Atendimento.
Durante a semana, o paciente foi mantido no corredor, recebendo um leito em uma enfermaria apenas na noite do sábado (14), após ameaças de que o caso seria reportado à imprensa.
Situação de calamidade
A reclamação não é apenas da família que denuncia o caso. Segundo as informações passadas à reportagem, médicos e profissionais da unidade questionam a falta de fraldas, gazes e outros instrumentos de trabalho. O denunciante contou que, até para levar ao banheiro e realizar curativos, a família tem ficado responsável por tais atividades, mesmo sem a competência técnica de tais cuidados.
Todo mundo, inclusive os profissionais do Hapvida, médicas principalmente, falando que o lugar está impossível. Faltam gazes, fraldas, faltam itens básicos, e que há uma sobrecarga de pessoas em detrimento do número de profissionais.
Denúncia do familiar
A fonte informou que a situação tem sido enfrentada por outros pacientes presentes no hospital, que também esperam por atendimento. Diversas famílias continuam à espera de um retorno dos médicos.
Contato com a unidade
Em resposta ao contato da reportagem, a assessoria do Hapvida NotreDame Intermédica respondeu que o paciente encontra-se internado no Hospital Teresa de Lisieux e segue recebendo assistência da equipe multiprofissional da unidade.
Além disso, também pontuou que, a partir dos recentes questionamentos, "a direção do hospital foi acionada e passou a acompanhar o caso de perto, tendo inclusive realizado visita ao paciente em seu leito". Ainda foi sinalizado que a família também mantém contato direto com a direção da unidade para eventuais esclarecimentos.
Quanto ao questionamento da alimentação, o Hapvida disse que, durante a internação, as exigências podem variar de acordo com a avaliação clínica do paciente e com a necessidade de realização de exames ou procedimentos, sendo definida pela equipe assistencial, conforme cada caso.
Leia a nota, na íntegra:
"O paciente encontra-se internado no Hospital Teresa de Lisieux e segue recebendo assistência da equipe multiprofissional da unidade. Por questões relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não podemos divulgar informações sobre diagnóstico ou quadro clínico.
Assim que tomou conhecimento da demanda apresentada pela família, a direção do hospital foi acionada e passou a acompanhar o caso de perto, tendo inclusive realizado visita ao paciente em seu leito. A família também mantém contato direto com a direção da unidade para eventuais esclarecimentos.
Sobre alguns pontos mencionados na denúncia, alguns aspectos dependem de maior detalhamento para que possamos verificar internamente com precisão. Em relação ao tratamento da ferida citado pela família, por exemplo, seria importante compreender melhor a que situação específica eles se referem.
Da mesma forma, a indicação de alimentação durante a internação pode variar de acordo com a avaliação clínica do paciente e com a necessidade de realização de exames ou procedimentos, sendo definida pela equipe assistencial conforme cada caso".
