
O trabalhador informal também está sentindo o baque da greve dos rodoviários nesta sexta-feira (22), em Salvador. Com a frota reduzida de ônibus, os pontos e estações tiveram uma queda significativa no movimento, prejudicando os ambulantes.
Os ônibus demoraram mais tempo para sair das garagens do que o previsto na liminar do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) e deixou a situação ainda pior. O que deveria ser 60% da frota em circulação entre 4h30 e 8h30 acabou se transformando em ônibus saindo apenas às 7h das garagens, atrapalhando ainda mais a vida dos ambulantes.
É o que relata o vendedor de pãezinhos delícia Robson, que trabalha na Estação Iguatemi. Ele estima um prejuízo de R$ 300 por conta do fraco movimento.
“Rapaz, isso está quebrando as vendas. Está quebrando todo comerciante aí, todo ambulante. Tem que botar os ônibus para rodar, porque senão quebra as pernas da gente. A gente só vive disso aqui. Saio de casa às 4h, chego aqui às 5h, e quando chego não tem BRT, não tem ônibus, não tem nada. Aí acaba com a gente, né?”, desabafou.
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“O ambulante que estava aí na rua vendendo, os trabalhadores... Todo mundo saindo, andando aí. Vieram mais de 50 comigo andando da outra estação para cá, às 4h e pouca da manhã. Olha para aí, meu irmão, como é que está? Eu preciso vender, eu preciso sustentar meu filho.”

Situação está difícil
A comerciante Anatalícia, de 66 anos, precisou pagar R$ 40 de Uber para sair do Arenoso, onde mora, e chegar também a Estação Iguatemi, na tentativa de vender seus salgados. No entanto, até o momento, a senhora só conseguiu arrecadar R$ 10 devido ao baixo movimento.
“Baixo, baixo [o movimento] e péssimo, porque se não melhorar vai ser um prejuízo grande que a gente vai tomar. A gente emprega aí R$ 500, R$ 600 e não tira nada. Aí fica difícil”, disparou.

