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Cultura viva da Bahia, - 13/04/2024, 06:20 - Amanda Souza - Atualizado em 13/04/2024, 08:01

Feira de São Joaquim completa 60 anos de existência em 2024

Aniversário será apenas em setembro, mas as comemorações já começam neste domingo (14) com apresentação de Silvanno Salles

Feira de São Joaquim celebra 60 anos- matéria especial com feirantes e consumidores
Feira de São Joaquim celebra 60 anos- matéria especial com feirantes e consumidores |  Foto: Olga Leira / Ag. A Tarde

Um símbolo de resistência e vitalidade cultural que representa muito bem o que é a Bahia completa 60 anos em 2024. A Feira de São Joaquim, conhecida pela sua diversidade e pela energia pulsante dos seus feirantes, é muito mais do que um simples mercado: é um ponto de encontro de culturas, um testemunho vivo da história da capital baiana.

Essa feira que se estabeleceu às margens da Baía de Todos-os-Santos para realocar os trabalhadores da feira de Água de Meninos, que pegou fogo em 1964, logo se transformou em um ponto de referência para a compra e venda de produtos variados, desde alimentos frescos até artesanatos típicos da região, sendo hoje a maior e mais reconhecida da Bahia.

Além do preço baixo e da diversidade de produtos, a Feira de São Joaquim também é famosa pelo talento em festejar, e não poderia ser diferente dessa vez. Ao longo de seis décadas, a feira não apenas sobreviveu, mas resistiu a desafios econômicos, urbanísticos e sociais. É neste contexto que o projeto "São Joaquim: 60 anos de luta e resistência", que será lançado com festa no domingo (14), surge como uma homenagem merecida e como um meio de preservar a rica história deste lugar.

Nilson Crispim
Nilson Crispim | Foto: Olga Leira / Ag. A Tarde

Nilson Ávila Filho, o Gago, é um dos exemplos de como a feira deu oportunidade a tantas pessoas. Filho e neto de feirantes que trabalharam por lá, ele segue respeitando o legado da família à frente do Bar São Jorge, dentro da feira de São Joaquim; Gago também é o presidente do Sindicato dos feirantes da Feira de São Joaquim, e garante que a festa dos 60 anos ficará marcada. “Montamos uma programação e tem tudo para ser uma grande festa. Queremos mostrar o legado da feira, valorizar as coisas que produzimos aqui ao longo desses anos”, afirma.

Hamilton Barbosa, segue os caminhos do pai na feira
Hamilton Barbosa, segue os caminhos do pai na feira | Foto: Olga Leira / Ag. A Tarde

Passeando pela feira, é possível conhecer outras pessoas que são resultados do que um dia foi plantado ali. Outros filhos e netos de feirantes que preservam as histórias de suas famílias e seguem vivendo do trabalho na feira de São Joaquim, como é o caso de Hamilton Barbosa e Ari Goes. Eles têm a mesma idade da feira, e por isso sabem que suas histórias se confundem com a daquele espaço.

Eles cresceram na feira enquanto os pais trabalhavam, se conhecem desde criança e reconhecem a importância da enseada de São Joaquim para a vida de cada um ali. “Tem gente que não sabe o que é viver fora da feira, não sai daqui para nada, nunca nem pegou um ônibus na vida. Dorme e acorda aqui dentro, respira a feira de São Joaquim. Isso aqui é importante para muitas pessoas, foi e é tudo para a minha família”, disse Hamilton. “Somos feirantes de sangue, é um meio de comércio, de vida, um lugar que as pessoas se identificam. Quem diz que não gosta é porque não conhece”, garante Ari.

Hamilton Barbosa, segue os caminhos do pai na feira
Hamilton Barbosa, segue os caminhos do pai na feira | Foto: Olga Leira / Ag. A Tarde

É verdade que muita coisa mudou ao longo desses 60 anos. Muitos dos feirantes dessa época já faleceram e nem todos deixaram filhos para seguir com o negócio. O comércio se expandiu, cada lugar ganhou a sua própria feira, o mercado evoluiu e, de alguma maneira, a realidade ali não é mais a mesma. Quem trabalha por lá há muito tempo sabe disso, mas também sabe que apesar das mudanças, a feira de São Joaquim nunca deixou de ser importante.

Ari Goes possui restaurante
Ari Goes possui restaurante | Foto: Olga Leira / Ag. A Tarde

O feirante Nilson Santos está há 45 anos tirando o sustento da feira de São Joaquim. Ele trabalha com os temperos verdes e entre a venda de um coentro e outro, contou um pouco do que viu acontecer naquelas vielas ao longo das décadas. “Mudou demais. Antigamente não tinha tanto mercado, tanta opção por aí, e aí quem precisava, tinha que vir na feira. Hoje, naturalmente, não tem mais o mesmo movimento, mas ainda dá pra levar o meu trocado pra casa, e por isso vou ficar aqui até o dia que Deus me levar”, garantiu Nilson. “A gente se adaptou, tem cartão, tem PIX, então o meu desejo é que os clientes voltem à feira”, pediu.

Do trabalho de pessoas como seu Nilson foi que se formaram tantos profissionais Salvador afora. Com o serviço na feira, muitos trabalhadores conseguiram garantir a educação e formação de seus filhos, o que pôde garantir uma mudança financeira e social na vida de muitas famílias. Mas se engana quem pensa que a formação acadêmica seria razão para tirar a feira da vida das pessoas, e Denilde Andrade, filha da Dona Dadá, é prova do contrário disso.

“É da família. Meu avô vendeu alumínio, minha mãe começou vendendo sacola e balaio de Ilha de Maré, hoje estamos aqui com o Cantinho da Dadá vendendo comida. Eu sou técnica em enfermagem, mas deixei o meu trabalho para ficar aqui com ela, e o mesmo aconteceu com meus irmãos. Todo mundo é formado, mas a feira chama. Pagamos a faculdade de todos com o dinheiro da feira, isso aqui é uma mãe”, explicou Denildes.

Denildes Andrade, filha de dona Dadá
Denildes Andrade, filha de dona Dadá | Foto: Olga Leira / Ag. A Tarde

O movimento na feira pode não ser o mesmo de anos atrás, mas entre boxes, bancas e carregadores, são cerca de oito mil pessoas que vivem direta ou indiretamente do sustento que a feira de São Joaquim oferece. Esses 38 mil metros quadrados que abrigam a maior feira livre da Bahia guardam muitas histórias e há 64 anos são um cartão postal de cores, sabores e aromas da Bahia em sua essência.

Tudo sobre a festa no domingo

Com o lançamento do projeto "São Joaquim: 60 anos de luta e resistência", os organizadores esperam não apenas comemorar o passado, mas também inspirar futuras gerações a valorizar e preservar esta parte tão importante da história de Salvador. A feira nunca foi apenas um lugar de comércio, é também um tesouro cultural que representa bem a capital baiana.

O aniversário é comemorado em setembro. “Foi em 15 de setembro que o primeiro feirante se instalou aqui na enseada de São Joaquim”, conta Gago. Mas as comemorações estão sendo antecipadas e começam neste domingo (14), a partir das 13h, no Píer São Joaquim. “Começamos no domingo e até setembro vamos realizar diversas atividades, como feiras de artesanato, festival gastronômico e um encontro do recôncavo com a feira de São Joaquim”, explica o presidente do sindicato.

A festa do domingo não vai deixar a desejar e as atrações musicais são de peso. Eduardo Fora da Mídia, Swing do Fora, Jecinho Ribeiro e um grande filho da feira, o cantor Silvanno Salles, que já passou por lá como vendedor de aipim e agora volta como um grande presente, fazendo uma participação no lançamento desse projeto.

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