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Muita labuta - - Atualizado em

Exatamente 63% da população baiana trabalha mais de 44 horas semanais

Apesar das altas horas trabalhadas, Bahia é o segundo estado com menor média salarial

Gabriel Freitas
Gabriel Freitas
Cerca de 6,5 milhões da população baiana tem ocupação com trabalho
Cerca de 6,5 milhões da população baiana tem ocupação com trabalho |  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O fim da escala de trabalho 6x1 - em que se folga apenas uma vez na semana - tem sido o assunto mais falado nas redes sociais, transporte público, lojas e afins. Dentro da realidade baiana, o interesse fica evidente, já que 63% da população trabalha mais de 44 horas semanais, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

No território baiano, a média de horas trabalhadas chega a 44,2, acima da média nacional, que é de 43,4. É estimado que cerca de 56% dos trabalhadores brasileiros estejam em jornada longa acima de 44 horas semanais.

As regiões com as maiores médias de intensidade laboral são o Norte e o Nordeste, com estados ultrapassando 45 horas médias semanais e mais de 70% dos trabalhadores em jornadas longas, cenário associado à maior informalidade, conta própria e menor rendimento médio do mercado de trabalho regional.

Dentre os 50 milhões de trabalhadores formais no Brasil, cerca de 37,2 milhões (74%) têm jornada de 44 horas semanais. No entanto, um contigente significativo, de aproxidamente 29,7 milhões, já operam na escala 5x2.

O cenário é diferente quando desce no país. Os estados com as menores médias estão no sudeste e no Distrito Federal.

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Trabalha muito e paga pouco

A alta intensidade de tempo trabalhado, na maioria das vezes, não é sinônimo de salário alto. Isso porque os trabalhadores brasileiros que atuam na carga semanal de 41 a 44 horas são a segunda parcela com o menor índice salarial. Em dezembro de 2025, eles receberam, em média, R$ 3.362,45. Este recorte populacional fica à frente apenas de quem labuta de 16 a 20 horas, que tem o valor mensal de R$ 2.991,86.

Mesmo não passando das 12 horas trabalhadas por semana, a média para essas pessoas é de R$ 4.190,10. Os maiores pagamentos em média vão para quem trabalha na faixa de 31 a 40 horas semanais, com R$ 6.741,99. São 18,379 milhões de pessoas nessa faixa.

Salário do baiano melhorou, mas ainda é o segundo pior

O levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostra que a média salarial dos baianos é a melhor, desde que começou a ser pesquisados tais números, em 2012. Em 2025, o valor foi de R$ 2.162 por mês, considerando salários, aposentadorias, programas sociais, aluguéis e outras fontes de renda. O valor representa um crescimento real de 2,9% em relação a 2024, já descontada a inflação.

No entanto, a situação ainda é complicada, já que é a segunda pior média, acima apenas do estado do Maranhão, também no Nordeste. A valor nacional alcançou R$ 3.367.

Com a menor média de horas trabalhadas, a população do Distrito Federal tem o melhor salário, que chega a R$ 5.043. Confira o ranking de todos os estados:

Distrito Federal, R$ 5.043
São Paulo, R$ 3.907
Paraná, R$ 3.758
Rio de Janeiro, R$ 3.733
Santa Catarina, R$ 3.698
Rio Grande do Sul, R$ 3.633
Mato Grosso, R$ 3.510
Mato Grosso do Sul, R$ 3.390
Espírito Santo, R$ 3.231
Brasil, R$ 3.225
Goiás, R$ 3.196
Rondônia, R$ 3.011
Minas Gerais, R$ 2.910
Amapá, R$ 2.851
Roraima, R$ 2.823
Tocantins, R$ 2.786
Rio Grande do Norte, R$ 2.668
Acre, R$ 2.563
Pernambuco, R$ 2.422
Alagoas, R$ 2.406
Sergipe, R$ 2.401
Amazonas, R$ 2.293
Paraíba, R$ 2.287
Pará, R$ 2.268
Piauí, R$ 2.203
Bahia, R$ 2.165
Ceará, R$ 2.071
Maranhão, R$ 2.049

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