
Estudantes e manifestantes se reuniram na tarde desta segunda-feira (26), na Praça Tomé de Souza, em frente à Prefeitura de Salvador, após os atrasos na saída dos ônibus durante a operação com frota gratuita no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25).
O ato foi convocado pelo Diretório Acadêmico de Letras da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e teve como pauta o pedido de impeachment do prefeito Bruno Reis. A mobilização foi motivada pela falta e pela demora dos coletivos no dia da votação.
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Relatos de espera nos pontos
Eleitores contaram ter esperado mais de uma hora pelo transporte. Segundo os relatos, alguns ônibus passaram direto pelos pontos, o que dificultou o deslocamento até os locais de votação.
Ao MASSA!, o presidente do DCE da UFBA, Tobias Muniz, que lidera o movimento, explicou que o ato questiona a decisão de manter os veículos nas garagens e o tempo que levaram para chegar às ruas. Para ele, a situação foi "um caos, um problema", o que mobilizou iniciativas de caronas solidárias.
" É inadmissível que um prefeito tenha uma postura de fechar os ônibus dentro de uma garagem por conta de adesivos e demorar 5 horas até os ônibus chegarem na cidade. Se não fosse a população que se colocou à disposição de caronas solidárias, as pessoas estariam muito mais prejudicadas. Estamos aqui pedindo impeachment do prefeito”, ressaltou.
As caronas permitiram que eleitores com dificuldade de acesso ao transporte público conseguissem votar. Entre os voluntários estava Binha do Bahia, que atuou nos bairros de São Caetano, Liberdade e Duque de Caxias. Ele descreveu o trajeto feito para buscar moradores e levá-los aos locais de votação.
❝ A gente fez, não só eu, como diversas pessoas, e a gente ajudou muito. Não tinha ônibus na rua. Subimos até São Caetano, Liberdade, Duque de Caxias. A gente voltava e aí entrava no Curuzu, descia a São Martin, subia a Fazenda Grande para pegar mais pessoas naquela região”, explicou.
Ação coletiva está em estudo
O advogado Victor Queiroz, de 23 anos, que também foi responsável pela ação coletiva contra a concessão do título de cidadão soteropolitano a Flávio Bolsonaro, disse que avalia com sua equipe jurídica o melhor caminho para ingressar uma possível ação coletiva contra a gestão municipal.
Segundo ele, o episódio não ficou restrito a Salvador e teria se repetido em outros municípios, como Feira de Santana, Lauro de Freitas e São Paulo.
Queiroz reconheceu que o cenário político na Câmara de Vereadores torna o caminho mais difícil, mas afirmou apostar na mobilização:
“Mais de 50% da frota de ônibus de Salvador foi retida nas garagens. Eu acho que é o momento de a gente ir para cima da Prefeitura e questionar o porquê de uma ação tão criminosa e antidemocrática, um movimento de desrespeito ao eleitor e ao povo de Salvador", ressaltou.
O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcellos, também se manifestou. Ele afirmou que o episódio prejudicou principalmente idosos, pessoas com deficiência e a população de menor renda, que dependem do transporte coletivo para votar.
“A gente entende que disputas políticas precisam ser feitas de modo democrático, respeitando o contraditório, mas assegurando o direito básico das pessoas de votar. Principalmente a população mais pobre, que foi a mais penalizada com a ausência dos ônibus circulando pela cidade", iniciou.

VasconcelLos destacou ainda o papel do metrô, garantido pelo Governo do Estado, dos ônibus intermunicipais e das caronas solidárias organizadas por militantes. Ele defendeu que a Câmara de Vereadores e a Justiça Eleitoral apurem o caso.
“ É inexplicável que o secretário de Mobilidade, no dia de uma operação tão importante, esteja em Paris, e que o prefeito tente colocar a responsabilidade em adesivos colados nos ônibus., A Câmara precisa abrir um processo para investigar e a Justiça Eleitoral também, porque o que o que aconteceu foi um verdadeiro crime contra a democracia", finalizou.
Semob explica a interrupção
Em comunicado, a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) informou que a interrupção registrada na garagem G5, em Caminho de Areia, decorreu da adesivação de veículos. Segundo a pasta, situação semelhante ocorreu em outras garagens.
O secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, divulgou um vídeo em seu perfil no Instagram, no domingo (26). Nele, afirmou que a frota amanheceu com adesivos de um grupo político e que a retirada foi feita para cumprir a legislação eleitoral, com os veículos liberados à medida que ficavam prontos.
O que diz o TRE-BA
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) fixou multa de R$ 1 milhão por hora para a Prefeitura e para cada empresa concessionária. A administração municipal, a Semob e as empresas têm 48 horas para apresentar documentos que esclareçam a operação do transporte no domingo.
Pablo Souza chegou a ter a prisão em flagrante decretada pelo TRE-BA no dia da votação. A ordem foi revogada pelo presidente do tribunal, desembargador Maurício Kertzman Szporer, nesta segunda, após recurso da defesa. Ele considerou que a finalidade da medida, garantir o funcionamento do transporte durante a votação, perdeu o objeto com o fim do pleito.
O caso segue em apuração pela Procuradoria Regional Eleitoral e pela Polícia Federal, que investigam uma possível redução superior a 50% da frota.

