
Os questionamentos sobre a água escura - registrada por banhistas e populares em um trecho da Praia da Paciência -, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, foram esclarecidos pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa).
Diante das dúvidas por parte de frequentadores da praia e a partir de imagens que têm circulado nas redes, o MASSA! foi em busca de explicações técnicas com a finalidade de esclarecer as possíveis causas da situação.
Em entrevista ao MASSA!, o assessor da Diretoria de Operação da Embasa, Júlio Mota, garantiu que, diferente do que muitas pessoas têm pensado, não se trata de esgoto, mas sim, de água pluvial, proveniente diretamente da chuva.

“A Praia da Paciência e toda aquela região é atendida com o sistema de esgoto da Embasa. Então, não tem esgoto caindo ali em momento nenhum, a não ser que tenha alguma falha no sistema, algum entupimento, o que pode ocorrer caso aconteça uma quebra de rede”, garantiu.
Sobre a tonalidade da água, Júlio explicou que uma das causas são impurezas lançadas pela chuva. “Não tem esgoto algum. Quando chove, e isso é em qualquer lugar, a água da chuva nos primeiros 15 minutos lava as ruas e tira toda a sujeira, todo lixo e fuligem de pneu de carro que fica no asfalto. Tudo isso é levado para o mar. Existem países que já resolveram todos os seus problemas de esgoto, que tratam a água da chuva antes de lançar no mar, nos rios, mas não é nosso caso", disse.

“Aquilo ali não é esgoto. É água de chuva, mas é claro que está contaminada, já que a rua também contamina com lixo, com um monte de coisa. O fato é o seguinte: quando chove, ninguém deveria frequentar a praia porque não tem balneabilidade [qualidade] por conta de toda sujeira que a chuva conduz. A depender da força, a própria maré entra ali. Então, o que não deveria ter é sujeira. Se fosse apenas água, sem lixo, não tinha o menor problema de estar ali. O problema não é a água, é a sujeira”, completou o assessor da Diretoria de Operação da Embasa.
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Outro ponto destacado por Júlio foi as ligações clandestinas feitas por membros da população. “Em boa parte da cidade não existe drenagem. Então, erradamente, os moradores ligam a água de chuva na nossa rede e sobrecarrega a rede porque são ligações clandestinas de água de chuva dentro da nossa rede”.
Segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o monitoramento da qualidade da Praia da Paciência e das demais praias de Salvador é feito semanalmente, no período da manhã.
Turistas estranham
Embora a Embasa tenha apresentado esclarecimentos técnicos, Tiago Lima, que trabalha em uma barraca situada na Praia da Paciência, relatou que a aparência da água, algumas vezes, tem impactado na presença de clientes. “O povo acha que é esgoto porque tem plástico, tem vidro, mas não é um esgoto como estão dizendo. O chato é que o povo que mora fora e não conhece, acha que esgoto e, às vezes, não quer sentar na barraca porque acha que esgoto, água podre e não fica”, contou.

Procurada pela reportagem, a Limpurb informou que uma equipe realiza a limpeza de toda a extensão da areia da Praia da Paciência diariamente, de segunda a sábado.
Secis se posiciona
Além da ação de limpeza, a prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (Secis), disse que a Praia da Paciência também conta com o Projeto Praia Verde, que visa restaurar a ecologia da localidade.
"Entre as ações executadas no local dentro do escopo da Secretaria, estão o plantio de mudas de espécies nativas e a recuperação da vegetação, além de atividades permanentes de educação ambiental e conscientização junto à população, comerciantes, trabalhadores da praia e frequentadores. O projeto também busca estimular o descarte correto de resíduos”, disse o órgão.

