
Há cerca de dois anos, em outubro de 2024, foi sancionada a Lei nº 15.006/2024, que oficializou o Dia Nacional do Motociclista e instituiu a Semana Nacional de Prevenção a Acidentes com Motociclistas. A data, celebrada no dia 27 de julho, representa milhões de brasileiros sobre duas rodas, entre eles os 2.194.726 motociclistas da Bahia e os 215.158 que circulam diariamente por Salvador.
Muito além do estigma de imprudência que costuma acompanhar quem pilota uma moto, existem condutores que fazem da responsabilidade um hábito. Neste Dia do Motociclista, o MASSA! conversou com apaixonados pelas duas rodas que conciliam segurança, praticidade e o prazer de pilotar.
A paixão pela moto
Para muitos motociclistas, a paixão começou ainda na infância. É o caso de Hugo Leonardo, 43 anos, tecnólogo em Radiologia. Antes da primeira moto, vieram as bicicletas. "Sempre gostei de bicicleta, então sempre tive essa vontade de andar de moto."

Já o enfermeiro Rafael Francescoli, 39 anos, herdou o gosto pela moto dentro de casa. "Meu pai também teve diversas motos, já participou de grupos. E eu acabei despertando essa paixão."

Com o passar dos anos, o sonho ganhou um motivo a mais para tornar-se realidade: a praticidade. Para Hugo, que trabalha em dois locais diferentes, a moto faz diferença na rotina. "Tem a questão do custo-benefício, tanto no valor de compra quanto no gasto com combustível. Além disso, fica muito mais fácil sair de um trabalho para o outro."
A experiência de Rafael foi parecida. A necessidade de conciliar estudo e trabalho fez da moto a melhor alternativa. "Optei pela moto pela facilidade no trânsito urbano. Eu estudava e trabalhava e tinha muita dificuldade de locomoção."
A moto foi uma das primeiras opções, somada ao amor que eu já tinha desde pequeno.
Rafael Francescoli
Hoje, a moto faz parte da rotina dos dois. Hugo pilota há 15 anos e Rafael, há 20. Seja para trabalhar ou aproveitar momentos de lazer, as duas rodas estão presentes praticamente todos os dias. "Rotineiramente eu estou em cima da moto", resume Rafael.
Paixão e perigo
Essa rotina também significa dividir espaço com um trânsito marcado por acidentes. Os dois percorrem diariamente avenidas como Bonocô, Vasco da Gama e toda a Orla de Salvador, vias conhecidas pelo grande fluxo de veículos e também pelos altos índices de ocorrências.
Segundo o Relatório Anual de Segurança Viária de 2024, da Transalvador, as avenidas com maior número de mortes no trânsito foram:
➡️Luiz Viana Filho (Paralela), com 13 óbitos;
➡️ Afrânio Peixoto (Suburbana), com nove;
➡️e Vasco da Gama e ACM, com quatro registros cada.
Mesmo diante desse cenário, motociclistas que adotam uma condução segura mostram que é possível conviver com os riscos sem abrir mão da paixão pelas duas rodas.
“Um dia estava voltando na orla, quando eu vi um carro sair de uma faixa e ir para outra, de forma repentina e pegar um casal na lateral da moto. O casal estava na mão(faixa) correta, na fluidez correta do trânsito, mas infelizmente de forma imprudente ele mudou de faixa e acabou pegando um casal” relata Rafael, ao lembrar de um grave acidente que presenciou.
Cuidado na pista
Entre os motociclistas, é comum ouvir frases como "só não sofreu acidente quem ainda não pilota". Mas essa máxima não se aplica a todos. Em 15 anos sobre duas rodas, Hugo Leonardo nunca se envolveu em um acidente. Para ele, o segredo está na condução defensiva e na antecipação dos riscos.
Apesar disso, Hugo reconhece que parte da má fama dos motociclistas é real, mas faz enfatiza que há exceções.
"Existe muita imprudência, principalmente entre quem trabalha com a moto. Como eles dependem do tempo para fazer entregas ou corridas, acabam ficando mais impacientes e assumindo riscos maiores. Isso aumenta muito a chance de acidentes."

Os números mostram que os homens continuam sendo as principais vítimas da violência no trânsito. Ainda segundo o Relatório Anual de Segurança Viária da Transalvador, eles representaram 80% dos envolvidos em acidentes em 2024, sendo que 27% tinham entre 20 e 29 anos. Já dados do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça apontam que os acidentes de transporte são a segunda principal causa de mortes por causas externas no Brasil, respondendo por 23,5% dos registros.
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Mesmo com cuidados, Rafael sabe que nenhum motociclista está totalmente livre de acidentes. Há pouco tempo, ele sofreu uma queda aos poucos na rua onde mora.
"Eu estava devagar, fazendo uma curva na rua onde moro, quando o guidão adaptado, comprado para deixar a moto mais bonita, acabou folgando. Perdi o controle da moto, bati em um poste e tive uma lesão grave na perna e no tornozelo."

Diante disso, confira as prevenções que os motociclistas entrevistados fazem:
➡️Saia de casa com antecedência: evite correr para evitar atrasos. Planejar o horário reduz a pressa e a chance de manobras arriscadas. "Eu prefiro sair 30 minutos ou até uma hora antes para não precisar correr", diz Rafael.
➡️Use os equipamentos de proteção: capacete em boas condições, jaqueta, botas e roupas adequadas para o clima ajudam a reduzir os riscos em caso de acidente. "Faz calor e incomoda, mas os EPIs são fundamentais para a segurança", apontou Rafael

➡️Mantenha a atenção o tempo todo: a condução defensiva exige olhar além do veículo à frente, antecipando buracos, obstáculos e possíveis atitudes de outros motoristas. "Você precisa enxergar muito além do que está logo na sua frente. A atenção tem que ser o tempo todo." disse Hugo.

Ambos apontam que é necessário respeitar os limites de velocidade, evitar a pressa e seguir as regras de trânsito são atitudes que aumentam a segurança de todos.
Os dados indicam que esse cuidado tem contribuído para reduzir as mortes no trânsito da capital. Em 2025, o número de motociclistas mortos em Salvador caiu de 65 para 56, uma redução de 13,8% em relação ao ano anterior. Entre os pedestres, os óbitos passaram de 57 para 52, queda de 8,8%.
"Ser motociclista é um estilo de vida."
Pilotar uma moto é, para muitos, sinônimo de liberdade. "Pilotar é uma delícia. Quando a estrada está livre, o tempo está bom e o vento bate no rosto, é uma sensação de liberdade difícil de explicar", afirma Rafael.
Apesar disso, Hugo Leonardo e Rafael Francescoli, enfatizam a responsabilidade da prática. Além de motociclistas, os dois trabalham na área da saúde e convivem diariamente com as consequências dos acidentes de trânsito. No hospital, Hugo acompanha de perto a chegada de vítimas de colisões, muitas delas envolvendo motocicletas.
Segundo ele, é comum que os pacientes relatem terem sido "fechados" por outro veículo. No entanto, ao longo dos atendimentos, percebe que muitos também estavam em alta velocidade, o que reduz drasticamente o tempo de reação e aumenta a gravidade dos acidentes. "Se você vem devagar, consegue frear ou desviar. Em alta velocidade, você não tem tempo. Por isso a direção defensiva faz toda a diferença."

No fim das contas, a paixão pelas duas rodas continua viva. Rafael, define os motoqueiros da seguinte forma:
Ser motociclista é um estilo de vida. É usar os equipamentos de proteção, manter a manutenção em dia e pilotar de forma defensiva
Rafael Francescoli
Segundo, ele, o contrario disso é o Motoqueiro, continuou: "é quem ignora esses cuidados e desrespeita as regras."

