Dia do Jornalista completa 95 anos de mudanças, desafios e história

Profissão resiste e se reinventa com crescimento das redes sociais

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Segue firme - 07/04/2026, 07:00 - Wiliam Falcão- Atualizado em 07/04/2026, 07:12

Apuração, ética e serviço à população são alguns dos pilares do jornalismo no dia a dia. Uma das profissões mais antigas ainda existente, o jornalista tem um dia que pode chamar de seu há 95 anos. Nesta terça-feira (7), é celebrado o Dia do Jornalista no Brasil e a ocupação, que começou com a escrita, continua em ampla moldagem com o passar do tempo.

Existem várias maneiras de fazer jornalismo: jornal impresso, rádio, televisão, site e redes sociais, a mais recente e que cresce a cada dia. Na era das visualizações e da velocidade da notícia, o papel do jornalista permanece soberano. Afinal, se tem uma coisa que não mudou é que ainda é necessário uma apuração criteriosa dos fatos.

Para a maioria das pessoas que consome as notícias, o jornalista sempre vai saber de tudo. Entretanto, é justamente nesse mito que entra a importância da atividade, como explica o jornalista Levy Vasconcelos.

“Olha, você aprende na faculdade de comunicação que jornalista não é obrigado a saber das coisas, mas é obrigado a saber a quem perguntar sobre os assuntos que lhe interessam”, indica em entrevista ao MASSA!.

Colunista do Grupo A TARDE, Levi escolheu o jornalismo há 48 anos como profissão e não se arrepende.

Aspas

Agora eu diria a você com toda sinceridade, eu sempre adorei ser jornalista, e se fosse hoje eu começaria a ser jornalista de novo também.

Levi Vasconcelos
Levi não se arrepende de ter escolhido a profissão para seguir

A profissão tem a solidez de conquistar muitas pessoas nos dias atuais. Estagiário do portal MASSA!, Gabriel Freitas, 22 anos, destaca o motivo de ter escolhido estudar jornalismo. “Quando eu decidi fazer jornalismo eu quis fazer porque posso contar histórias de pessoas reais. Eu gosto de estar perto de pessoas no dia a dia, pessoas que vivem a realidade da cidade”, afirma.

Jornalismo popular

Entre as diversas formas de se comunicar existe o jornalismo popular. Uma forma de noticiar os fatos de uma maneira mais direta e com uma linguagem de fácil entendimento para todas as pessoas sobre todos os assuntos.

Mesmo ainda começando a sua trajetória na profissão e ainda em busca da formação, Gabriel já reconhece que o jornalismo popular aproxima quem faz e quem consome o produto.

"Acho que quem consome esse jornalismo se sente pertencente ao que está sendo produzido. É importante sabermos o preço do dólar, sabermos o preço de várias outras coisas, mas acima de tudo é importante saber como está a fila do banco, o engarrafamento na cidade, então eu acho que esse tipo de jornalismo é benéfico”, explicou.

Imagem ilustrativa da imagem Dia do Jornalista completa 95 anos de mudanças, desafios e história

Presidenta do Sindicato dos Jornalistas, Fernanda Gama reforça a necessidade de fazer com a informação não tenha preconceitos e alcance todos os cantos da cidade. "O jornalismo precisa ser acessível e dialogar com a realidade das pessoas. O chamado jornalismo popular cumpre um papel fundamental ao levar informação de interesse público para mais perto da população, especialmente dos trabalhadores e das periferias”, disse ao MASSA!.

Fernanda Gama defende exigência do diploma para jornalistas

Ainda de acordo com ela, independente da forma de se comunicar, tem algo que o jornalista não pode abrir mão.

Aspas

É importante reforçar que, ser popular não significa ser superficial ou irresponsável. Pelo contrário, o desafio é traduzir temas complexos de forma clara, direta e compreensível, sem abrir mão da qualidade da informação

Fernanda Gama

Novos tempos, novos desafios

Com a chegada dos sites e das redes sociais, o jornalista da velha guarda teve que mudar de estratégia em algumas situações. Para trazer uma informação privilegiada no jornal impresso, Levi destaca que é necessário jogo de cintura.

“Antigamente a gente podia fazer qualquer pergunta abertamente, porque todo mundo só ia saber disso no dia seguinte, nos jornais. Agora não. Agora eu tenho que ter cuidado e conversar em particular, porque se eu fizer a pergunta abertamente, em 10 minutos está em tudo que site e, no dia seguinte, o jornal já nasce morto”, pontua.

Mesmo na era do digital, Levi não abre mão da caneta e do papel nas apurações

Valorização do jornalista

Quando se fala de valorizar os profissionais da comunicação, existe um tema que não passa batido. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, derrubou a exigência do diploma para atuar como jornalista. Até hoje a decisão gera desconforto para os trabalhadores.

“Aí acaba com tudo. Qualquer um pode chegar lá e se registrar como jornalista, ele [Gilmar Mendes] está avacalhando uma profissão que é séria e de interesse social”, dispara Levy.

A presidenta da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal, destaca em entrevista ao MASSA! que a exigência do diploma precisa voltar a ser critério para a profissão.

“Em um ambiente digital onde qualquer pessoa pode publicar conteúdos em tempo real, muitas vezes sem a devida apuração técnica que diferencia o trabalho jornalístico das postagens pessoais, é um risco para a sociedade. Por isso, é tão importante valorizar o jornalismo profissional e defender a necessidade do diploma”, reflete.

Suely Temporal,  presidenta da Associação Bahiana de Imprensa

“Outra questão importante é saber discernir o que é informação do que é opinião. E nas postagens de internet isso facilmente pode ser confundido. Portanto, diante da avalanche de conteúdos nas redes, o papel do jornalista não diminui”, considera Suely.

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