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Devoção - 19/03/2026, 21:30 - Artur Soares

Dia de São José: baianos treinam o autocontrole com o jejum das frutas

Tradição segue viva em Salvador como uma forma de fortalecer a própria fé

Devotos precisam ficar um ano inteiro sem comer determinada fruta
Devotos precisam ficar um ano inteiro sem comer determinada fruta |  Foto: Reprodução/Freepik

A cidade de Salvador amanheceu mais próxima da fé nesta quinta-feira (19). Comemorado todo dia 19 de março, o Dia de São José é uma data em que fiéis de toda parte do país fazem seus votos e agradecimentos ao pai adotivo de Jesus. Uma das mais antigas tradições envolvendo o santo é o jejum das frutas, em que o devoto precisa ficar sem comer uma determinada fruta durante um ano inteiro.

Dez anos atrás, a apresentadora Ana Maria Braga trouxe holofotes para a tradição quando, em um momento do programa Mais Você, decidiu fazer a promessa junto com o falecido Louro José. A cena rendeu brincadeiras na internet e mostrou para o Brasil inteiro a importância do jejum. Em Salvador, a prática ainda segue viva como uma demonstração de devoção e autocontrole.

“O propósito espiritual é apresentar de verdade, no caminho de São José, a oportunidade de reconhecer no sacrifício as graças que alcançamos. Quando queremos conquistar alguma coisa, precisamos fazer alguns sacrifícios”, explicou o padre Josuel de Jesus da Silva, reitor do Colégio e Santuário São José, em entrevista ao MASSA!.

A tradição das frutas está diretamente conectada com a história do santo. Durante a travessia para o Egito, José conseguia frutas que serviam de alimento para Maria e ao pequeno Jesus. “Eram muitas pessoas que passavam, então São José precisava correr para que pudesse pegar uma fruta e entregar ela a Maria e Jesus, para eles continuarem o percurso. Ele abria mão, faziam um jejum, para que eles pudessem se alimentar”, afirmou o padre.

Jejum começa nesta quinta-feira (19)
Jejum começa nesta quinta-feira (19) | Foto: José Simões/AG. A Tarde

Por ser um período longo de jejum, muitas dúvidas cercam a cabeça de quem deseja começar. A principal delas é o que acontece caso a pessoa acabe “quebrando” o jejum de forma não proposital, seja por esquecimento ou por comer alguma comida feita daquela fruta.

“Se você tomou consciência e deseja continuar o percurso, é só continuar até chegar o dia 19 do ano seguinte. As falhas podem acontecer, porque não seremos radicalmente impecáveis nesse propósito, porque o mais importante é o propósito”, garantiu Josuel.

Padre Josuel de Jesus da Silva
Padre Josuel de Jesus da Silva | Foto: José Simões/AG. A Tarde

Conquistando pela fé: pedidos que foram ouvidos

Sendo responsável pelo único santuário dedicado a São José em Salvador, padre Josuel já escutou diversos relatos de graças alcançadas por conta do jejum. Uma das história mais tocantes envolve uma mãe que pediu intercessão pelos estudos de seu filho.

“Uma mãe queria muito que seu filho pudesse estudar no colégio e não tinha condições para colocá-lo como aluno. Ela pediu pela intercessão de São José, quando o menino ainda era criança. Ela fez o jejum e recebeu a notícia de que seu filho tinha sido contemplado com uma bolsa”, relembrou. Para o padre, o relato demonstra o poder que a devoção ao pai adotivo de Jesus pode desempenhar na vida daqueles que acreditam.

Salvação: encontro na pandemia

A promessa ao pai adotivo de Cristo também serve como uma porta de entrada para a espiritualidade. Para alguns devotos, o jejum das frutas serviu como um recomeço na fé. “Quando eu saí da pandemia, me aproximei mais da espiritualidade. Nesse retorno, há cinco anos, eu acabei encontrando o jejum das frutas como uma etapa de sacrifício, de autopreservação, uma demonstração dessa busca pela renovação”, contou o estudante Rafael Cerqueira, 25.

Apesar de ter surgido como uma forma de “lidar” com a pandemia, a prática logo conquistou toda a família de Rafael. Hoje em dia, o jejum das frutas se tornou um hábito anual em casa. “Hoje já é uma questão que minha família toda participa, numa perspectiva de apoio mesmo. Eles me incentivam, reforçam, alguns até brincam, mas como para mim é um ato de fé, existe esse limite entre o respeito e a brincadeira”, disse.

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Vacilou: momentos de queda

Ao longo desses cinco anos de prática, já houve momentos em que a promessa foi quebrada de forma não intencional, Quando esse tipo de incidente acontece, Rafael recomeça o jejum do início como uma forma de “compensar” o erro.

“Infelizmente já me ocorreu e foi com uma coisa muito besta, foi um doce que vem uva escondido. Eu me assustei, fiquei triste, porque eu acho que quando assumimos algo assim precisamos seguir com convicção. Para compensar, a partir daquele ponto eu reiniciei e fiquei mais tempo até completar um ano”, revelou.

Hoje em dia o baiano se considera uma pessoa com maior autocontrole. Além disso, os pedidos por mais saúde seguem funcionando. “Eu tenho a plena convicção de que passar pela pandemia, da forma que foi, foi graças a São José. Tive parentes doentes que ficaram melhor depois, acredito que a saúde deles ter melhorado foi por conta do jejum”

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