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Desembargadora traz nova pauta para evitar greve dos rodoviários

Sorteio para julgamento do dissídio coletivo está engatilhado em caso de fracasso na negociação

Vinicius Rebouças
Vinicius Rebouças
Caso negociações não avancem o dissídio coletivo será julgado pelo TRT-BA
Caso negociações não avancem o dissídio coletivo será julgado pelo TRT-BA |  Foto: Olga Leiria / Ag. A TARDE

Rodoviários e patrões vão para mais uma rodada de negociações hoje (24) às 10h na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, no bairro de Nazaré. Esta é a nona tentativa de chegar a um acordo que ponha fim à potencial greve da categoria marcada para amanhã (25) às 0h. Trata-se da segunda deliberação a ser realizada no TRT sob mediação da desembargadora Débora Carvalho, presidente do órgão.

Ela pretende dar celeridade ao debate, visto que o bate hora da suspensão das atividades se aproxima. Disse que apresentará aos sindicatos da categoria e patronal uma proposta com somente cinco itens. Uma pauta bastante enxuta em relação ao início da campanha salarial, onde 60 tópicos foram incluídos pelos trabalhadores. Quinze foi o número dos últimos dias.

A presidente afirmou ainda que caso não ocorra um acordo conforme esperado, ela fará o sorteio para decidir quem julgará na sexta-feira (26) o dissídio coletivo da categoria, que é uma ação ajuizada no Tribunal para solucionar conflitos entre as partes coletivas que compõem uma relação de trabalho. O ofício foi impetrado ontem (23) pelo patronal.

Em pauta

A capital baiana tem mais de 1 milhão de usuários do transporte público coletivo que estão apreensivos com a possibilidade de greve. Para ela não ocorrer, é preciso chegar a um acordo que seja benéfico para os cerca de 11 mil rodoviários que trabalham no sistema. Eles pedem aumento salarial em 10%, levando em consideração a inflação do período e a representação de ganho real.

Do outro lado, o patronal ofereceu 1,98% de aumento como contraproposta e a discussão de mais um ponto: compensação das horas extras.

A categoria rejeitou a oferta por considerar outros pontos de grande importância, tais como: custeio da renovação da CNH do profissional pelas empresas, além da manutenção dos postos de trabalho dos cerca de 5 mil cobradores de ônibus, uma função já descrita como "obsoleta" pelo secretário de Mobilidade de Salvador, Fabrizzio Muller.

Negociações

A primeira reunião entre os rodoviários e o patronal aconteceu em 11 de abril. Foram quatro reuniões sem a necessidade de intermediação. Na sequência foram realizadas três rodadas intermediadas na Superintendência Regional do Trabalho, no Comércio. As tratativas subiram para o Tribunal Regional do Trabalho porque o patronal deu entrada ontem (23) no ofício de dissídio coletivo.

Histórico

Somente em duas oportunidades o dissídio coletivo dos rodoviários foi a julgamento na capital baiana. Nos anos de 2006 e 2012. A última vez que o TRT mediou uma campanha salaral da categoria foi em 2018.

Em meados de 2021 também houve uma negociação, mas em outra situação. Foi julgada a ação que envolvia o município, os rodoviários e a antiga Concessionária Litoral Norte (CNS). Naquele ocasião foi feito um acordo.

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