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Liberdade - 15/04/2023, 07:30 - Amanda Souza

Colocando a raba pra jogo

Entre dança, corporalidade, técnica e sensualidade, um projeto tem transformado a vida de mulheres com a terapia da pelve

Quem tem, joga, minha gente! Se a raba sempre foi inspiração para muita musicalidade na Bahia, agora também é uma ferramenta de consciência corporal. Um projeto desenvolvido no Espaço Núcleo de Circo está promovendo essa consciência através das danças pélvicas. É a Rabaterapia, uma mistura de rebolado e autoestima que tem empoderado muita gente.

Nathane Nathânia é a professora e desenvolvedora desse movimento que nasceu online, durante o auge da pandemia da covid-19, no final de 2020. “Foi criado com o intuito de propor o rebolado enquanto uma ferramenta de autoconhecimento, amor e cuidado, explorando a nossa energia sexual, nossas potencialidades e subjetividades”, explica a professora.

Em geral, são aulas de danças que têm o movimento concentrado na região pélvica, como o funk, o brega funk, o twerk dos Estados Unidos e dancehall da Jamaica. A proposta é, de fato, rebolar.

“Não tem como não dizer que é um projeto direcionado às mulheres”, ressalta Nathane. “Nós somos historicamente cerceadas nesse lugar da pelve, do corpo, da dança”, conclui.

Nathane Nathania, professora de dança dando aula no Forte do Barbalho
Nathane Nathania, professora de dança dando aula no Forte do Barbalho | Foto: Raphael Muller/Ag A Tarde

Nesse contexto, a terapia através da raba, como define a professora, tem o objetivo de libertar. “Não é fácil acessar um lugar em que você foi tão reprimida, tão castrada desde criança com um “fecha as pernas”, “senta direita”, “olha os modos” etc... e a gente sempre guardando isso”, contextualiza.

Por isso, para além da estética de um bom e belo rebolado, a rabaterapia surge como uma oportunidade de sair de um lugar quadrado, conhecer o próprio corpo, apreciar a liberdade ser o que quiser.

Verônica Desterro, aos 60 anos, é uma das alunas de Nathane. Para ela, as aulas apareceram como uma oportunidade de se conhecer e se exercitar.

“Eu fiquei muito curiosa sobre como seria essa terapia”, conta. “E percebi que é possível desconstruir esse movimento que, a princípio, eu censurava, mas estou desmistificando e destravando o meu corpo. Aqui eu me sinto plena”, garante.

SALVADOR/MASSA
Projeto Aulas de Rabaterapia desenvolve potencial terapêutico do rebolado. 
Na foto: Nathane Nathania, professora de dança dando aula no Forte do Barbalho. 
Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE
Data: 13/04/2023
SALVADOR/MASSA Projeto Aulas de Rabaterapia desenvolve potencial terapêutico do rebolado. Na foto: Nathane Nathania, professora de dança dando aula no Forte do Barbalho. Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE Data: 13/04/2023 | Foto: Raphael Muller/Ag A Tarde

Nathane reforça que essa é uma atividade de músculos que extrapola o corpo físico, que tem benefícios para a autoestima. “É sobre fazer elas se sentirem gostosas, mulherões”.

As aulas acontecem toda quinta, às 17h, no Forte do Barbalho. Os interessados podem buscar mais informações no instagram (@espaconucleodecirco). “Se você está precisando mover suas águas paradas, venha conhecer a rabaterapia”, convida Nathane.

MOVIMENTO E TÉCNICA

As aulas são desenvolvidas com base em quatro fundamentos: o encaixe e o desencaixe ósseo da pelve; balanço e sacolejo dos músculos e gorduras da bunda; contração e expansão muscular da bunda; e contração e expansão dos músculos internos do períneo.

Como explica Nathane, a proposta é fazer algo leve, divertido, mas que também tenha técnica e, claro, resultados.

“Não é uma coisa rígida, a gente vai misturando técnicas, coreografias, sequências”, diz. “Temos momentos de teoria também, eu falo de questões históricas do rebolado pra gente entender os tabus e preconceitos que existem sobre essas danças”, defende.

Natural de Minas Gerais, Nathane está na Bahia há apenas três meses, tempo suficiente para perceber o que é que essa terra tem quando o assunto é rebolado. “Não tem outro lugar que eu poderia desenvolver essa pesquisa no Brasil se não fosse aqui, que é o berço dessa cultura à qual as danças pélvicas estão atreladas”, diz. Para a professora, o grande diferencial é a percepção que o baiano tem da dança em suas diversas formas. “Aqui as pessoas rebolam, simplesmente. No geral, é algo que tem a ver com uma sexualidade livre mas não no lugar da vulgaridade, mas da expressão de um povo”, explica Nathane. “A corporalidade está mais resolvida na Bahia, esse lugar em que os homens rebolam e em que se fala de raba com tanta naturalidade”, conclui.

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