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Zero representatividade -

Brasil não tem nenhum preto ou pardo eleito nas 771 casas legislativas

Nas eleições de 2020, quase 800 cidades não elegeram nenhum vereador negro

Da Redação
Da Redação

Na data que se comemora a Consciência Negra, que ocorre nesta segunda-feira (20), é reforçada ainda mais a importância da democracia racial no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 56,2% de negros da população e 42,7% brancos, mas a representativa política, em cargos de poder, ainda é baixa.

Informações retiradas do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as 771 casas legislativas de municípios brasileiros não tem um vereador negro. Isso corresponde a 13,86% dos municípios que realizaram eleições em 2020 e o farão, novamente, em 2024. O país tem 5,5 mil municípios.

Em casos de eleitos para exercer o cargo de governador, não há nomes autodeclarados pretos. Exercem o cargo, depois das eleições de 2022, nove governadores que se consideram pardos.

O IBGE e a Justiça Eleitoral diz que o termo “negro” engloba tanto indivíduos pardos quanto pretos, abrangendo uma categoria mais ampla que corresponde à combinação de pessoas autodeclaradas como pretas e pardas.

Os nove governadores que estão no grupo de negros se autodeclararam. Entre os eleitos como governadores das 27 unidades da Federação, Ibaneis Rocha (MDB-DF), Gladson Cameli (PP-AC) e Clécio Luis (Solidariedade-AP) mudaram suas declarações de branco para pardos entre as eleições de 2018 e 2022.

Em 2022, no geral, entre presidente, governadores, deputados e senadores, 5,47% dos eleitos se declararam pretos. Já 26,62% se declaram pardos. Um total de 32,2% de negros eleitos em um país de maioria negra.

Necessidade de melhorar

Os números de negros que participam de cargos políticos no Brasil demonstram que o debate e as políticas de inclusão racial ainda precisam avançar para que os pretos e pardos ocupem mais espaço. Em 2022, as políticas implementaras tiveram um resultado positivo, o aumento da participação de negros na disputa de um cargo dentro do pleito.

De acordo com o TSE, foi registrado o maior percentual de candidaturas negras desde 2014 - data em que foi instituída a modalidade de auto declaração de cor de pele. Trata-se de um aumento de 49,49% de negros.

Em 2018, 46,5% dos candidatos se declararam negros. Em 2014, o percentual abaixou para 44,24%. Já nas eleições de 2020, havia mais negros que brancos na disputa - 49,9% a 47,8%.

Ainda segundo o TSE, 48,3% dos interessados em concorrer a algum tipo de cargo, são brancos. Havendo uma redução no comparativo com pleitos eleitorais anteriores. Há quatro anos, em 2018, eram 52% e, em 2014, 54,98%.

No entanto, o número de eleitos resulta em 32,2%. O TSE e entidades representativas estão trabalhando para que os números sejam equilibrados.

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