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O OUTRO LADO DA BR-324 -

BR-324: a estrada que ajuda colocar comida na mesa dos baianos

BR-324 é uma das principais rotas que transportam alimentos na Bahia

Caminhões passaram pela BR-324 com produtos que garantem o sustento de muita gente
Caminhões passaram pela BR-324 com produtos que garantem o sustento de muita gente |  Foto: José Simões/Ag A TARDE

Considerada uma das principais rodovias na Bahia, a relevância da BR-324 - rodovia federal atualmente gerida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) - vai para além de quilômetros de estradas. É por meio dela que, diariamente, passam dezenas de veículos responsáveis por transportar, em especial, alimentos que chegam até as mesas do soteropolitano, prateleiras de supermercados e feiras livres.

E não! Diferente do que muitas pessoas pensam, a BR-324 não se limita ao trecho Salvador x Feira de Santana, como explica o superintendente regional do DNIT no estado da Bahia, Roberto Alcântara.

“A BR-324 aqui no estado não se resume apenas a Feira-Salvador. A famosa BR-324 é entre Feira e Salvador pela importância econômica e social para o estado, tendo em vista que dezenas de veículos trafegam diariamente trazendo pessoas, trazendo economia. Além da economia, onde temos veículos que vêm da região oeste, também temos veículos pesados que vêm da região de Petrolina, de Juazeiro, transportando frutas, verduras, seja para a capital, mas também para fora do estado”, explicou ao MASSA!.

superintendente regional do DNIT no estado da Bahia, Roberto Alcântara
superintendente regional do DNIT no estado da Bahia, Roberto Alcântara | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

“Temos outros municípios nesse trajeto. Também temos a BR-324 entre a BR-116, seguindo por Capim Grosso, passando por Jacobina. Tudo ali é a BR-324. Muitas pessoas sequer sabem que temos um outro segmento dessa rodovia aqui no estado. Temos uma série de municípios que, embora não estejam diretamente na rodovia, são afetados diretamente pela BR-324 como Simões Filho, Amélia Rodrigues, Santo Amaro, São Sebastião do Passé e Candeias”, completou.

Sendo assim, a BR-324 tem um peso bastante significativo para economia do estado, mas também para uma série de outros serviços como saúde e educação porque a principal via de ligação com todo o interior, com o Nordeste, vem por essa rodovia.

Talvez por possuir tamanha importância e funcionalidades que as recentes interdições de um trecho do km 604, no sentido Feira de Santana - ocasionadas pela abertura de uma cratera -, geraram reclamações por quem a utiliza frequentemente.

“As rodovias, de fato - de um modo geral e evidentemente com a com a 324 não é diferente - gera emprego. Nos contratos de manutenção, por exemplo, atualmente, devemos ter mais de 200 pessoas trabalhando em contratos de manutenção, seja com o DNIT, seja com a concessionária. Na época da concessionária havia muito mais empregos porque tinha as praças de pedágio, toda a vigilância, enfim”, disse Alcântara fazendo referência da importância das estradas para o processo de emprego e renda.

Diversos tipos de alimentos são transportados pelos caminhoneiros
Diversos tipos de alimentos são transportados pelos caminhoneiros | Foto: José Simões/Ag A TARDE

“Nenhuma BR é só um uma rodovia, vamos dizer assim. Ela é um instrumento que alavanca a economia, o turismo. Então assim, se tem uma rodovia que não é pavimentada, por exemplo, ela não auxilia no desenvolvimento daquele município, daquela região. Porém, a partir do momento que ela é pavimentada, tem facilidade de escoar a produção e tudo mais. Para além disso, que é algo mais externo, temos o que está consolidado na rodovia, que são as pousadas, os restaurantes, os postos de combustível, que estão implantados na BR-324 e, evidentemente, ela tem essa importância local também. E eu diria que ela favorece a população local com o emprego gerado no entorno da rodovia”, pontuou.

Ciente dos impactos que a rodovia tem para o funcionamento de diferentes setores na sociedade, o superintendente do DNIT relata que, apesar das adversidades, o departamento tem trabalhado para garantir melhores condições para aqueles que trafegam por ela.

“Nós assumimos a BR-324 há pouco mais de um ano. Assumimos de forma provisória, com a missão principal de promover a manutenção funcional da rodovia, trazendo segurança e fluidez para os usuários. De que maneira, a gente vai fazer isso? Tapando buraco, removendo aquele asfalto antigo e colocando um asfalto novo, para evitar que novos buracos surjam rapidamente, fazendo a limpeza dos dispositivos de drenagem, para que os bueiros não fiquem obstruídos, sinalização da rodovia. Então, esse é o papel do DNIT, até porque, nós temos uma nova concessão sendo construída”, detalhou o superintendente.

Ninguém melhor do que quem transita por essas estradas todos ou quase todos os dias para falar sobre os desafios e condições que encontram nelas, a exemplo dos caminhoneiros. Durante bate-papo com alguns deles, que operam trazendo mercadorias (hortaliças, frutas e outros alimentos para a Ceasa de Simões Filho), todos citaram os acidentes como principal fator de risco e obstáculos encontrados durante o exercício de suas profissões, como é o caso de André, que prefere ser chamado pelo apelido ‘Ceguinho’, e sai do estado de Sergipe para entregar mercadorias, três vezes por semana, na Ceasa, conhecendo de perto os perigos.

Profissionais vivem correria para entregar mercadorias no tempo estimado
Profissionais vivem correria para entregar mercadorias no tempo estimado | Foto: José Simões/Ag A TARDE

“É um trabalho que não está mais valendo a pena. A gente encontra muitos acidentes na estrada, e são acidentes causados por imprudência das pessoas. E isso é o que mais nos preocupa. Saio de Sergipe às 20h30 e chego 2h50 aqui na Ceasa, mas, até chegar aqui, são muitos os riscos que a gente corre”, lembrou o profissional.

Há mais de 10 anos que Leno Madaleno também sai de sua cidade, Conceição do Jacuípe, mais conhecida como Berimbau, para entregar mercadorias na Ceasa. Assim como André, ele aponta a imprudência humana como vilã dos sinistros. “A gente presencia muitos acidentes feios. A maioria é causado por carros pequenos que tentam ultrapassar ou os motoristas cochilam”, relatou.

João Damasceno também é caminhoneiro e são de cidades do Recôncavo da Bahia, como Cruz das Almas e Santo Antônio, que ele traz biscoitos caseiros e broas para serem comercializados na Ceasa. “Perdi as contas de quantas vezes tive que parar na estrada durante a madrugada, no escuro, porque o pneu rasgou ou furou por causa das condições da rodovia aqui na BR-324. Hoje, posso dizer que estamos encontrando a 324 em condições que, pelo que me lembro, nunca tínhamos visto antes. Sem buracos e em condições melhores”, destacou o motorista.

Gerir a 324 é uma missão desafiadora

Foi no dia 15 de maio de 2025, após o encerramento do contrato de concessão da ViaBahia, que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes assumiu oficialmente a administração da BR-324, junto com trechos da BR-116. “Período desafiador demais. Para vocês terem ideia, nós [DNIT] não temos no Brasil inteiro nenhuma rodovia que façamos a operação com guincho, com ambulância, com monitoramento de câmeras. Essa é a primeira rodovia [324 e a 116], que é algo novo para a gente. Nós não tínhamos, vamos dizer assim, essa expertise. Estamos aprendendo, inclusive, em termos de operação. É uma rodovia muito complexa. Nós trabalhamos dia e noite. Desde o primeiro dia que assumimos, nós trabalhamos dia e noite mesmo. Temos equipe de tapa buraco, limpeza dos dispositivos de drenagem, de roçada. Trabalhamos durante o dia. À noite é uma outra equipe, que é a equipe que faz a fresa, que é arrancar aquele asfalto antigo e colocar uma nova capa”, relatou o representante do DNIT.

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“Então, todos os dias desde que assumimos, começamos às 7h manhã, vamos até 17h, pegamos novamente 21h e vamos até 5h da manhã. É uma rodovia complexa em termos de volume de tráfego. Temos dificuldade, às vezes, de executar esse serviço porque qualquer minutinho que paramos para tapar um buraco, é um transtorno. Tem um volume gigante de tráfego, uma região que chove bastante e acaba dificultando a execução dos serviços, então, tem uma série de complexidades. Em outras regiões temos tudo isso: muita chuva, mas talvez, não tenha esse volume de veículos. Porém, realmente, aqui é desafiador. Além disso, o nível de cobrança, de pressão é muito. Mas é isso, nós estamos reformando uma casa morando dentro da casa”, acrescentou Roberto Alcântara.

BR-324 se destaca pelo grande fluxo de veículos

Responsável pelo patrulhamento ostensivo, fiscalização do trânsito e a prevenção e repressão de crimes nas rodovias e estradas federais do Brasil, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) também conhece de perto as principais demandas e relevâncias da rodovia.

“A BR-324 é, na verdade, uma das rodovias mais importantes aqui no estado, já que ela conecta Salvador ao interior do estado e à Região Metropolitana. Ela funciona como um dos principais corredores logísticos, com alto transporte, tanto de pessoas, como também o transporte de mercadorias”, esclareceu Fernanda Maciel, inspetora da PRF.

Fernanda Maciel, inspetora da PRF
Fernanda Maciel, inspetora da PRF | Foto: Divulgação

Outra característica típica da rodovia é a quantidade de veículos que transitam por ela todos os dias. “É uma rodovia que tem como característica um volume intenso de veículos, seja em dias normais, ou com fluxo intensificado quando se trata dos feriados prolongados e períodos festivos. Só para se ter uma ideia, em dias comuns, por exemplo, em um mês, a gente tem cerca de um milhão de passagem de veículos nessa rodovia e cerca de 50.000 veículos por dia.

O fluxo é intenso, principalmente, na parte da manhã, das 9h até 11h. No final do dia, a partir das 18h, seguindo até o horário da noite, umas 20h, também é intenso. Esses são os períodos que têm mais deslocamentos, tanto de trabalhadores, como também movimentação de cargas nessa rodovia. E é uma rodovia marcada, principalmente, pelo fluxo de veículos de passeio, seguido dos caminhões. Porém, mais de 70% desse fluxo é representado por carros”, detalhou a policial.

Rodovia também registra muitos acidentes

Ainda de acordo com a PRF, apesar de não ser a primeira do ranking, por possuir esse intenso fluxo de veículos, a BR-324 também se destaca quando o assunto é sinistro. “Aqui na Bahia, a rodovia que lidera o número de sinistros é a BR-116, que é uma rodovia que também tem um alto fluxo, um grande deslocamento de veículos de carga, um grande entroncamento, a maior rodovia do país.

Mas em segundo lugar, a rodovia que tem o maior registro de sinistros é a BR-324. Devido a esse fluxo intenso de veículos, tem diversos pontos de redução de velocidade e de congestionamento e, por causa disso, temos muitos problemas relacionados, principalmente, à falta de atenção do motorista porque ela é uma rodovia de via duplicada em ambos os sentidos. Porém, devido a esse volume intenso e falta de atenção do motorista, a gente tem muitos sinistros tipo colisão traseira, mas que acabam não estando associados a um sinistro de alta gravidade”, explicou Fernanda Maciel.

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