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pesquisa baiana - 10/06/2026, 14:50 - Lais Machado

Bolsa Família reduz morte materna em até 31%, aponta a Fiocruz Bahia

Estudo mostra que programa de transferência de renda também diminui casos de tuberculose, hanseníase e suicídios

Exigência com compromisso de saúde reduz doenças
Exigência com compromisso de saúde reduz doenças |  Foto: Lyon Santos / MDS

O Bolsa Família vai além do suporte financeiro e tem impacto direto na saúde e na sobrevivência de mães e filhos, é o que aponta um conjunto de pesquisas realizadas nos últimos dez anos pelo Cidacs, da Fiocruz Bahia. Os dados revelam que o risco de mulheres morrerem por causas ligadas à gravidez e ao parto é até 31% menor entre as beneficiárias do programa.

Segundo os cientistas, à Agência Brasil, essa melhora acontece porque o programa exige que as famílias cumpram compromissos de saúde, o que incentiva as grávidas a fazerem mais consultas de pré-natal e a frequentarem mais os postos de saúde.

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Benefícios para os bebês e crianças

O impacto do programa começa antes mesmo do nascimento e protege os primeiros anos de vida:

➡️ Peso ao nascer: Gestantes que recebem o benefício têm menos chances de ter bebês com baixo peso. O resultado foi ainda mais forte entre mães pretas e indígenas.

➡️ Partos prematuros: Houve queda no número de bebês que nascem antes do tempo.

➡️ Mortalidade infantil: A mortalidade de crianças menores de 5 anos caiu 16% nas famílias atendidas.

Redução de doenças ligadas à pobreza

A pesquisa também cruzou dados de saúde de milhões de brasileiros e descobriu que o Bolsa Família ajuda a prevenir e a curar doenças graves como:

➡️ Tuberculose: Quem recebe o benefício tem *41% menos chance de contrair a doença* e o risco de morte após o diagnóstico caiu 31%.

➡️ HIV/Aids: O estudo com 22 milhões de pessoas mostrou menor número de novos casos e de mortes pela doença entre os mais pobres.

➡️ Hanseníase: Nos municípios com muitos casos, o programa ajudou a aumentar as taxas de cura e a adesão dos pacientes ao tratamento

Impacto na Saúde Mental

Outro dado destacado pelos pesquisadores é a redução de 56% na taxa de suicídio entre as pessoas atendidas pelo Bolsa Família. Além disso, as internações em hospitais por transtornos psiquiátricos e pelo uso de álcool e outras drogas diminuíram, principalmente nas cidades mais pobres.

Os cientistas da Fiocruz utilizaram a "Coorte dos 100 Milhões de Brasileiros", um banco de dados que cruza as informações do Cadastro Único (CadÚnico) com os registros de nascimentos, internações, diagnósticos de doenças e mortes no país.

Para o médico e pesquisador Mauricio Barreto, coordenador do estudo, os resultados provam que combater a pobreza é uma forma de gerar saúde. Segundo ele, o SUS funciona ainda melhor quando trabalha junto com programas de assistência social como o Bolsa Família.

*Sob a supervisão da editora Amanda Souza.

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