
Com Salvador enfrentando temperaturas cada vez mais elevadas, os cuidados com o bem-estar dos animais ganham atenção redobrada no Parque Zoobotânico da Bahia. Mesmo sendo uma cidade de clima quente durante todo o ano, o período de verão exige estratégias adicionais para garantir conforto térmico, saúde e qualidade de vida das espécies mantidas no local.
De acordo com a médica veterinária Amanda Ferreira de Santana, responsável pelo setor de primatas do parque, os recintos já são projetados considerando as características climáticas da capital baiana. “Todos os espaços contam com oferta constante de água para consumo e banho, áreas de sombra e abrigo do sol. Alguns recintos possuem até cascatas”, explica.
Durante os períodos mais quentes, a equipe intensifica o monitoramento desses recursos. A troca da água, por exemplo, é feita com maior frequência para mantê-la sempre limpa e fresca. Também são realizadas intervenções nos recintos, como ampliação das áreas sombreadas, construção de abrigos e plantio de árvores adequadas e não tóxicas para os animais.
Nos recintos de primatas, esse manejo exige atenção especial. Segundo Amanda, os macacos interagem intensamente com a vegetação, o que faz parte do comportamento natural da espécie. Já em áreas ocupadas por herbívoros e grandes felinos, a vegetação é utilizada como aliada no conforto térmico.

A alimentação também passa por adaptações. Embora os alimentos já sejam ofertados frescos diariamente, alguns itens são congelados para auxiliar na regulação da temperatura corporal. Entre os primatas, uma das estratégias é a oferta de “zoocolés”, sucos congelados feitos a partir da dieta natural da espécie, como frutas, verduras e proteínas, sem qualquer produto industrializado. “Tudo é preparado de forma artesanal no setor de nutrição”, destaca a veterinária.
Além disso, atividades que possam gerar estresse são evitadas nos horários mais quentes do dia. Procedimentos de manejo são realizados preferencialmente no início da manhã ou no final da tarde, reduzindo impactos à saúde dos animais.
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Segundo a especialista, nenhuma das mais de mil espécies do parque, entre répteis, mamíferos e aves, é originária de regiões de clima frio extremo. Isso contribui para uma boa adaptação ao calor. Ainda assim, o conforto térmico é uma prioridade constante.
Durante o verão e as férias escolares, quando a visitação aumenta, o parque também garante áreas de “cambiamento”, espaços internos onde os animais podem se recolher, longe da exposição ao público, sempre que desejarem. “Eles têm liberdade para escolher onde querem estar, seja na área externa ou em locais mais reservados”, explica Amanda.
Além dos recintos, o Parque Zoobotânico oferece áreas de convivência para os visitantes, como espaços arborizados para descanso e piqueniques ao longo de uma trilha de aproximadamente 2,5 quilômetros. O local também desenvolve projetos educativos, como a visita guiada com foco em educação ambiental para escolas, que pode ser solicitada pelo e-mail [email protected]. Outra atração aguardada pelo público é o projeto Zoo Noturno, cujo retorno ainda não teve data divulgada.

Entre as espécies ameaçadas de extinção presentes no parque estão o macaco-prego-loiro e o macaco-bugio. Para a veterinária, a visitação tem papel fundamental na preservação. “Não tem como preservar sem conhecer. Muitos animais que estão aqui não podem retornar à natureza, seja por idade avançada, deficiência, histórico de cativeiro ou resgates de situações como circos e tráfico”, afirma.
Amanda reforça que o parque conta com uma equipe multidisciplinar formada por veterinários, biólogos e zootecnistas, atuando 24 horas por dia, além de profissionais da área de botânica. “O objetivo é garantir o bem-estar dos animais e promover educação ambiental, para que a sociedade compreenda a importância da preservação das espécies”, conclui.
*Sob a supervisão do editor Anderson Orrico
